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Televisão
Remendo de luxo
A novela Começar de Novo
passa por ajustes com o
objetivo de alavancar o ibope

Ricardo Valladares
O autor Antônio Calmon gosta
de fazer analogias com o corte e costura ao falar de novelas. "Como
um costureiro, o noveleiro modela seu texto ao gosto do freguês",
diz ele. A atual novela das 7 da Rede Globo, de sua autoria, bem
que precisa de uns ajustes. Começar de Novo não
faz tanto sucesso quanto deveria atinge 35 pontos no Ibope,
contra mais de 40 de sua antecessora, Da Cor do Pecado. Tudo
por causa de um rasgo em sua trama que acabou requerendo
um remendo de luxo. O rasgo é o desempenho abaixo da expectativa
de uma das protagonistas, a atriz Giselle Itié. Na sinopse
original, o quarentão Andrei (Marcos Paulo) se apaixonaria
por Julia, personagem de Giselle, disputada também por seu
filho, Pedro (Vladimir Brichta). Como a atuação da
moça se revelou morna, o triângulo amoroso não
decolou. "Giselle é ótima para cenas de praia, mas
não funciona num romance denso", diz Calmon, respaldado por
uma pesquisa recente com espectadores. "Houve preconceito por se
tratar do amor de um homem mais velho por uma jovem", afirma Giselle,
que tem 23 anos, nasceu no México e às vezes atua
como se a novela fosse de seu país natal. Nas próximas
semanas, Giselle será transferida para outro núcleo
e, para cumprir a antiga função de sua personagem,
entrará em cena o tal "remendo de luxo": a atriz Carolina
Ferraz. Em matéria de beleza, comparar a ex e a futura protagonista
é páreo duro. Mas a direção da novela
aposta na experiência e no carisma de Carolina para aumentar
a voltagem romântica (veja
quadro). Ela interpretará Gigi, uma mulher
forte que fisgará o coração dos galãs
do folhetim.
Começar de Novo entrou
no ar em agosto com a missão de substituir o maior sucesso
em seu horário em dez anos. Enquanto Da Cor do Pecado
tinha como atrativo a presença maciça de mulherões
no elenco, a atual investiu no sex-appeal de um galã de meia-idade
o veterano Marcos Paulo, que também dirige a atração.
A tática deu certo. Ele faz sucesso, principalmente com as
mulheres mais velhas. "Sua presença representa a volta de
um amor do passado", diz Calmon. O principal nó da trama
foi a falta de uma protagonista capaz de interagir com ele. Mas
apontar Giselle como a única culpada pela audiência
claudicante seria uma injustiça. Tanto assim que o folhetim
vai passar por mais um ajuste. Para torná-lo mais palatável
aos jovens, será criado um núcleo de surfistas. Afinal,
perto da novelinha Malhação, exibida mais cedo
e que trata com sucesso de temas como o aborto e as drogas, os tipos
juvenis de Começar de Novo são mesmo estereotipados.
Será preciso um remendo e tanto para levantar o moral deles.
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