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Especial
Valorização
de 50 000%
Os
preços dos passes de jogadores
brasileiros sobem mais rápido que
todos os outros investimentos

José
Edward
Marcelo Sant'Anna
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AFP
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CAMPEÃO
Jogadores do Cruzeiro comemoram a conquista do campeonato: não
foi o único vencedor |
OURO
NOS PÉS
O atacante Nilmar, do Internacional: comprado por 40 000 reais
há três anos, está sendo vendido por 20
milhões |
O Cruzeiro,
de Belo Horizonte, ganhou o Campeonato Brasileiro de Futebol de
2003, mas não foi o único clube do país a sair
vencedor do torneio. Quando se toma a competição como
uma vitrine em que os preços dos passes dos jogadores vão
se valorizando a cada rodada, muitos outros times ganharam. Há
pouco mais de três anos, o Internacional, de Porto Alegre,
pagou 40 000 reais ao Matsubara, do Paraná, pelo passe de
um centroavante veloz mas um tanto franzino chamado Nilmar. Agora,
está vendendo o atleta a um clube europeu por cerca de 20
milhões de reais uma valorização de
quase 50 000%. Além de ter feito vários gols no campeonato
nacional, Nilmar, de 19 anos, é um dos destaques da seleção
brasileira de jogadores com idade inferior a 20 anos, a Sub-20.
Outro negócio que movimentou a temporada foi a venda do meio-campista
Kaká, do São Paulo, para o Milan, da Itália,
em agosto último. O craque que foi vendido por 8,2
milhões de dólares (cerca de 24 milhões de
reais) estreou no clube italiano com uma brilhante atuação.
Segundo analistas, seu passe já tem agora uma cotação
cerca de quatro vezes maior no mercado europeu. "Brevemente, o Kaká
entrará para o time do Ronaldo, ou seja, dos jogadores cujo
valor do passe é quase inestimável", aposta Frederico
Pena, diretor da Traffic Marketing Esportivo.
Há
também o time dos atletas que deram a volta por cima no atual
campeonato. Um exemplo desse tipo de revalorização
é o do meia-esquerda Alex, do Cruzeiro. Considerado um dos
atacantes mais habilidosos do país, ele estava em baixa desde
que foi transferido do Palmeiras para o Parma, da Itália,
há três anos. Apesar da quantia envolvida na transação
15 milhões de dólares , o clube italiano
não o escalou e ele teve de voltar para o Brasil. Depois
de muitas idas e vindas e de uma longa batalha judicial, Alex conseguiu
passe livre e firmou-se no Cruzeiro graças à intervenção
do técnico Wanderley Luxemburgo. Antes do campeonato, seu
passe estava avaliado no máximo em 5 milhões de dólares.
Agora, fortíssimo candidato ao título de "craque do
ano" e com cadeira cativa na seleção brasileira, sua
cotação no mercado mais que duplicou.
Diego,
de 18 anos, e Robinho, de 19 ambos do Santos , são,
literalmente, a bola da vez. Dois anos atrás, eles não
tinham quase nenhum valor comercial, mas, graças ao destaque
que alcançaram nas duas últimas temporadas e às
sucessivas convocações para a seleção,
são hoje em dia os jogadores que atuam no futebol brasileiro
mais cobiçados pelos times europeus. Em agosto, o Tottenham
Hotspur, da Inglaterra, chegou a anunciar a compra de Diego por
12 milhões de dólares. A transação,
entretanto, não se confirmou porque o Santos, detentor de
60% dos direitos federativos do craque, não quis liberá-lo
antes do fim do Campeonato Brasileiro. "O Diego já está
com um pé na Europa", diz seu pai, Djair Ribas da Cunha,
que também atua como seu empresário. Há duas
semanas, Cunha estava em Londres acertando os detalhes de um contrato
do atleta com a multinacional International Management Group (IMG),
que agencia os direitos de imagem e publicitários de estrelas
como a modelo Gisele Bündchen e as irmãs tenistas Serena
e Venus Williams. Atualmente, Diego já é garoto-propaganda
da Nike e da Pepsi.
Em
muitos casos, as notícias de valorização dos
passes são apenas especulações, alegremente
estimuladas pelos empresários dos próprios atletas,
na tentativa de aumentar o cacife de seus clientes. "Só se
sabe quanto um jogador vale quando ele de fato é vendido",
diz Wagner Ribeiro, um dos coordenadores da Associação
Brasileira de Agentes da Fifa (Abaf) e que é procurador de
vários atletas, como Kaká e Robinho. Apesar da supervalorização
dos craques brasileiros que continuam com rentabilidade muito
superior à de qualquer outro ativo da economia , esse
mercado já não está tão inflacionado
nem é mais a mina de ouro de cinco anos atrás. Para
se ter uma idéia, em 1998, o mesmo São Paulo que neste
ano vendeu Kaká por 8,2 milhões de dólares
negociou o passe do atacante Denílson por 26 milhões
de dólares para o Real Betis, da Espanha. Três anos
depois, o clube francês Paris Saint-Germain pagou ao Grêmio
4 milhões de dólares por Ronaldinho Gaúcho
e, na seqüência, o revendeu por 27 milhões de
euros para o Barcelona, da Espanha. "Os craques brasileiros continuam
sendo os mais procurados no exterior, principalmente depois da conquista
do pentacampeonato, mas o patamar das ofertas pelos passes reduziu-se
drasticamente", diz o empresário espanhol José Fuentes,
procurador de Luís Fabiano, do São Paulo, e de Edmílson
e Juninho Pernambucano, que atualmente jogam no Olympique de Lyon,
da França. O motivo, segundo ele, é que vários
clubes italianos, como a Fiorentina e a Lazio, que eram grandes
compradores, entraram em decadência nos últimos tempos.
"Como no mercado financeiro, a cotação dos jogadores
de futebol tem altos e baixos", acrescenta o economista Fernando
Exel, presidente da Economática, consultoria especializada
em informação para investidores. "Mas, como nos jogos
de loteria, quem faz a aposta certa tira a sorte grande e pode ganhar
muito dinheiro."
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