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Viagem Splash
no deserto Se alguém convidá-lo
para ir a um parque aquático em Dubai, leve a proposta a sério
 Juliana
Linhares
Divulgação
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Wadi Park: o maior tobogã fora dos Estados Unidos e dias exclusivos para as muçulmanas
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O parque aquático
de maior sucesso no mundo fica localizado num deserto. É o Wild Wadi Park
de Dubai, nos Emirados Árabes. Tanto o parque como a cidade dependem, para
abastecer-se, de um caríssimo processo de dessalinização
da água do mar. Para se ter uma idéia, estima-se que sejam gastos
20 000 dólares por dia apenas para renovar a água das piscinas do
Wild Wadi. O custo alto não é um problema para os Al Maktoom, clã
que governa Dubai e é dono do parque. Além de eles nadarem em petrodólares,
o Wild Wadi dá um retorno financeiro selvagem. Inaugurado em 1999, seu
faturamento cresce 25% ao ano, contra uma taxa de 3% dos similares americanos
e europeus. Em cinco anos, os Al Maktoom praticamente recuperaram o investimento
de 100 milhões de dólares.
A decoração do Wild Wadi foi inspirada na história do marujo
Simbad, que consta do clássico árabe As Mil e Uma Noites. No
total, o parque, construído ao lado do Hotel Burj Al Arab, de arquitetura
arrojadíssima e considerado o mais luxuoso do mundo, conta com 22 brinquedos,
o maior tobogã fora dos Estados Unidos e um hotel próprio, o Jumeirah
Beach, cujo prédio tem a forma de uma onda. Mais de 80% do seu público
é composto de turistas ocidentais. Nas quintas-feiras do verão,
ele abre apenas para as muçulmanas. Nesses dias, todos os funcionários
são do sexo feminino, o que permite que as visitantes possam tirar o véu
e cair nas piscinas de roupa, é claro. Até alguns meses atrás,
também havia um dia reservado aos homens muçulmanos, mas o parque
evidentemente ficava às moscas. Não havia oportunidade para aquela
visão animadora do clash de civilizações: mulheres ocidentais
de biquíni. Os Emirados Árabes
são o quarto maior produtor de petróleo do planeta, mas as reservas
de Dubai, que faz parte dessa federação peculiar, não são
tão abundantes quanto as de seus vizinhos. Os Al Maktoom apostam que, quando
acabar o petróleo, seu emirado sobreviverá ao choque por meio do
turismo. Luxo, exotismo na medida certa e proximidade com a Europa são
seus trunfos. Até o momento, o caminho mostra-se acertadíssimo.
Os investimentos em turismo começaram há doze anos. De lá
para cá, o número de turistas em Dubai cresceu 700%. Hoje, a cidade,
com menos de 1 milhão de habitantes, recebe 4,7 milhões de visitantes
por ano. O Brasil, apenas 4 milhões. |