Edição 1879 . 10 de novembro de 2004

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Carta ao leitor
Voto no futuro

Valéria Gonçalvez/AE
Eleições à moda brasileira: limpas, confiáveis e rápidas

Embora este sentimento possa parecer um pouco fora do tempo, nós, brasileiros, podemos com razão ter orgulho da democracia que construímos. Em sua vertente tecnológica, o sistema eleitoral brasileiro, totalmente digitalizado, aproxima-se do ideal inatingível da perfeição. Em sua prática política, as campanhas e as votações do pleito municipal, cujo segundo turno foi concluído impecavelmente na semana passada, são apenas o testemunho mais recente da maturidade democrática atingida pelo país.

O processo de edificação de uma sociedade aberta no Brasil está seguindo seu rumo. Como se viu, seu pilar ético, a democracia, vai muito bem. Sua outra viga de sustentação, a economia de mercado tocada com transparência e sem entraves paralisantes, ainda carece de mais atenção de todos – cidadãos, empresas e governos de todos os níveis. O Brasil precisa avançar em ritmo mais veloz no aperfeiçoamento dos quesitos que funcionam como atratores do investimento privado nacional e estrangeiro. Em obras de infra-estrutura – vitais para a modernização, agilização e diminuição de custos da economia –, o Brasil, computados os gastos de governo e iniciativa privada, investiu apenas 0,5% do PIB. Para mudar radicalmente esse panorama é preciso multiplicar por dez esse valor. Isso só será possível com parcerias mais eficientes entre o Estado e as empresas.

Como se sabe, o dinheiro só virá se o Brasil, além de eleições irretocáveis, acenar também com a busca legítima e obcecada de maior transparência e previsibilidade das regras do jogo econômico. O investimento direto aparecerá no volume necessário para suprir a rala poupança nacional quando seus donos se convencerem de que estão aplicando recursos em uma sociedade em que as regras do jogo são estáveis, o crime organizado e a corrupção estão sendo combatidos sem trégua, a propriedade é respeitada e a Justiça funciona. Preenchidos esses requisitos, uma nação democrática como a que a sociedade brasileira construiu rumará naturalmente para o curso que já conduziu outros povos à estabilidade econômica e a elevados padrões de qualidade de vida.

 
 
 
 
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