Edição 1879 . 10 de novembro de 2004

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Viagem
Splash no deserto

Se alguém convidá-lo para ir a um parque
aquático em Dubai, leve a proposta a sério


Juliana Linhares

Divulgação
Wild Wadi Park: o maior tobogã fora dos Estados Unidos e dias exclusivos para as muçulmanas


O parque aquático de maior sucesso no mundo fica localizado num deserto. É o Wild Wadi Park de Dubai, nos Emirados Árabes. Tanto o parque como a cidade dependem, para abastecer-se, de um caríssimo processo de dessalinização da água do mar. Para se ter uma idéia, estima-se que sejam gastos 20 000 dólares por dia apenas para renovar a água das piscinas do Wild Wadi. O custo alto não é um problema para os Al Maktoom, clã que governa Dubai e é dono do parque. Além de eles nadarem em petrodólares, o Wild Wadi dá um retorno financeiro selvagem. Inaugurado em 1999, seu faturamento cresce 25% ao ano, contra uma taxa de 3% dos similares americanos e europeus. Em cinco anos, os Al Maktoom praticamente recuperaram o investimento de 100 milhões de dólares.

A decoração do Wild Wadi foi inspirada na história do marujo Simbad, que consta do clássico árabe As Mil e Uma Noites. No total, o parque, construído ao lado do Hotel Burj Al Arab, de arquitetura arrojadíssima e considerado o mais luxuoso do mundo, conta com 22 brinquedos, o maior tobogã fora dos Estados Unidos e um hotel próprio, o Jumeirah Beach, cujo prédio tem a forma de uma onda. Mais de 80% do seu público é composto de turistas ocidentais. Nas quintas-feiras do verão, ele abre apenas para as muçulmanas. Nesses dias, todos os funcionários são do sexo feminino, o que permite que as visitantes possam tirar o véu e cair nas piscinas – de roupa, é claro. Até alguns meses atrás, também havia um dia reservado aos homens muçulmanos, mas o parque evidentemente ficava às moscas. Não havia oportunidade para aquela visão animadora do clash de civilizações: mulheres ocidentais de biquíni.

Os Emirados Árabes são o quarto maior produtor de petróleo do planeta, mas as reservas de Dubai, que faz parte dessa federação peculiar, não são tão abundantes quanto as de seus vizinhos. Os Al Maktoom apostam que, quando acabar o petróleo, seu emirado sobreviverá ao choque por meio do turismo. Luxo, exotismo na medida certa e proximidade com a Europa são seus trunfos. Até o momento, o caminho mostra-se acertadíssimo. Os investimentos em turismo começaram há doze anos. De lá para cá, o número de turistas em Dubai cresceu 700%. Hoje, a cidade, com menos de 1 milhão de habitantes, recebe 4,7 milhões de visitantes por ano. O Brasil, apenas 4 milhões.

 
 
 
 
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