Edição 1832 . 10 de dezembro de 2003

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STF
A chácara e a
conspiração

Presidente do STF diz que
é perseguido pelo governo


Roberto Castro/AE
O presidente do STF, Maurício Corrêa: ligação ao ministro da Justiça para selar um armistício


Na segunda-feira passada, o presidente da República, ministros, deputados, senadores e representantes das principais cortes judiciárias do país participaram da abertura da Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, em Brasília. Chamou a atenção a ausência do presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Maurício Corrêa, cuja assessoria informou ao Palácio do Planalto que mandaria apenas um representante. O ministro estava magoado com as notícias sobre as irregularidades encontradas por fiscais da Delegacia Regional do Trabalho em sua chácara nos arredores de Brasília, onde havia empregados trabalhando sem carteira assinada, um menor tratando de cavalos e um pedaço de terra pública invadida.

Em um telefonema ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, o presidente do STF se disse vítima de perseguição do PT e informou que não tinha condições de medir forças com o Executivo. Bastos explicou que o governo não tinha nada a ver com a fiscalização, mas que, ainda assim, tudo seria apurado. Como as denúncias causaram constrangimento até entre os colegas do Supremo, Maurício Corrêa começou, na tarde da sexta-feira passada, a regularizar a situação de seus empregados na Delegacia do Trabalho. Mas não retirou um único mourão da cerca que invadiu 3 hectares de terras públicas. A única coisa que mudou foi a pastagem da área invadida, que, com as chuvas, teve um salto de crescimento – onde as cinqüenta cabeças de gado do ministro podem agora pastar com serenidade.

 
 
 
 
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