Edição 1832 . 10 de dezembro de 2003

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Moda
Divórcio no biquíni

Calcinha de uma estampa, sutiã de outra:
é o visual do verão da descoordenação


Roberta Salomone


Fotos Pedro Rubens
Lista aqui, bolinha lá, camuflagem em cima, babadinho embaixo: a ordem é misturar

Desde que Ipanema é Ipanema que as meninas mais descoladas usam biquíni com a calcinha diferente do sutiã. Para conseguir isso, no entanto, tinham de, figurativamente, rebolar: ou eram freguesas tão cativas que as lojas concordavam em desfazer um par só para lhes agradar, ou tinham de desembolsar o preço de dois modelos para obter a combinação desejada, ou combinavam com o velho, descartando metade de um biquíni novinho. Pois neste verão o que era diferente vai virar regra – a descombinação é justamente a novidade mais evidente das grandes marcas de moda praia. Sem mudanças significativas nas modelagens e tecidos, os principais fabricantes estão se concentrando no chamado visual descoordenado, que é "descoordenado" em termos: calcinha e sutiã já saem diferentes de fábrica, formando, sim, conjuntinhos, que só raramente podem ser mexidos e misturados ao gosto da freguesa. Mesmo assim, o objetivo principal desse esboço de customização, que é dar aparência de exclusividade e improviso chique, acaba sendo alcançado.

Na coleção de verão da Rygy, que produz 600.000 peças por ano, mais de 30% são conjuntos de calcinhas e sutiãs com estampas mais ou menos desiguais (o xadrezinho da calcinha se repete na tira do top vermelho). Alguns conjuntos são feitos de tecidos com a mesma estampa, mas diferente centralização do desenho, o que dá a impressão de desigualdade. Exportadora para mais de vinte países, a Salinas segue a mesma linha, promovendo inclusive misturas aparentemente estapafúrdias, como camuflado com babadinho rosa. "Fica um visual divertido, que tem tudo a ver com o verão", diz a dona da marca, Jacqueline de Biase. "É uma organização desorganizada", brinca Amir Slama, da Rosa Chá, que desenhou vinte biquínis do gênero para a coleção nova. Quem preferir tentar sua própria combinação de calcinha e sutiã tem opções limitadas nas lojas, que só permitem a venda descasada de modelos específicos. Outra saída é recriar as peças do ano passado. "Todo mundo pode dar um toque pessoal e especial aos biquínis, desde que haja alguma ligação entre as estampas ou as cores escolhidas", diz Jacqueline – muito embora às vezes seja difícil enxergar a tal ligação nos modelos expostos nas vitrines, que custam entre 60 e 170 reais.

Para reforçar o toque pessoal, bordados, miçangas e penduricalhos de todos os tipos passaram também a incorporar o figurino da praia. São pedrinhas coloridas, canutilhos, pingentes e guizos que dão ar gracioso às peças e podem ser combinados de acordo com a escolha de cada uma. Na Rygy, os pendentes de acrílico que acompanham alguns biquínis são vendidos separadamente, por 3 reais. Em formato de coqueiro e palmeira, podem ser usados também como chaveiros. De resto, vale tudo, desde a imbatível dobradinha calcinha de lacinho e sutiã cortininha até a conjuminância muito atual de calcinha de oncinha com sutiã de florzinha. "Não existe rigidez na moda ou na praia", afirma Slama. Existe, sim – mas o bom é que neste verão a regra é embaralhar tudo.

 
 
 
 
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