Edição 1879 . 10 de novembro de 2004

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Conjuntura
Hora de construir

Anuário Exame de Infra-Estrutura mostra
os nós que atrasam o crescimento do Brasil

 
Antonio Ribeiro
Viaduto inacabado: a retomada das obras exige parceria entre Estado e empresas

A palavra infra-estrutura passou a fazer parte do vocabulário da política e dos negócios no Brasil. Empresários e governo não se cansam de repetir que o país precisa melhorar os portos e expandir a geração de energia para crescer sem solavancos por um longo período. No entanto, num ambiente de escassez de recursos e profusão de gargalos, faltam informações de qualidade que orientem os investidores privados e o poder público para separar os projetos prioritários daqueles que podem ficar para mais tarde. Chegou às bancas na quinta-feira da semana passada o Anuário Exame de Infra-Estrutura 2004-2005, publicação que aumenta a dose de racionalidade desse debate. Com 340 páginas, o anuário da revista Exame, que assim como VEJA é editado pelo Grupo Abril, discute os problemas dos cinco setores estratégicos que garantem desde a energia usada na produção de um bem até a distribuição desse bem pelas estradas e portos do país.

A publicação teve a colaboração de mais de trinta especialistas em infra-estrutura, que ajudaram a selecionar 403 obras públicas prioritárias entre mais de 2.000 projetos relevantes nos setores de energia, petróleo e gás, saneamento básico, telefonia e transporte. Também foi calculado o custo para a conclusão das obras selecionadas em 184 bilhões de reais. A segurança técnica, a abrangência e a seriedade do trabalho fazem desse número a cifra mais confiável do real déficit da infra-estrutura no Brasil. O anuário, que pesa mais de meio quilo, faz a comparação entre os déficits de infra-estrutura de todos os Estados. Conclui que, apesar de as regiões Norte e Centro-Oeste terem registrado as maiores taxas de crescimento econômico nos últimos anos, a infra-estrutura é incapaz de acompanhar o aumento da produção. O levantamento revela ainda o valor e detalhes técnicos dos vinte projetos prioritários mais caros do país. Encabeça a lista o programa de usinas eólicas em vários Estados para a geração de eletricidade. Não foi ignorada a relevância de projetos polêmicos como a usina nuclear Angra 3, cuja construção custará 5,2 bilhões de reais, e a transposição do Rio São Francisco, estimada em 4,5 bilhões de reais. Foram destacadas ainda obras como a recuperação da perigosíssima BR-101, a reforma no Porto de Santos e a construção de mais de setenta usinas para ampliar a oferta de energia em 39 000 megawatts – mais de um terço de nossa atual capacidade de geração.

 
Ricardo Stuckert
Civita, Lula e Oinegue: o primeiro exemplar

O anuário traz também análises de especialistas sobre o papel do governo na regulação clara e eficaz dos setores de infra-estrutura, a necessidade do compromisso com os contratos e a importância de uma Justiça rápida e despolitizada. "O objetivo da publicação é dar ao Brasil uma base de dados confiável sobre o que é preciso fazer em infra-estrutura e quanto isso vai custar", diz Eduardo Oinegue, diretor da revista Exame e idealizador da publicação. Na quarta-feira da semana passada, Roberto Civita, presidente do Grupo Abril, entregou os primeiros exemplares do Anuário Exame ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aos ministros José Dirceu, da Casa Civil, Antonio Palocci, da Fazenda, Luiz Fernando Furlan, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e Luiz Gushiken, da Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica. Diz Civita: "O desafio agora é aprovar rapidamente as leis que permitam atrair recursos para que os projetos de infra-estrutura saiam do papel".

 
 
 
 
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