Edição 1832 . 10 de dezembro de 2003

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Saúde
Ataque-surpresa

Onda de gripe chega mais cedo e com mais
violência aos Estados Unidos e à Europa


Anna Paula Buchalla

 
AP
Criança vacinada nos Estados Unidos: a imunização tem duração máxima de um ano

O alerta veio dos Estados Unidos e da Europa. Até a semana passada, um surto de gripe já havia atingido 500.000 franceses e matado sete americanos: quatro crianças no Estado do Colorado e três idosos em Washington. Esse número de mortes nos Estados Unidos é o maior registrado no país nos últimos cinco anos. As autoridades estão alarmadas porque, neste ano, a gripe chegou mais cedo – o primeiro surto foi registrado em novembro, um mês antes do previsto –, e os casos mais graves estão associados a um tipo de vírus que não poderia ter sido combatido pela vacina atualmente disponível. Trata-se do H3N2 fujian, uma mutação particularmente agressiva do vírus influenza. Os sintomas são semelhantes aos de qualquer outra gripe, só que mais fortes.

Como o vírus da gripe é altamente mutante, todos os anos uma nova vacina tem de ser fabricada e aplicada. Para tanto, é preciso que cientistas do mundo inteiro coletem a cada inverno mais de uma centena de amostras do vírus, na tentativa de identificar qual será a cepa dominante no ano seguinte. Às vezes, ocorre de a mutação ser tão rápida que não há tempo hábil para a produção de uma vacina. "Nos últimos quatro anos, por causa das drásticas mutações do vírus, têm ocorrido surtos de gripe causados por uma cepa que não estava prevista", diz João Toniolo Neto, chefe da geriatria da Universidade Federal de São Paulo.

A gripe que assola os Estados Unidos e a Europa não demorará a chegar ao Brasil. Se é que já não chegou – um vírus, atualmente, leva apenas quatro dias para dar a volta ao mundo, tendo em vista o enorme número de viagens transcontinentais. Mas ela não deverá produzir maiores estragos. Isso porque é verão e as pessoas passam a maior parte do tempo em ambientes abertos e arejados, situação pouco favorável ao contágio. A nosso favor conta também o fato de que a vacina a ser aplicada no próximo inverno, período mais propício para a propagação da doença, já conterá uma versão do vírus H3N2 fujian. De três em três décadas, em média, uma pandemia de gripe assusta o mundo. A última começou em Hong Kong, em 1968, e matou 700.000 pessoas. Como já se passaram 35 anos desde esse episódio, os médicos esperam uma nova pandemia para breve. Médicos americanos publicaram recentemente na revista científica Science um artigo em que alertam para as graves conseqüências de uma pandemia. Segundo os especialistas, se a doença adquirisse a violência da gripe espanhola, que ceifou 20 milhões de vidas em 1918, ela mataria hoje 60 milhões de pessoas.

 
 
 
 
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