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Eleições
A solidão do senador
Criticado por
colegas de
legenda, nos
bastidores e publicamente, Suplicy
amarga o isolamento no PT

Thaís Oyama
Ana Araujo
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| O senador Eduardo Suplicy, do PT: as bases
o adoram, a cúpula o odeia |
O senador Eduardo Suplicy é
hoje, no PT, aquela figura que se convencionou chamar de "desmancha-rodinhas":
é ele chegar que a turma se dispersa. Desde 2002, quando
desafiando Lula e os caciques do partido insistiu
(ignominioso pecado) na realização de prévias
para a escolha do candidato da legenda à Presidência
da República, o senador caiu em desgraça junto à
cúpula petista e passou a ser alvo do seu desprezo velado.
Na semana passada, as críticas de bastidores se transformaram
em hostilidade explícita. O grupo da prefeita de São
Paulo, Marta Suplicy, por meio de um obscuro secretário da
administração municipal, atacou publicamente o senador
e atribuiu a ele parte da culpa pela derrota da campanha paulistana.
À parte um afago do presidente Lula, as críticas dirigidas
a Suplicy foram recebidas com um estrondoso silêncio pelo
comando do PT. Cercado por 6,7 milhões de votos, o senador
é hoje uma ilha dentro do partido.
Sergio Lima/Folha Imagem
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| O ministro Dirceu, que quer a "caça
aos infiéis": inimigo do senador "para o resto
da vida" |
Até o momento, as conseqüências
desse isolamento limitam-se ao campo pessoal. Suplicy acostumou-se,
por exemplo, a ouvir piadinhas de companheiros de sigla sempre que
dá início a um de seus longos discursos no Senado
e a ser recebido com frieza por petistas poderosos em eventos
aos quais comparece. Foi assim no último debate entre os
candidatos à prefeitura de São Paulo, organizado pela
Rede Globo às vésperas do segundo turno das eleições
municipais. À chegada do senador, os três ministros
do governo federal então presentes à platéia
limitaram-se a cumprimentá-lo com um aceno de cabeça
ou um rápido aperto de mão. O chefe da Casa Civil,
José Dirceu, ao avistá-lo, chegou a dizer, em tom
irônico, para todo mundo ouvir: "Vamos combater os infiéis!"
Dirceu autonomeou-se "inimigo para sempre" do senador desde que
ele tomou a defesa da colega Heloísa Helena, expulsa do PT
por desobedecer a uma orientação da bancada do partido.
Dirceu chegou a afirmar a mais de um interlocutor que faria "de
tudo para Suplicy não sair mais para o Senado". A possibilidade
de a ameaça do ministro se concretizar é a primeira
conseqüência do isolamento do senador no plano político.
O PT pretende realizar, pela primeira vez em sua história,
eleições prévias para definir o nome que irá
disputar uma vaga ao Senado em 2006. O procedimento, perfeitamente
legítimo e democrático, tem, nesse caso, dois outros
objetivos que não o de oferecer aos filiados a chance de
escolher quem irá representar a sigla nas urnas. O primeiro
é fazer com que Suplicy pague na mesma moeda o que a nomenklatura
petista considera ter sido um "atrevimento" de sua parte: questionar
a autoridade de Lula ao insistir em disputar com ele a vaga de candidato
à Presidência da República. O segundo seria
oferecer uma alternativa para o futuro político de Marta,
derrotada nas eleições pelo tucano José Serra.
A prefeita já afirmou
que não está interessada em assumir um ministério
no governo entende que o posto lhe oferece mais ônus
do que bônus. A presidência do PT, outra alternativa
cogitada, a fortaleceria internamente, mas não seria a melhor
opção para o partido: Marta não tem perfil
para o cargo, que exige alguém mais flexível e conciliador.
A terceira opção, disputar o governo do Estado em
2006, esbarra em sua derrota para a prefeitura e na firme disposição
do senador Aloizio Mercadante de ficar com a vaga. A candidatura
ao Senado, portanto, surge para a prefeita como uma opção
atraente. Para ter chances de conquistá-la, no entanto, Marta
precisaria "desconstruir" Suplicy que, se não é
exatamente popular entre os manda-chuvas do PT, é amado pelas
bases do partido, de cujo voto depende o resultado das prévias.
Enfraquecer o senador foi exatamente o que tentou fazer o obscuro
secretário da prefeita com as críticas veiculadas
na semana passada pelo jornal Folha de S. Paulo. Tanto aliados
como adversários de Marta afirmam que partiu dela a idéia
de usar o seu secretário, um áulico típico,
para desferir os ataques a Suplicy. Eles funcionaram também
como uma vingança pessoal da prefeita, que ficou furiosa
com a entrevista dada a VEJA pela jornalista Mônica Dallari,
namorada do senador. Na entrevista, publicada no mês passado,
Mônica dizia, entre outras coisas, que a campanha de Marta
havia tomado um rumo equivocado ao se aliar ao ex-prefeito Paulo
Maluf (PP) e adotar uma postura agressiva em relação
a Serra. Diante da reação negativa do partido às
declarações, Suplicy saiu em defesa da namorada e
disse concordar com ela. Desde então a prefeita não
fala mais com o ex-marido.
Suplicy é um dos fundadores
do PT e teve atuações históricas no partido:
foi co-autor do pedido de formação da CPI que levou
ao impeachment do ex-presidente Fernando Collor e autor do requerimento
que originou a CPI do Orçamento responsável
pela primeira limpeza maciça do Legislativo. Por essas e
outras, o partido deve-lhe gratidão e, sobretudo,
respeito. Marta também. Se a prefeita consolidou sua carreira
política com base nos próprios méritos, alavancou-a
à custa do marido senador. O fato de ter mantido seu sobrenome,
mesmo depois de se casar com o fanco-argentino Luis Favre, é
prova da força da figura pública de Suplicy. O casal
se separou em 2001. As divergências expostas agora consolidam
também o seu divórcio político. Além
de uma eventual disputa pela candidatura ao Senado, outro enfrentamento
se avista. Suplicy ainda acalenta o sonho de lançar-se à
Presidência da República em 2010. "Se eu estiver com
boa saúde, e espero estar, tenho consciência de que,
ao lado de tantos outros excelentes valores do partido, posso ser
um candidato à Presidência pelo PT", disse. É
o mesmo sonho de Marta.
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Por que ele irrita
Algumas das iniciativas do senador
que desagradaram a caciques do PT
Defendeu a CPI
do Lixo
Em 2001, o PSDB pediu a abertura de uma CPI para
investigar denúncias de irregularidades na contratação
de empresas de lixo por parte da prefeitura petista
em São Paulo. Suplicy se declarou favorável
à iniciativa.
Disputou a candidatura
à Presidência
O senador insistiu na idéia de que o PT
deveria realizar prévias para definir quem seria
seu candidato à Presidência da República
em 2002: ele ou Lula. Obteve 16% dos votos, contra 84%
de Lula.
Testemunhou a
favor da senadora Heloísa Helena
Em 2003, a senadora foi expulsa do PT por ter votado
contra a reforma da Previdência. No processo que
antecedeu a expulsão, Suplicy depôs em
seu favor. A iniciativa enfureceu, particularmente,
o ministro José Dirceu.
Quis que Dirceu
falasse sobre Waldomiro no Congresso
Dias depois do estouro do caso Waldomiro, no início
do ano, Suplicy disse que, em nome da transparência,
o ministro José Dirceu deveria ir ao Congresso
"dar explicações sobre as denúncias
de corrupção que envolvem seu ex-assessor".
Apoiou Luizianne
quando o PT a rejeitava
Nas últimas eleições, quando
o PT ainda apoiava o candidato à prefeitura de
Fortaleza Inácio Arruda, do PC do B, Suplicy
gravou mensagens de apoio à petista Luizianne.
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