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Edição 2090

10 de dezembro de 2008
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Sociedade
Uma senhora embaixadora

Carla Bruni abraça sua causa: a luta contra a aids.
E lembra o irmão, que morreu da doença

Wireimage/Getty Images
Não por acaso
Carla, na linha de frente do combate à aids: "O prolongamento de ações que empreendo com minha família"

Ajudar os outros faz bem à psique de quem ajuda – e mais ainda quando se tenta fazer o bem numa esfera relacionada a perdas pessoais. É por isso que milionários financiam pesquisas sobre o câncer ou centros de ajuda a drogados quando perdem filhos para algum desses males. E é por isso que Carla Bruni, ex-modelo e atual primeira-dama francesa, pôs o que tem de mais valioso – a sua imagem – a serviço de uma causa que lhe é especialmente cara. Desde o começo do apressado e altamente divulgado casamento com o presidente Nicolas Sarkozy, Carla havia prometido se aplicar em atividades beneméritas. Na segunda-feira passada, Dia Mundial de Luta contra a Aids, tornou-se embaixadora do Fundo Global contra a Aids, Tuberculose e Malária, organização sediada em Genebra e patrocinada pela ONU. "Não é por acaso. Esse cargo é o prolongamento de uma ação que já empreendo com minha família e que fico feliz de poder ampliar. Por causa do meu irmão, sou muito sensível à questão da aids", declarou, na única referência, indireta porém clara, a Virginio Bruni Tedeschi, que morreu da doença em julho de 2006, aos 46 anos. Carla disse que pretende aproveitar o furor midiático que compreensivelmente a cerca para divulgar a causa. "Acho que o mundo se acostumou com a aids. Ela não é vista mais como um escândalo, uma emergência", declarou. Sua atividade será focada na África, o continente mais devastado pela doença, em particular mulheres e crianças atingidas pela epidemia – apesar dos avanços no tratamento, ainda nascem anualmente 500 000 bebês infectados com o vírus HIV. No total, são 33 milhões de portadores no mundo.

Virginio Bruni, na verdade, é meio-irmão de Carla, parte da história familiar complicada que ela tem – só soube aos 30 anos que não era filha do homem que havia conhecido a vida toda como seu pai, mas sim de uma relação paralela da mãe com outro homem, hoje um empresário radicado em São Paulo. Virginio era o primogênito, destinado a herdar o comando da indústria da família, original de Milão. Em lugar disso, tornou-se designer gráfico e fotógrafo. Também fazia o gênero romântico do navegador solitário e amava as travessias oceânicas de barco. Em meados dos anos 90, contraiu aids. Depois de virar cantora, mas antes de se tornar a senhora Sarkozy, Carla lhe dedicou o primeiro disco. "Virginio era sete anos mais velho. Não conhecia o mundo sem ele", disse numa entrevista. "Passou dez anos doente. Aí veio um linfoma terrível, que o matou em duas semanas." No ano passado, a mãe dos dois, Marisa, levou a leilão parte do acervo de quadros e antiguidades do palacete da família na Itália, amealhou o equivalente a 50 milhões de reais e criou a Fundação Virginio Bruni Tedeschi, que financia pesquisas e tratamentos de aids. Em setembro deste ano, sua viúva, Isabelle Bezin, organizou uma exposição das fotos dele em Paris. A causa agora ganha o reforço de Carla na posição de primeira-dama. Um belo reforço.

 



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