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Justiça
O
canibal alemão
Eles
se conheceram pela internet, e
a vítima aceitou ser morta e devorada
Reuters
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AFP
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| Juergen,
a vítima (à esq.), e Meiwes (à dir.):
30 quilos de carne no congelador e ossos enterrados no jardim
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Crimes
que envolvem canibalismo sempre são chocantes. Este caso
é especial não apenas pelos detalhes sórdidos,
narrados sem pudor pelo canibal, mas principalmente porque a vítima
consentiu com a atrocidade. Na semana passada, durante o início
de seu julgamento na Alemanha, o técnico de computação
Armin Meiwes, de 42 anos, descreveu minuciosamente como devorou
o engenheiro Bernd Juergen, de 43 anos. O crime aconteceu em março
de 2001, poucas semanas depois de os dois se conhecerem via internet.
Meiwes contou ao júri que participava de grupos de discussão
on-line e todos eles eram formados por, digamos, simpatizantes do
canibalismo. "Existem centenas de pessoas que participam desses
fóruns com o objetivo de comer outros humanos ou de ser devorados",
disse ele. Meiwes colocou um anúncio em um desses grupos
com os dizeres: "Venha para mim e eu comerei sua deliciosa carne".
Em menos de um ano, o técnico recebeu 430 mensagens de interessados
em conhecê-lo. Um deles era Juergen. "Eu achei que ele levava
as coisas mais a sério que os outros", contou Meiwes.
Os
dois começaram a se comunicar por e-mail, trocaram fotos
e marcaram um encontro. O engenheiro, que morava em Berlim, foi
de trem até Rotenburg, cidade de Meiwes, para conhecê-lo
pessoalmente. "Fui buscá-lo na estação e lá
mesmo combinamos o que iríamos fazer quando chegássemos
em casa", disse. Meiwes e Juergen fizeram sexo e, depois, o engenheiro
tomou dez analgésicos. "Ele me pediu que cortasse seu pênis
para comermos juntos, mas me fez prometer que eu só o mataria
quando ele estivesse inconsciente", contou. O técnico arrancou
o pênis do engenheiro com uma faca de cozinha, cortou ao meio
e fritou em óleo. Depois, serviu com vinho. Não comeram
tudo porque a carne ficou rígida, intragável. Nesse
momento, Juergen desmaiou. Foi então que o canibal decidiu
esquartejá-lo.
Meiwes
pegou uma filmadora para registrar o que aconteceria, colocou um
avental e arrastou Juergen até a cozinha. "Dei um beijo nele
e comecei a rezar", disse. A seguir, pendurou-o pela cabeça
em um gancho na parede e abriu seu peito com uma faca. Primeiro,
tirou os órgãos internos. Separou 30 quilos de carne
e colocou no congelador. O resto cabeça, ossos e vísceras
foi enterrado no quintal. O crime só foi descoberto
em dezembro de 2002, porque Meiwes colocou outro anúncio
semelhante na internet, em busca de uma nova vítima. No tribunal,
o réu contou que tinha fixação pelo canibalismo
desde a infância. Aos 12 anos de idade, imaginava-se comendo
os colegas de escola de quem mais gostava. Na adolescência,
criou um "irmão imaginário" e sonhava devorá-lo.
"No fim, consegui realizar minha fantasia", disse ele.
O
caso de Meiwes é único. Muitos crimes de canibalismo
são bem conhecidos um dos mais célebres é
o do homossexual americano Jeffrey Dahmer, que devorou dezessete
de seus parceiros , mas não há notícias
de vítimas que tenham consentido com tamanha barbaridade.
Segundo a defesa de Meiwes, o engenheiro devorado deixou um testamento
admitindo ter se submetido voluntariamente ao ritual macabro. Se
o tribunal aceitar o argumento, talvez o crime possa ser considerado
apenas um tipo de eutanásia ilegal, que prevê no máximo
cinco anos de cadeia. Meiwes não tem antecedentes criminais
e nos exames psiquiátricos não foi constatado nenhum
problema grave. O veredicto deve sair em fevereiro.
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