Edição 1879 . 10 de novembro de 2004

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Remendo de luxo

A novela Começar de Novo
passa por ajustes com o
objetivo de alavancar o ibope


Ricardo Valladares

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O autor Antônio Calmon gosta de fazer analogias com o corte e costura ao falar de novelas. "Como um costureiro, o noveleiro modela seu texto ao gosto do freguês", diz ele. A atual novela das 7 da Rede Globo, de sua autoria, bem que precisa de uns ajustes. Começar de Novo não faz tanto sucesso quanto deveria – atinge 35 pontos no Ibope, contra mais de 40 de sua antecessora, Da Cor do Pecado. Tudo por causa de um rasgo em sua trama – que acabou requerendo um remendo de luxo. O rasgo é o desempenho abaixo da expectativa de uma das protagonistas, a atriz Giselle Itié. Na sinopse original, o quarentão Andrei (Marcos Paulo) se apaixonaria por Julia, personagem de Giselle, disputada também por seu filho, Pedro (Vladimir Brichta). Como a atuação da moça se revelou morna, o triângulo amoroso não decolou. "Giselle é ótima para cenas de praia, mas não funciona num romance denso", diz Calmon, respaldado por uma pesquisa recente com espectadores. "Houve preconceito por se tratar do amor de um homem mais velho por uma jovem", afirma Giselle, que tem 23 anos, nasceu no México e às vezes atua como se a novela fosse de seu país natal. Nas próximas semanas, Giselle será transferida para outro núcleo e, para cumprir a antiga função de sua personagem, entrará em cena o tal "remendo de luxo": a atriz Carolina Ferraz. Em matéria de beleza, comparar a ex e a futura protagonista é páreo duro. Mas a direção da novela aposta na experiência e no carisma de Carolina para aumentar a voltagem romântica (veja quadro). Ela interpretará Gigi, uma mulher forte que fisgará o coração dos galãs do folhetim.

Começar de Novo entrou no ar em agosto com a missão de substituir o maior sucesso em seu horário em dez anos. Enquanto Da Cor do Pecado tinha como atrativo a presença maciça de mulherões no elenco, a atual investiu no sex-appeal de um galã de meia-idade – o veterano Marcos Paulo, que também dirige a atração. A tática deu certo. Ele faz sucesso, principalmente com as mulheres mais velhas. "Sua presença representa a volta de um amor do passado", diz Calmon. O principal nó da trama foi a falta de uma protagonista capaz de interagir com ele. Mas apontar Giselle como a única culpada pela audiência claudicante seria uma injustiça. Tanto assim que o folhetim vai passar por mais um ajuste. Para torná-lo mais palatável aos jovens, será criado um núcleo de surfistas. Afinal, perto da novelinha Malhação, exibida mais cedo e que trata com sucesso de temas como o aborto e as drogas, os tipos juvenis de Começar de Novo são mesmo estereotipados. Será preciso um remendo e tanto para levantar o moral deles.


ubens
Pedro Rubens

 
 
 
 
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