Brasil
O bem-amado
A popularidade de
Lula e a de seu governo
parecem imunes aos efeitos da crise econômica

Sandra Brasil
Ricardo Stuckert/PR
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O LEVANTADOR DE MORAL
Empatia, discurso sob medida
e, claro, a caneta na mão ajudam a manter o presidente
em alta |
A semana passada
foi marcada por notícias ruins no campo da economia:
650 000 trabalhadores foram demitidos em dezembro, a indústria
encolheu 12,4% no mesmo mês e a balança comercial
registrou o primeiro déficit em quase oito anos (veja
mais). Esses resultados seriam mais do que suficientes
para abalar a popularidade de qualquer presidente da República
mas não a de Luiz Inácio Lula da Silva.
A última pesquisa nacional CNT/Sensus revela que nada
menos que 84% dos brasileiros aprovam o desempenho do presidente
Lula e que 72,5% consideram o seu governo ótimo ou
bom. São taxas recordes na pesquisa realizada desde
1998, e que podem levar alguém menos avisado a acreditar
que os cidadãos estão anestesiados em relação
ao momento preocupante que o país atravessa em decorrência
da crise econômica mundial. Não é nada
disso. A mesma edição da CNT/Sensus mostra que
a população percebeu a piora da conjuntura nos
últimos meses. De setembro para cá, a proporção
dos que acham que a situação do emprego se deteriorou
passou de 16,9% para 38,5%. Também subiu a parcela
dos brasileiros que declararam que sua renda caiu e que a
criminalidade aumentou.
Por que, então,
Lula consegue manter sua popularidade inabalada? Para além
de ter-se demonstrado um condutor responsável da política
econômica e um mandatário sensível às
iniquidades da sociedade brasileira, há a empatia que
a esmagadora maioria do povo sente pelo presidente. Empatia
que se sustenta não apenas em sua origem humilde, mas
num tipo de espontaneidade que, se não se coaduna com
a liturgia exigida pelo cargo, o aproxima do jeito de ser
da maioria dos brasileiros. Além disso, Lula, desde
o primeiro ano de governo, adotou a estratégia de apenas
ser porta-voz da esperança, enquanto passa a ideia,
ora em discursos inflamados, ora fazendo troça, de
que todo e qualquer problema brasileiro é fruto da
incompetência e do descaso de seus antecessores e de
que as críticas a ele são produto do preconceito
"das elites" contra a sua figura. A aprovação
a Lula é revigorada, ainda, por ações
polpudas. Veja-se a recente ampliação do Bolsa
Família. O presidente, enfim, tem a empatia com o povão,
o discurso adequado e a caneta na mão para manter sua
popularidade lá em cima.
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