Autorretrato
Fluvia
Lacerda
Chamada
de "a Gisele Bündchen tamanho 48", ela trabalhou como babá,
faxineira e garçonete nos Estados Unidos antes de se tornar uma das modelos
de publicidade mais bem pagas do segmento plus size, especializado em moda
para gordinhas. A carioca Fluvia, 28 anos, falou por telefone ao repórter
Kalleo Coura de Nova Jersey, onde vive com o marido, australiano, e a filha de
8 anos.
Uma modelo plus size pode
comer chocolate sempre que quiser?
Se eu tiver vontade, como uma barra
de chocolate. Mas ser modelo plus size não significa que você
pode ficar sentada no sofá e comer o dia inteiro. O mercado exige que a
gente esteja com os músculos durinhos, sem um barrigão flácido.
Eu ando de bicicleta em Manhattan e malho de três a cinco vezes por semana.
No fim de uma aula de spinning, saio cansada como quem foi para a guerra. Mas
me sinto ótima.
Como
é a sua alimentação?
Sou meio natureba, preocupada
com aditivos químicos. Então, tento comprar só comida orgânica.
Não como hambúrguer nem batata frita e fujo de todos os alimentos
industrializados. Também evito comida gordurosa e bebo no mínimo
2 litros de água para manter a pele saudável.
Já
quis ser magra?
Honestamente, isso nunca passou pela minha cabeça.
Não acho que magreza esteja nem de longe relacionada a beleza ou felicidade.
Minhas tias e primas são todas obcecadas por cirurgia plástica
elas me diziam que, se eu emagrecesse, ficaria linda. Mas nunca fiz dieta. Quem
consegue viver à base de alface e uvas tendo de trabalhar e cuidar dos
filhos? Quando morava em Natal, ia de biquíni à praia sem nenhum
problema. Modéstia à parte, sempre me achei bonita e saudável.
Dizem que você é "a
Gisele Bündchen gordinha". O que acha da comparação?
Fazem
essa brincadeira pelo fato de eu ser brasileira e mostrar um lado sexy nas fotos.
Os clientes me comparam não apenas a Gisele, mas também a Adriana
Lima. Acho engraçado e me sinto muito honrada porque as duas são
lindas. A mulher brasileira tem esse jeito mais sexy mesmo, seja ela gordinha
ou não, e isso já abriu muitas portas para mim aqui.
Você
se acha sexy?
No dia-a-dia, me vejo como mãe e esposa. Até
porque não saio por aí toda maquiada e fazendo biquinho. Quando
sou fotografada, é diferente. É o meu momento: trago para a fotografia
aquilo que o cliente deseja. Autoconfiança e amor-próprio são
atributos essenciais para ser atraente.
Que
tipo de roupa valoriza as cheinhas?
Algumas gordinhas estão sempre
de preto da cabeça aos pés. Usar uma peça diferente para
complementar o pretinho básico não mata. Eu, por exemplo, adoro
parecer feminina, usar um vestido estampado ou de cor mais viva.
E
que roupas uma gordinha deve evitar?
Qualquer roupa de tamanho menor.
Muitas mulheres tentam entrar numa calça número 40 quando vestem
46. Não sei se é porque não encontram o tamanho certo ou
porque querem se encaixar num padrão ao qual não pertencem. Roupa
apertada é muito feio e deselegante.
Você
está rica?
Posso dizer que, financeiramente, minha vida melhorou
muito. Antes de ser modelo, ganhava o suficiente para sobreviver. Hoje, tenho
um apartamento dúplex em frente ao Rio Hudson e uma casa de férias
no México.
Quantos quilos
você pesa?
Não sei. Eu nunca me peso.