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Conjuntura Hora
de construir Anuário
Exame de Infra-Estrutura
mostra os nós que atrasam o crescimento
do Brasil Antonio
Ribeiro
 | | Viaduto
inacabado: a retomada das obras exige parceria entre Estado e empresas |
A
palavra infra-estrutura passou a fazer parte do vocabulário da política
e dos negócios no Brasil. Empresários e governo não se cansam
de repetir que o país precisa melhorar os portos e expandir a geração
de energia para crescer sem solavancos por um longo período. No entanto,
num ambiente de escassez de recursos e profusão de gargalos, faltam informações
de qualidade que orientem os investidores privados e o poder público para
separar os projetos prioritários daqueles que podem ficar para mais tarde.
Chegou às bancas na quinta-feira da semana passada o Anuário
Exame de Infra-Estrutura 2004-2005, publicação que aumenta a
dose de racionalidade desse debate. Com 340 páginas, o anuário da
revista Exame, que assim como VEJA é editado pelo Grupo Abril, discute
os problemas dos cinco setores estratégicos que garantem desde a energia
usada na produção de um bem até a distribuição
desse bem pelas estradas e portos do país.
A publicação teve a colaboração de mais de trinta
especialistas em infra-estrutura, que ajudaram a selecionar 403 obras públicas
prioritárias entre mais de 2.000 projetos relevantes nos setores de energia,
petróleo e gás, saneamento básico, telefonia e transporte.
Também foi calculado o custo para a conclusão das obras selecionadas
em 184 bilhões de reais. A segurança técnica, a abrangência
e a seriedade do trabalho fazem desse número a cifra mais confiável
do real déficit da infra-estrutura no Brasil. O anuário, que pesa
mais de meio quilo, faz a comparação entre os déficits de
infra-estrutura de todos os Estados. Conclui que, apesar de as regiões
Norte e Centro-Oeste terem registrado as maiores taxas de crescimento econômico
nos últimos anos, a infra-estrutura é incapaz de acompanhar o aumento
da produção. O levantamento revela ainda o valor e detalhes técnicos
dos vinte projetos prioritários mais caros do país. Encabeça
a lista o programa de usinas eólicas em vários Estados para a geração
de eletricidade. Não foi ignorada a relevância de projetos polêmicos
como a usina nuclear Angra 3, cuja construção custará 5,2
bilhões de reais, e a transposição do Rio São Francisco,
estimada em 4,5 bilhões de reais. Foram destacadas ainda obras como a recuperação
da perigosíssima BR-101, a reforma no Porto de Santos e a construção
de mais de setenta usinas para ampliar a oferta de energia em 39 000 megawatts
mais de um terço de nossa atual capacidade de geração.
Ricardo
Stuckert
 | | Civita,
Lula e Oinegue: o primeiro exemplar |
O anuário traz também análises de especialistas sobre o papel
do governo na regulação clara e eficaz dos setores de infra-estrutura,
a necessidade do compromisso com os contratos e a importância de uma Justiça
rápida e despolitizada. "O objetivo da publicação é
dar ao Brasil uma base de dados confiável sobre o que é preciso
fazer em infra-estrutura e quanto isso vai custar", diz Eduardo Oinegue, diretor
da revista Exame e idealizador da publicação. Na quarta-feira
da semana passada, Roberto Civita, presidente do Grupo Abril, entregou os primeiros
exemplares do Anuário Exame ao presidente Luiz Inácio Lula
da Silva e aos ministros José Dirceu, da Casa Civil, Antonio Palocci, da
Fazenda, Luiz Fernando Furlan, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior, e Luiz Gushiken, da Secretaria de Comunicação de Governo
e Gestão Estratégica. Diz Civita: "O desafio agora é aprovar
rapidamente as leis que permitam atrair recursos para que os projetos de infra-estrutura
saiam do papel". |