Edição 1832 . 10 de dezembro de 2003

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Saúde
O pós-botox

Um creme com o mesmo efeito da toxina
botulínica? Isso ainda está longe de existir


Paula Neiva

Uma substância que elimine rugas e marcas de expressão, como o Botox, mas que, ao contrário do Botox, não precise ser administrada por meio de injeções: essa é a pedra filosofal atrás da qual a indústria de cosméticos move mundos e muitos, muitos fundos. O mais próximo a que se chegou disso leva o nome de argirelina. Criada pelo laboratório espanhol Lipotec, a substância já foi incorporada à linha de produção de algumas das mais renomadas marcas de produtos de beleza, como Elizabeth Arden, Helena Rubinstein e Revlon. Na forma de cremes e géis, tem efeito bem menor que o das agulhadas de toxina botulínica, o princípio do Botox. Depois de um mês de uso, a redução das rugas na região dos olhos (sua principal indicação) chega a 30%, no máximo, de acordo com uma pesquisa publicada na revista International Journal of Cosmetic Science.

A argirelina é um tipo de açúcar que penetra até a camada intermediária da pele, a epiderme. Assim como a toxina botulínica, ela tenta inibir a ação de uma das substâncias responsáveis pela contração muscular, a acetilcolina. Quando a musculatura não se contrai (ou se contrai menos), as marcas de expressão são atenuadas. Por serem injetáveis, o Botox e seus similares conseguem chegar até o músculo e paralisá-lo – o que não acontece com a argirelina. Em compensação, ela tem um efeito hidratante que a toxina botulínica não tem. Por se tratar de um açúcar, a argirelina retém água com facilidade. E uma pele hidratada é menos suscetível a rugas do que uma pele ressecada e quebradiça. "Os resultados do estudo com a argirelina são interessantes", diz a dermatologista Denise Steiner, de São Paulo. "Mas a verdade é que ainda estamos longe de um substituto para a toxina botulínica."

 

 
 
 
 
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