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Polícia O
maníaco de Córdoba
Polícia argentina caça um dos maiores estupradores do mundo.
Ele pode ter violentado mais de 100 mulheres  Juliana
Linhares
Fotos
Daniel Xaceres/Clarin
 | | Passeata
em Córdoba: estudantes exigem que policiais sejam investigados |
Há dois anos a polícia de Córdoba,
a segunda maior cidade da Argentina, tenta encontrar um dos maiores estupradores
do mundo. Exames de DNA feitos pela polícia provam que ele é responsável
por 32 ataques. Mas essa lista poderá ser acrescida de mais 82 estupros,
que ainda estão sob investigação. Como a maioria dos criminosos
em série, o maníaco de Córdoba segue o mesmo padrão
em seus ataques. Seleciona as vítimas na vizinhança do campus universitário
da cidade, entre mulheres de 17 a 26 anos. A maior parte delas é loira.
Ele as aborda com um revólver, leva-as até um local isolado, revista-as
e, em seguida, comete o estupro. As vítimas afirmam que a revista parece
com a que a polícia faz em busca de armas ou drogas. Dizem também
que o criminoso usa expressões próprias de policiais. Pressionado
pela população, o governador da província de Córdoba,
José Manuel de la Sota, determinou que todos os 9.500
policiais da região façam exames de DNA.  | | Táxis
exibem retrato falado do estuprador: recompensa de 16 000 dólares |
A
caça ao "violador serial", como o criminoso ficou conhecido, começou
em setembro, quando uma das vítimas enviou para milhares de internautas
um e-mail com o relato da violência da qual foi vítima. Sob o pseudônimo
"Ana", uma estudante de 20 anos disse que resolveu tornar a sua história
pública porque a polícia a tratou com descaso. O medo causado pelos
estupros fez com que os estoques de gás paralisante se esgotassem e gerou
uma onda de protestos. Desde outubro, os estudantes de Córdoba exigem em
passeatas a prisão do criminoso. Para acelerar as buscas, o governo da
província ofereceu 16.000 dólares a quem
der informações sobre o criminoso e ameaça processar os policiais
que se recusarem a fazer o exame de DNA determinado por De la Sota. Como a polícia
argentina patina num lamaçal de corrupção, a população
desconfia do êxito dessas medidas. Procurado por VEJA, o governador de Córdoba
se recusa a falar sobre o assunto. De la Sota diz apenas que "está otimista
e que vai pegar o bandido". A psiquiatra americana Helen Morrison, uma das maiores
especialistas em crimes seriais, acredita que é pouco provável que
o criminoso seja um policial. "Parece um homem com um fetiche específico:
ele quer ser um policial", diz ela. O caso do maníaco de Córdoba
e os seqüestros em Buenos Aires mostram que os argentinos já não
podem enxergar seu país como uma ilha de tranqüilidade em meio a um
continente assombrado pelo crime. |