Edição 1832 . 10 de dezembro de 2003

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Turismo
Até que enfim

Surgem idéias para enfrentar os gargalos
na atração de estrangeiros para o Brasil


Adriana Negreiros

Ed Viggiani
Diamantina: pioneira de um novo projeto turístico
DOS ARQUIVOS DE VEJA
Tem de gostar muito do Brasil (22/10/2003)
Os estrageiros sumiram (16/4/2003)
Um Brasil sem nuvens negras por cima (21/8/2002)
Lazer é trabalho (29/3/2002)


O Brasil sediará, de 2004 a 2006, as três primeiras edições do Fórum Mundial de Turismo, promovido pela Organização Mundial do Turismo e pela Unesco. O evento trará mais 200 000 turistas a Salvador, cidade que receberá a primeira edição do evento, mas o país pode ganhar bem mais. O fórum permitirá, finalmente, uma discussão séria sobre como amenizar a corrida de obstáculos que enfrentam os estrangeiros que se aventuram pelo território nacional. No ano passado, o país recebeu 1,2 milhão de turistas a menos do que no anterior, encerrando a temporada com 3,8 milhões de visitantes. Exemplos para melhorar esse cenário não faltam (veja o quadro). O fórum cria a oportunidade de aprender com a experiência de outros países.

O Fórum Mundial de Turismo para a Paz e o Desenvolvimento Sustentável discutirá metas de desenvolvimento em regiões em que a atividade colabore na redução da pobreza. Como nos fóruns Social e Econômico, espera-se afluência de organizações não-governamentais – só que, desta vez, com todo mundo do mesmo lado da mesa. No ano passado, mais de 700 milhões de viajantes cruzaram fronteiras, num movimento que fez circular meio trilhão de dólares. O turismo representa 10% do produto interno bruto global e colabora até para a redução de conflitos, já que país em guerra perde os dólares dos visitantes. O Brasil ocupa a 35ª posição no ranking do turismo mundial e tem 6% de seus trabalhadores ocupados em atividades relacionadas ao setor. Esse número pode crescer.

Já há iniciativas em andamento. Pelo projeto Movimento Brasil de Turismo e Cultura 24 cidades trocarão experiências. Salvador e Diamantina, cidade histórica no coração de Minas Gerais, são os primeiros municípios a desenvolver as chamadas temporadas culturais, que levarão em conta a vocação natural de cada região. Conhecida como capital da seresta, Diamantina, por exemplo, sediará temporadas de canto. Paralelamente, a organização Instituto de Hospitalidade desenvolve um programa de certificação para qualificar profissionais e estabelecimentos. Isso é parte de um programa para criar 1,2 milhão de empregos até 2007, aumentar para 9 milhões por ano o número de visitantes estrangeiros e gerar 8 bilhões de dólares em divisas. "Os turistas ganham uma referência confiável dos serviços", explica Sergio Foguel, presidente do instituto.

 

Fotos Everton Ballardin/Valdemir Cunha
 
 
 
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