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Estados
Unidos Lavados e escovados Esmagados
por Bush, democratas
querem redescobrir como atrair os eleitores AP
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FINAL INFELIZ Kerry
ao lado da mulher, Teresa, após admitir a derrota: falava demais |
O
Partido Democrata tem um currículo impressionante. Perdeu cinco das últimas
sete eleições para presidente dos Estados Unidos e, na semana passada,
consolidou sua posição como minoria no Congresso americano. Nem
o líder democrata no Senado conseguiu se reeleger, o que não ocorria
havia meio século. Como é de praxe após um massacre eleitoral,
o partido entrou num período de reflexão profunda, atormentado por
uma questão vital para sua sobrevivência: por que os americanos não
votam em seus candidatos? Foram 3,5 milhões de votos de vantagem para George
W. Bush, a maior diferença de votos numa eleição presidencial.
Uma explicação, que está na mesa dos caciques democratas,
é a constatação do óbvio: o partido não consegue
produzir um candidato à altura do populismo imperturbável de George
W. Bush. O último democrata a encantar as multidões foi Bill Clinton,
presidente por dois mandatos.
Dentro de quatro anos pode ser a vez da senadora Hillary Clinton, mulher de Bill.
Mas é cedo para dizer. O senador John Edwards, vice na chapa de Kerry,
é outro bom nome para 2008. É jovem, sulista e dono de um discurso
populista. John Kerry, o candidato derrotado na semana passada, é carta
descartada.
Reuters
 | MUITO
BARULHO PARA NADA Democratas acompanham apuração
em Boston: derrota incontestável |
Há
uma onda conservadora e religiosa nos Estados Unidos, e isso prejudica os democratas,
liberais em assuntos sociais. Os democratas são identificados com a elite
intelectual de Nova York e Boston. Os moradores dos Estados que votaram em massa
nos republicanos acham esses lugares cosmopolitas demais para ser considerados
verdadeiramente americanos. A sofisticação intelectual não
ajuda muito eleitoralmente neste momento. Uma característica do presidente
Bush que o põe à frente dos adversários é a simplicidade.
Ele é um homem simples em tudo o que diz e faz. Faz o mesmo discurso em
todas as oportunidades. Suas frases são curtas e claras. "O governo precisa
fazer coisas, e fazê-las bem-feito", diz com convicção, como
se isso significasse alguma coisa. Seu capital político pode ser resumido
em três grandes idéias: corte de impostos, terrorismo e Iraque. Os
americanos gostam dessa abordagem, que lhes dá a impressão de que
o presidente sabe como lidar com o terrorismo.
Onde Bush tem uma idéia, Kerry tinha dúzias. Não havia como
empolgar o eleitorado do interior, que votou em massa na reeleição.
Até os desempregados de Ohio, que deveriam responsabilizar o governo por
seu infortúnio, apoiaram Bush. "Em vez de um referendo sobre seu governo,
Bush levou os eleitores a julgar a capacidade de Kerry de liderar o país
em tempo de guerra e se deu bem", disse a cientista política Kathryn Dunn
Tenpas, do Instituto Brookings, de Washington. Pesou na derrota o esforço
republicano para arregimentar novos eleitores, usando como isca referendos locais
envolvendo temas morais ou religiosos. O plebiscito sobre casamento gay atraiu
às urnas de onze Estados um público conservador que normalmente
não se interessa por eleições. Em pelo menos três Estados
Ohio, Michigan e Oregon , eles decidiram a disputa em favor dos republicanos.
Os democratas não conseguiram mobilizar na mesma proporção
seu público cativo, como os jovens. "O elevado índice de comparecimento
às urnas do eleitorado conservador e religioso foi decisivo para a reeleição
de Bush e a vitória republicana no Congresso", disse a VEJA o cientista
político Barry Burden, da Universidade Harvard. O eleitorado continua dividido
em partes praticamente iguais mas os democratas ainda precisam descobrir
como converter essa paridade em deputados, senadores e governadores e, em 2008,
num presidente. |