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Saúde
Ataque-surpresa
Onda
de gripe chega mais cedo e com mais
violência aos Estados Unidos e à Europa

Anna
Paula Buchalla
AP
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| Criança
vacinada nos Estados Unidos: a imunização tem duração máxima
de um ano |
O
alerta veio dos Estados Unidos e da Europa. Até a semana
passada, um surto de gripe já havia atingido 500.000 franceses
e matado sete americanos: quatro crianças no Estado do Colorado
e três idosos em Washington. Esse número de mortes
nos Estados Unidos é o maior registrado no país nos
últimos cinco anos. As autoridades estão alarmadas
porque, neste ano, a gripe chegou mais cedo o primeiro surto
foi registrado em novembro, um mês antes do previsto ,
e os casos mais graves estão associados a um tipo de vírus
que não poderia ter sido combatido pela vacina atualmente
disponível. Trata-se do H3N2 fujian, uma mutação
particularmente agressiva do vírus influenza. Os sintomas
são semelhantes aos de qualquer outra gripe, só que
mais fortes.
Como o vírus da gripe é altamente mutante, todos os
anos uma nova vacina tem de ser fabricada e aplicada. Para tanto,
é preciso que cientistas do mundo inteiro coletem a cada
inverno mais de uma centena de amostras do vírus, na tentativa
de identificar qual será a cepa dominante no ano seguinte.
Às vezes, ocorre de a mutação ser tão
rápida que não há tempo hábil para a
produção de uma vacina. "Nos últimos quatro
anos, por causa das drásticas mutações do vírus,
têm ocorrido surtos de gripe causados por uma cepa que não
estava prevista", diz João Toniolo Neto, chefe da geriatria
da Universidade Federal de São Paulo.
A
gripe que assola os Estados Unidos e a Europa não demorará
a chegar ao Brasil. Se é que já não chegou
um vírus, atualmente, leva apenas quatro dias para
dar a volta ao mundo, tendo em vista o enorme número de viagens
transcontinentais. Mas ela não deverá produzir maiores
estragos. Isso porque é verão e as pessoas passam
a maior parte do tempo em ambientes abertos e arejados, situação
pouco favorável ao contágio. A nosso favor conta também
o fato de que a vacina a ser aplicada no próximo inverno,
período mais propício para a propagação
da doença, já conterá uma versão do
vírus H3N2 fujian. De três em três décadas,
em média, uma pandemia de gripe assusta o mundo. A última
começou em Hong Kong, em 1968, e matou 700.000 pessoas. Como
já se passaram 35 anos desde esse episódio, os médicos
esperam uma nova pandemia para breve. Médicos americanos
publicaram recentemente na revista científica Science
um artigo em que alertam para as graves conseqüências
de uma pandemia. Segundo os especialistas, se a doença adquirisse
a violência da gripe espanhola, que ceifou 20 milhões
de vidas em 1918, ela mataria hoje 60 milhões de pessoas.
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