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Brasil Pouco
sal, muitos votos Ganha
força uma safra de políticos com imagem de honestidade, jeito
de síndico e nenhum carisma. Bom para o país  Cynara
Menezes e Monica Weinberg
Os
resultados das últimas eleições municipais revelam uma nova
safra de políticos que começa a emergir com força no Brasil:
a dos "picolés de chuchu", apelido cunhado pelo colunista José Simão,
do jornal Folha de S.Paulo, para se referir ao expoente dessa tribo, o
governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, do PSDB. Os "picolés de
chuchu" têm, entre outras, as seguintes características: cultivam
um perfil discreto, são politicamente moderados e transmitem a imagem de
bom administrador com biografia intocável. Dos dez prefeitos eleitos nas
principais capitais do país na última campanha eleitoral, quatro
encaixam-se nesse perfil (José Fogaça, em Porto Alegre; Serafim
Corrêa, em Manaus; Fernando Pimentel, em Belo Horizonte; João Coser,
em Vitória), contra apenas um (Célio de Castro, em Belo Horizonte)
da campanha anterior. A discrição dessa nova safra de políticos
é um contraponto ao personalismo dos líderes de velhas correntes,
que sempre se sobrepôs a partidos e projetos políticos. Personalismo
que também está na base dos populismos de esquerda e de direita,
e que pode ter entrado em fase de extinção no Brasil. O ex-prefeito
de São Paulo Paulo Maluf teve a menor votação de sua carreira
nessas eleições. O senador Antonio Carlos Magalhães, que
emplacava políticos carlistas havia oito anos na prefeitura de Salvador
e catorze no governo da Bahia, não conseguiu eleger seu candidato neste
ano. E o senador José Sarney, em São Luís, e o ex-governador
Anthony Garotinho, em Campos, sua base eleitoral, também se viram derrotados.
Geraldo Alckmin, em compensação,
no papel de principal cabo eleitoral do prefeito eleito de São Paulo, José
Serra, sai robustecido do balanço das urnas e fortalecido em suas
pretensões de ser o candidato tucano à Presidência da República
em 2006. Alckmin é conhecido pelo seu temperamento sereno e pouco afeito
a contendas barulhentas o que o ajudou a manter, até agora, uma
relação de paz tanto com os petistas da prefeitura de São
Paulo como com os do governo federal. Com 51% de aprovação, segundo
a última pesquisa de avaliação de governos feita pelo Datafolha,
Alckmin diz que não se importa de ser considerado um político pouco
carismático. "Não sou de fazer show para eleitor e, se me acham
insosso, levo no bom humor", diz. O estilo consagrado
pelo governador paulista tem uma de suas versões mais bem-acabadas no gaúcho
José Fogaça, do PPS. Eleito prefeito de Porto Alegre depois de um
reinado de dezesseis anos do PT, Fogaça pertenceu ao "MDB histórico"
e, como deputado federal, foi um dos líderes da campanha diretas já,
em 1984. Embora seja compositor de canções gravadas pela dupla Kleiton
e Kledir e pela argentina Mercedes Sosa, seu temperamento é nada artístico
(o que, em política, é sinônimo de histrionismo). Na campanha,
exasperou assessores ao se recusar a revidar com vigor os duros golpes desferidos
pelo adversário petista Raul Pont, que chegou a compará-lo ao ex-presidente
Fernando Collor. Seu jeito de ser agradou. "O eleitor mostrou que valoriza candidatos
afáveis, bem-educados e cordiais", diz o filósofo Denis Rosenfield,
professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Clarice
Castro/Ag. O Globo
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"ANTICHUCHU" O prefeito eleito do Rio, Cesar Maia:
talento para chamar atenção e falta de concorrência |
Uma
pesquisa do Instituto Vox Populi, realizada a pedido de VEJA no início
da campanha municipal, já apontava para uma tendência forte no eleitorado
de confiar seu voto a candidatos de perfil menos agressivo e personalista. Perguntados
sobre que características deveria ter o "prefeito ideal", os entrevistados
listaram, entre as principais, a honestidade, a competência e a credibilidade.
O item "ser bom líder", por exemplo, foi escolhido por apenas 1% dos pesquisados.
"Ao menos no que se refere às eleições municipais, os eleitores
buscam mais um síndico dos problemas da cidade do que um popstar da política",
analisa o cientista político Rubens Figueiredo. A socióloga Fátima
Pacheco Jordão concorda: "Os eleitores acham que os políticos que
falam demais fazem menos. Um perfil mais discreto transmite a idéia de
alguém que, em vez de falar, trabalha".
A
ascensão de políticos que se projetam por suas realizações
e apelo ético, e não pelo aspecto performático, é
positiva para o Brasil. Sinaliza um eleitor mais amadurecido, que privilegia a
racionalidade em detrimento do espetáculo. E, cabe dizer também,
que parece cada vez menos propenso a influenciar-se por artifícios publicitários.
Não por coincidência, esse foi um pleito ruim para dois dos maiores
gurus da propaganda política: Duda Mendonça e Nizan Guanaes. O primeiro
perdeu quatro das seis campanhas em que trabalhou e o segundo viu seu candidato,
o petista Jorge Bittar, amargar um desonroso quinto lugar nas eleições
cariocas. Bittar, está certo, perdeu para um mestre em performances, o
prefeito Cesar Maia. A reeleição de Maia, no entanto, deve-se mais
à falta de concorrência do que a seus próprios méritos.
Nas praias cariocas, anda em falta e já faz tempo um bom
e insosso picolé de chuchu. |