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Edição 2099

11 de fevereiro de 2009
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Brasil
O bem-amado

A popularidade de Lula e a de seu governo
parecem imunes aos efeitos da crise econômica


Sandra Brasil

Ricardo Stuckert/PR
O LEVANTADOR DE MORAL
Empatia, discurso sob medida e, claro, a caneta na mão ajudam a manter o presidente em alta

A semana passada foi marcada por notícias ruins no campo da economia: 650 000 trabalhadores foram demitidos em dezembro, a indústria encolheu 12,4% no mesmo mês e a balança comercial registrou o primeiro déficit em quase oito anos (veja mais). Esses resultados seriam mais do que suficientes para abalar a popularidade de qualquer presidente da República – mas não a de Luiz Inácio Lula da Silva. A última pesquisa nacional CNT/Sensus revela que nada menos que 84% dos brasileiros aprovam o desempenho do presidente Lula e que 72,5% consideram o seu governo ótimo ou bom. São taxas recordes na pesquisa realizada desde 1998, e que podem levar alguém menos avisado a acreditar que os cidadãos estão anestesiados em relação ao momento preocupante que o país atravessa em decorrência da crise econômica mundial. Não é nada disso. A mesma edição da CNT/Sensus mostra que a população percebeu a piora da conjuntura nos últimos meses. De setembro para cá, a proporção dos que acham que a situação do emprego se deteriorou passou de 16,9% para 38,5%. Também subiu a parcela dos brasileiros que declararam que sua renda caiu e que a criminalidade aumentou.

Por que, então, Lula consegue manter sua popularidade inabalada? Para além de ter-se demonstrado um condutor responsável da política econômica e um mandatário sensível às iniquidades da sociedade brasileira, há a empatia que a esmagadora maioria do povo sente pelo presidente. Empatia que se sustenta não apenas em sua origem humilde, mas num tipo de espontaneidade que, se não se coaduna com a liturgia exigida pelo cargo, o aproxima do jeito de ser da maioria dos brasileiros. Além disso, Lula, desde o primeiro ano de governo, adotou a estratégia de apenas ser porta-voz da esperança, enquanto passa a ideia, ora em discursos inflamados, ora fazendo troça, de que todo e qualquer problema brasileiro é fruto da incompetência e do descaso de seus antecessores e de que as críticas a ele são produto do preconceito "das elites" contra a sua figura. A aprovação a Lula é revigorada, ainda, por ações polpudas. Veja-se a recente ampliação do Bolsa Família. O presidente, enfim, tem a empatia com o povão, o discurso adequado e a caneta na mão para manter sua popularidade lá em cima.

 





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