|
|
Eleições Cai
um curinga Empresário
no Amapá fazia de tudo num esquema
que fraudou dezessete obras  Malu
Gaspar
Fotos
Dida Sampaio/AE
 | | O
empresário Pinheiro Corrêa, ao ser preso pela Polícia Federal: talento para jogar
nas onze posições |
A
Polícia Federal fez duas operações de vulto na semana passada.
Em São Paulo, numa batida no escritório da mulher de Law Kin Chong,
o maior contrabandista do país já preso, os agentes federais acharam
2 milhões de reais em esmeraldas. O escritório fica no Shopping
25 de Março, em pleno centro de São Paulo. Em outra operação,
a Polícia Federal desbaratou uma quadrilha que fraudou as licitações
de dezessete obras públicas, todas no Estado do Amapá. Entre os
suspeitos, 25 dos quais estavam presos na sexta-feira passada, há peixes
graúdos. Por exemplo, o prefeito de Macapá, João Henrique
Pimentel, do PT, e o prefeito de Santana, Rosemiro Freires, do PL. Macapá
e Santana são as duas maiores cidades do Amapá e concentram 76%
da população do Estado. Há, ainda, suspeita em torno da participação
de quatro deputados federais amapaenses o que equivale à metade
da bancada do Amapá. Também aparecem no rol de suspeitos um ex-senador,
o pedetista Sebastião Rocha, e um suplente de senador, o tucano Fernando
de Souza Flexa Ribeiro, escalado para assumir o mandato em janeiro próximo,
já que o titular, Duciomar Costa, acaba de ser eleito prefeito de Belém.
 | | O
ex-senador Sebastião Rocha, ao ser preso: um dos peixes graúdos |
Enquanto
a quadrilha de Law Kin Chong tem causado espanto pela sua dimensão, no
caso do Amapá o que chama atenção é o notável
papel desempenhado por uma pessoa o empresário Luiz Eduardo Pinheiro
Corrêa. Nas escutas telefônicas feitas pela PF com autorização
judicial, às quais VEJA teve acesso, constata-se que Pinheiro Corrêa
é como um jogador de futebol capaz de funcionar talentosamente nas onze
posições. Dono da construtora Método Norte, que abocanhou
dezesseis das dezessete obras sob suspeita, Pinheiro Corrêa fazia de tudo.
Ele articulava com os deputados federais a apresentação de emendas
ao Orçamento da União destinando dinheiro às obras que ele
próprio planejava junto com os prefeitos. Em seguida, com empresários
amigos e funcionários das prefeituras, concebia o edital de licitação.
Em Brasília, tinha esquemas eficientes para liberar os recursos, como o
pagamento de propinas, mesmo quando as prefeituras, endividadas com a União,
estavam proibidas de receber verbas federais.
Por fim, Pinheiro Corrêa, junto com prefeitos e empresários, definia
como o dinheiro seria usado, se nas obras ou fora delas. Numa conversa telefônica,
Pinheiro Corrêa, que é sócio de uma revendedora de carros,
deixa o prefeito João Henrique Pimentel levar um automóvel de 27.000
reais sem pagar nem entrada dinheiro que o empresário diz que retiraria
de uma obra pública qualquer sob seu comando. Somados os orçamentos
das dezessete obras fraudadas, chega-se a 103 milhões de reais volume
correspondente a 10% de todo o orçamento do Estado do Amapá ,
mas a Polícia Federal não sabe dizer quanto exatamente dessa quantia
foi parar nas mãos dos fraudadores. |