Edição 1832 . 10 de dezembro de 2003

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Perfil
Garoto-propaganda

Como o playboy Ricardinho Mansur passou
a faturar alto graças a sua imagem


Daniela Pinheiro


Carol Quintanilha
Mansur: o sujeito é um azougue


Faça um teste: folheie uma revista de celebridades ou passe os olhos pela coluna social dos maiores jornais do país. A chance de você deparar com uma foto do jogador de pólo Ricardinho Mansur é altíssima. Ele está sempre ali. Em amassos invejáveis com a namorada, a atriz Luana Piovani, chegando a festas badaladas, fazendo compras, dirigindo seu carrão e até em teatrinho infantil com a sobrinha. Há que revelar duas coisas. 1) Não é coincidência. 2) É apenas o começo. Os planos de Ricardinho Mansur na mídia brasileira são muito mais ambiciosos. Ninguém duvida do pendor dos playboys e socialites pelos holofotes. Mas, nesse caso, é diferente. Ricardinho Mansur pretende fazer de suas aparições um negócio. Ele quer ganhar dinheiro (e já está ganhando) com sua imagem de rico, sofisticado, conquistador (põe conquistador nisso), esportista e, claro, homem bonito. Para vender desde cartão de crédito gold (sim, porque as marcas têm de ser as usadas por grã-finos, como ele) até relógios exclusivos. E mais: se der o ar da graça em um evento, vai exigir, sim, ser remunerado. É um caso raro de abonado que admite querer faturar em cima de sua estampa e estilo de vida. "Ele vai vender tudo o que for coisa chique", conta seu empresário e sócio, Aluísio Ribeiro. "Dizer chique é meio gay. É tudo o que for cool, vintage", explica melhor Ricardinho, sem travas politicamente corretas na língua.


Fotos Weber Padua/divulgação; Renato Chaui; Bob Paulino; Ricardo Correa e divulgação
As namoradas de Mansur: Carolina Magalhães, Isabela Fiorentino, a atual, Luana Piovani, Carolina Bittencourt e a diva Gisele Bündchen

A idéia de explorar a imagem tem duas razões, segundo ele. Primeira, conseguir patrocínio para montar uma equipe de pólo eqüestre, esporte em que é considerado um dos três melhores profissionais da América Latina. Se for convidado para jogar com a própria equipe mundo afora, Ricardinho pode fazer fortuna. "Um jogador top chega a ganhar até 1 milhão de dólares por ano", conta. Outro motivo é inchar o cofrinho mesmo. "Pela primeira vez, estou vivendo por meus méritos. Aos 29 anos, vivo com o que ganho", afirma ele, que mora com a mãe numa mansão nos Jardins, em São Paulo, e só diz gastar dinheiro com "roupas, restaurantes e viagens". Quanto? Ele garante que não faz as contas. Até agora, pingaram contratos interessantes e inusitados. O primeiro foi o do champanhe Mumm, que lhe ofereceu 500.000 reais por ano. "Era um nome elegante, mas ninguém conhecia. Depois que ele agregou sua imagem à marca, um monte de gente famosa se interessou", exagera seu empresário. Outro, também polpudo, foi com a Pfizer logo depois de ele ter declarado, numa entrevista, já ter tomado Viagra. "O contrato é para eu contar minha experiência com o remédio, sempre que possível, a quem quiser ouvir", diz. Outras negociações em curso incluem até a fabricante de seu carro. Como já foi fotografado com namoradas famosas no banco do passageiro, ele propôs propagandear a marca em troca de um modelo novo (o atual é 1999, blindado). "Também estamos quase fechando uma participação fixa para ele falar de pólo no programa do Otávio Mesquita", conta Aluísio Ribeiro.

Nos últimos quatro meses, pelo menos vinte marcas receberam um "portfólio" de Ricardinho – empresas de cartão de crédito, bebidas alcoólicas, montadoras, bancos e grifes. Nele, lê-se que o pólo é visto por "consumidores de alto padrão, não raro donos de empresas, banqueiros e executivos de multinacionais" e que "subsidiar o atleta é uma oportunidade única num esporte glamourizado e seletivo". Por isso, anunciar na camisa do uniforme de Ricardinho seria imperdível. Pela proposta, ele se compromete a aparecer em eventos, dar entrevistas coletivas e usar camisetas com a marca do patrocinador. Mas tê-lo como garoto-propaganda não é para qualquer um. Recentemente, recusou um desfile por falta de cachê e deixou de ir a duas festas pela mesma razão. "Não vou fazer propaganda de graça", diz. Na fase empreendedora, ele até mesmo mudou de apelido. Ricardinho Mansur (chamado assim sempre) passou a ser Rico Mansur. Uma das razões foi desvinculá-lo de vez da imagem do pai, seu homônimo, o empresário Ricardo Mansur, acusado de falência fraudulenta do Mappin e da Mesbla. "Pai a gente não escolhe. Não tenho nada a ver com os rolos dele. Eu ignorava o que acontecia nas empresas. Mas muita gente me cobra isso", afirma. Apesar de pelo menos metade da fortuna ter sido perdida, estima-se que o patrimônio dos Mansur ainda seja de 200 milhões de dólares.

Com dinheiro e bonitão, Ricardinho (ops, Rico) é um sujeito cobiçado. Muito bem no papel de casanova (que é ótimo para sua imagem), ele namorou beldades como Carolina Magalhães, neta de ACM, as modelos Isabela Fiorentino e Carolina Bittencourt e até a diva Gisele Bündchen ("Ela é para casar", segundo suas palavras). Aonde quer que vá é assediado. E assedia: "Nunca levei fora de mulher". Mas avisa: "Sei reconhecer as interesseiras de longe. São aquelas que querem assumir namoro em público ou passar férias em lugar caro". Ricardinho passa boa parte de seu tempo treinando pólo. No resto se divide entre idas à boate Disco (da qual é sócio), ao escritório da empresa que cuida de sua imagem (da qual também tem sociedade) e à dolce vita. "Eu não vou mentir que tenho problemas, que tenho questões e angústias. Não tenho. Já tive com a história de meu pai. Não tenho mais. É pecado?", diz.

 
 
 
 
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