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fama, alegremente confirmada, de cabeça quentíssima
Os métodos de negociação de Paula Lavigne são notórios. Quando era atriz, medíocre, segundo a própria avaliação, pedia cachês exorbitantes. "Tá maluca, só porque é mulher do Caetano?", diz ela sobre a reação mais comum. "E eu respondia: claro, estão achando que eu sou mulher do Wando?". Ela não é mais, como o Brasil inteiro sabe. Mas a tática do pé na porta de saltão, Prada, mesmo quando "machuca meu calcanhar" foi transposta com sucesso para suas atividades empresariais. "Pode dizer que eu sou executiva, produtora, empresária, executive producer, que mexo com business entertainment, high business, tipo que eu sou meio dona dos filmes, entendeu?", descreve. Aos 39 anos, separada há quatro de um casamento assumido quando tinha 16, Paula anda dando plantões no interior de Alagoas para administrar de perto os 10 milhões de reais de orçamento do filme O Bem Amado, que começou a ser rodado lá e deve estrear ainda neste ano. Depois de cair meio por acaso no mundo do cinema há treze anos, ela é hoje uma das cinco principais produtoras de filmes no Brasil: levam sua assinatura títulos como Lisbela e o Prisioneiro, O Coronel e o Lobisomem e Ó Paí, Ó. Foi produtora associada de um dos maiores sucessos do cinema nacional, 2 Filhos de Francisco. "Eu sou muito boa nisso", declara, enquanto lambe o papel de seda que usará para enrolar um dos dez cigarrinhos feitos a mão que costuma fumar por dia. Entre baforadas, olhos semicerrados, dá detalhes de sua rotina de trabalho: "Por dia, troco 500 e-mails. Por filme produzido, assino 10.000 contratos". Paula tem fama de antipática, encrenqueira e briguenta. Também a chamam de talibã, numa nada gentil comparação com os fanáticos do Afeganistão. "E alguns dizem que sou maluca mesmo", assume, feliz da vida, embora ressalvando que "95% dos meus barracos são para defender Caetano", de quem continua a ser amiga, empresária e sócia meio a meio num faturamento que foi de 4 milhões de reais no ano passado. Defender do quê? "Acontece muito em shows que o chamem para cantar. Na frente da pessoa, ele diz que sim, mas para mim fala que não quer. Daí, eu é que tenho de dizer que ele não vai cantar e acabou." Bonita, bem vestida e cirurgicamente bem intervencionada, namorando um fotógrafo peruano de 26 anos, Paula cultiva a incontinência, verbal, entre outras. É capaz de levantar a blusa para mostrar que seu silicone "é lindo" e contar que pratica corrida e fuma também. Admite que estudou pouco "Com muito custo terminei o segundo grau. Se for presa, vou para a galera, não vou ter regalias" , que se viciou em antidepressivos depois da separação, que "odeia ser mulher" e que recentemente recebeu uma proposta (recusada) de 15 milhões de reais por seu apartamento de 1 000 metros quadrados na Avenida Vieira Souto, no Rio de Janeiro. Morre de rir com os boatos que até hoje acompanham sua amizade com a atriz Paula Burlamaqui, embora, na família, o ex é que seja decantadamente multimídia. A longa ficha de "episódios" pós-separação é assumida sem problemas. Poucos dias depois de se separar, relata, soube que Caetano jantava com uma mulher em um restaurante. "Vesti uma roupa de ginástica daquelas. Eu estava podendo, estava gostosa. Cheguei à mesa e joguei um copo de refrigerante na cara da mulher. Acabei com a festa deles." Tempos depois, ao ser impedida de entrar no prédio onde Caetano estava morando, lançou o carro contra o portão da garagem. "Dessa, eu me arrependo", confessa. A precocidade da relação e o espaço que ocupou em sua vida ajudam a explicar as reações algo destemperadas. Aos 13 anos, Paula participava de uma peça de teatro do grupo Tablado quando Caetano, à época com 40 anos, e casado, foi assistir ao espetáculo. Começaram um namorico. Preocupado, o pai dela, o advogado criminalista Arthur Lavigne, despachou a filha para um ano em Londres. Caetano visitou-a duas vezes. De volta ao Rio, foram morar juntos; ela tinha 16 anos. Tiveram dois filhos e uma profícua sociedade. "A minha sacada foi olhar a produção do Caetano como um ativo. Eu organizei o talento dele", diz Paula. O compositor retomou a propriedade de 95% da legendária obra. Enricou? "Sim. E eu também, fofa." Paula considera-se inclusive parceira musical do ex. "Tenho parte em 70% das músicas dele. Sabe o que é o marido o dia inteiro no violão, téim, téim, téim, atrás de uma palavra? Pois eu ia lá e achava a palavra", garante. A carreira de Paula como produtora de cinema começou em 1996, quando foi chamada por Cacá Diegues para cuidar da trilha sonora de Tieta do Agreste. Engrenou. "Ela escolhe filmes populares, com histórias engraçadas, dirigidos por consagrados diretores da Rede Globo", explica um especialista do meio que, como qualquer pessoa normal quando a talibã do show business está envolvida, prefere a cautela. "Sempre contrata atores globais e enfia Caetano nas trilhas sonoras, o que ajuda a vender o filme", diz outro conhecedor. Hoje, Paula desfruta as delícias que o sucesso profissional lhe dá, entre elas trinta terninhos Prada e Armani, 150 pares de sapatos e um frigobar acomodado no closet imenso só para manter em baixa temperatura seus cremes de beleza. Joias? "Sim, e tudo coisa boa." O temperamento tóxico envenenou as relações com muita gente. A mulher de Gilberto Gil, Flora, por exemplo. "Não tenho mais tanto contato com ela, mas não somos inimigas, como muita gente pensa", afirma Flora em público; reservadamente, uma chama a outra de desmiolada e a outra chama a uma de deslumbrada. "As pessoas engolem a Paula porque não querem virar inimigas do Caetano", destila outro desafeto. Louca por ginástica, Paula pratica menos do que gostaria, por falta de tempo. "Fiz uma escolha: ou ficava gostosa ou ficava rica. Escolhi ficar rica, meu bem", repete, naturalmente esperando que o interlocutor responda que conseguiu as duas coisas. Quem é louco de dizer que não?
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