Edição 1879 . 10 de novembro de 2004

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Polícia
O maníaco de Córdoba

Polícia argentina caça um dos maiores
estupradores do mundo. Ele pode ter
violentado mais de 100 mulheres


Juliana Linhares


Fotos Daniel Xaceres/Clarin
Passeata em Córdoba: estudantes exigem que policiais sejam investigados


Há dois anos a polícia de Córdoba, a segunda maior cidade da Argentina, tenta encontrar um dos maiores estupradores do mundo. Exames de DNA feitos pela polícia provam que ele é responsável por 32 ataques. Mas essa lista poderá ser acrescida de mais 82 estupros, que ainda estão sob investigação. Como a maioria dos criminosos em série, o maníaco de Córdoba segue o mesmo padrão em seus ataques. Seleciona as vítimas na vizinhança do campus universitário da cidade, entre mulheres de 17 a 26 anos. A maior parte delas é loira. Ele as aborda com um revólver, leva-as até um local isolado, revista-as e, em seguida, comete o estupro. As vítimas afirmam que a revista parece com a que a polícia faz em busca de armas ou drogas. Dizem também que o criminoso usa expressões próprias de policiais. Pressionado pela população, o governador da província de Córdoba, José Manuel de la Sota, determinou que todos os 9.500 policiais da região façam exames de DNA.

 
Táxis exibem retrato falado do estuprador: recompensa de 16 000 dólares

A caça ao "violador serial", como o criminoso ficou conhecido, começou em setembro, quando uma das vítimas enviou para milhares de internautas um e-mail com o relato da violência da qual foi vítima. Sob o pseudônimo "Ana", uma estudante de 20 anos disse que resolveu tornar a sua história pública porque a polícia a tratou com descaso. O medo causado pelos estupros fez com que os estoques de gás paralisante se esgotassem e gerou uma onda de protestos. Desde outubro, os estudantes de Córdoba exigem em passeatas a prisão do criminoso. Para acelerar as buscas, o governo da província ofereceu 16.000 dólares a quem der informações sobre o criminoso e ameaça processar os policiais que se recusarem a fazer o exame de DNA determinado por De la Sota. Como a polícia argentina patina num lamaçal de corrupção, a população desconfia do êxito dessas medidas. Procurado por VEJA, o governador de Córdoba se recusa a falar sobre o assunto. De la Sota diz apenas que "está otimista e que vai pegar o bandido". A psiquiatra americana Helen Morrison, uma das maiores especialistas em crimes seriais, acredita que é pouco provável que o criminoso seja um policial. "Parece um homem com um fetiche específico: ele quer ser um policial", diz ela. O caso do maníaco de Córdoba e os seqüestros em Buenos Aires mostram que os argentinos já não podem enxergar seu país como uma ilha de tranqüilidade em meio a um continente assombrado pelo crime.

 
 
 
 
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