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Crime
O
xerife francês
Um
filho de imigrantes húngaros é o
ministro mais popular da França com
a política de tolerância zero contra o crime

Antônio
Ribeiro, de Paris
A nova
estrela da cena política francesa é um xerife. O filme
começa em 1975 durante a convenção do maior
partido de direita do país. Junto à escada que conduz
ao palanque, o presidente da França, Jacques Chirac, na época
primeiro-ministro, determinava o tempo dos discursos de seus correligionários.
Um mocinho de 20 anos aproximou-se e parou diante do cacique político.
Chirac espetou-lhe o peito com o dedo indicador: "Você é
Nicolas Sarkozy? Suba, tem só cinco minutos para falar".
O pequeno Nicolas, filho de imigrantes húngaros, desobedeceu,
falou vinte minutos. Arrebatou a platéia. Hoje, o rapaz de
barba rala é homem feito, político popular e todo-poderoso.
Sarkozy ocupa o Ministério do Interior, que na França
equivale à cadeira de "tira número 1" da polícia.
Em recente aparição na televisão, o ministro
admitiu a mais de 6 milhões de telespectadores que, ao barbear-se,
"vê no espelho a imagem do próximo presidente da República".
Metade
dos franceses, mostram as pesquisas, acredita que Sarkozy é
mesmo o político mais capaz de mudar a França depois
das eleições presidenciais de 2007. O desempenho de
Sarkozy como ministro do Interior recebeu aprovação
de 64% da população. E o que ele fez? Em dezoito meses,
a exemplo de Rudolph Giuliani, ex-prefeito de Nova York, dedicou
ao crime tolerância zero. Baixou de forma drástica
os índices de delinqüência juvenil e, com vigilância
eletrônica, fez despencar o número de acidentes mortais
nas estradas. Numa ação que os detratores de Sarkozy
percebem como estratégia deliberada para demolir a iniciativa
do líder de extrema direita Jean-Marie Le Pen, o ministro
tem sido feroz no combate à imigração ilegal,
a ponto de relançar os vôos que deportam os imigrantes
clandestinos para seu país de origem. A popularidade de Sarkozy
explodiu com a captura do foragido mais procurado da França,
um independentista da Córsega acusado de metralhar o chefe
da polícia. O impacto foi equivalente à prisão
do traficante carioca Fernando Beira-Mar. Sarkozy ainda está
na ofensiva. Guarda na gaveta um projeto de lei que dobra a pena
máxima para os criminosos reincidentes.
Sarkozy
enfrentou com realismo a questão das mulheres islâmicas
que queriam usar véu na escola contrariando a tradição
laica da educação na França. "Registramos 1.256
casos de meninas muçulmanas com véu. Vinte desses
casos foram difíceis de resolver, mas, no final, quatro foram
expulsas." A diversidade étnica, racial e religiosa está
mudando a face da França. Sarkozy é vigoroso defensor
da "discriminação positiva", para facilitar que as
minorias étnicas dos subúrbios pobres se integrem
na sociedade, e até prometeu nomear um chefe de polícia
muçulmano. As críticas não demoraram. "O critério
deve ser a competência, pertencer a uma religião não
merece discriminação positiva ou negativa", disse
a VEJA Alain Juppé, ex-primeiro-ministro. Sarkozy não
se intimida e bate à esquerda, à direita, abaixo e
acima. "Quando se sabe que os dias estão contados, tem-se
pressa em realizar, mas quando o mandato é ilimitado o desejo
é só ficar", afirmou, numa crítica direta a
seu chefe, Jacques Chirac, que se arma para disputar o terceiro
mandato presidencial consecutivo.
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