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Moda
Divórcio
no biquíni
Calcinha
de uma estampa, sutiã de outra:
é o visual do verão da descoordenação

Roberta Salomone
Fotos Pedro Rubens
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| Lista
aqui, bolinha lá, camuflagem em cima, babadinho embaixo: a ordem
é misturar |
Desde
que Ipanema é Ipanema que as meninas mais descoladas usam
biquíni com a calcinha diferente do sutiã. Para conseguir
isso, no entanto, tinham de, figurativamente, rebolar: ou eram freguesas
tão cativas que as lojas concordavam em desfazer um par só
para lhes agradar, ou tinham de desembolsar o preço de dois
modelos para obter a combinação desejada, ou combinavam
com o velho, descartando metade de um biquíni novinho. Pois
neste verão o que era diferente vai virar regra a
descombinação é justamente a novidade mais
evidente das grandes marcas de moda praia. Sem mudanças significativas
nas modelagens e tecidos, os principais fabricantes estão
se concentrando no chamado visual descoordenado, que é "descoordenado"
em termos: calcinha e sutiã já saem diferentes de
fábrica, formando, sim, conjuntinhos, que só raramente
podem ser mexidos e misturados ao gosto da freguesa. Mesmo assim,
o objetivo principal desse esboço de customização,
que é dar aparência de exclusividade e improviso chique,
acaba sendo alcançado.
Na
coleção de verão da Rygy, que produz 600.000
peças por ano, mais de 30% são conjuntos de calcinhas
e sutiãs com estampas mais ou menos desiguais (o xadrezinho
da calcinha se repete na tira do top vermelho). Alguns conjuntos
são feitos de tecidos com a mesma estampa, mas diferente
centralização do desenho, o que dá a impressão
de desigualdade. Exportadora para mais de vinte países, a
Salinas segue a mesma linha, promovendo inclusive misturas aparentemente
estapafúrdias, como camuflado com babadinho rosa. "Fica um
visual divertido, que tem tudo a ver com o verão", diz a
dona da marca, Jacqueline de Biase. "É uma organização
desorganizada", brinca Amir Slama, da Rosa Chá, que desenhou
vinte biquínis do gênero para a coleção
nova. Quem preferir tentar sua própria combinação
de calcinha e sutiã tem opções limitadas nas
lojas, que só permitem a venda descasada de modelos específicos.
Outra saída é recriar as peças do ano passado.
"Todo mundo pode dar um toque pessoal e especial aos biquínis,
desde que haja alguma ligação entre as estampas ou
as cores escolhidas", diz Jacqueline muito embora às
vezes seja difícil enxergar a tal ligação nos
modelos expostos nas vitrines, que custam entre 60 e 170 reais.
Para
reforçar o toque pessoal, bordados, miçangas e penduricalhos
de todos os tipos passaram também a incorporar o figurino
da praia. São pedrinhas coloridas, canutilhos, pingentes
e guizos que dão ar gracioso às peças e podem
ser combinados de acordo com a escolha de cada uma. Na Rygy, os
pendentes de acrílico que acompanham alguns biquínis
são vendidos separadamente, por 3 reais. Em formato de coqueiro
e palmeira, podem ser usados também como chaveiros. De resto,
vale tudo, desde a imbatível dobradinha calcinha de lacinho
e sutiã cortininha até a conjuminância muito
atual de calcinha de oncinha com sutiã de florzinha. "Não
existe rigidez na moda ou na praia", afirma Slama. Existe, sim
mas o bom é que neste verão a regra é embaralhar
tudo.
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