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Auto-retrato Jane
Birkin
Claudio
Rossi
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A
atriz e cantora inglesa Jane Birkin foi um símbolo sexual dos anos 70.
Protagonizou uma célebre cena de nu frontal no filme Blow Up, de
Michelangelo Antonioni, e causou escândalo com seus gemidos na canção
Je T'Aime Moi Non Plus, gravada com o ídolo do pop francês
Serge Gainsbourg, então seu marido. Aos 58 anos, ela acaba de lançar
o disco Rendez-Vous e o filme Obrigada Doutora Rey. Em viagem ao
país na semana passada, falou com o repórter Sérgio Martins.
COMO A SENHORA VIVEU SEU PERÍODO DE SÍMBOLO
SEXUAL NOS ANOS 70? Serge Gainsbourg, meu marido na época, era muito
ciumento e bebia demais. Sempre havia o perigo de uma reação
violenta quando eu recebia um elogio que passasse dos limites da boa educação.
A verdade é que pouquíssimos homens chegavam perto de mim.
A SENHORA TAMBÉM SENTIA CIÚME
DELE? Sim, éramos descontrolados. Bebíamos além da
conta e tínhamos o péssimo costume de exagerar em nossas brigas.
No final de nossa relação, eu cheguei a me atirar no Rio Sena, em
Paris, porque achava que Serge não me dava atenção suficiente.
Só esqueci que era uma péssima nadadora. Depois disso, nosso casamento
naufragou de vez. O DUETO DE JE T'AIME
MOI NON PLUS SIMULA UMA RELAÇÃO SEXUAL. COMO FOI A GRAVAÇÃO
DA MÚSICA? Sinto desapontá-lo. Ao contrário do que
muitos poderiam imaginar, eu e Serge ficamos vestidos durante a gravação.
Estávamos no estúdio e fazia muito frio. Mas compreendo que a música
estimule a imaginação das pessoas. Uma vez, peguei um táxi
em Londres e o motorista disse que seus três filhos foram gerados ao som
dela. A SENHORA AINDA BEBE? Bebo,
mas não nas quantidades assustadoras dos anos 70. Como a carreira de cantora
é importante para mim, procuro cuidar da saúde. Deixei de fumar
e evito cair na balada. É DIFÍCIL
ENVELHECER? Sim, é duro. Sei que nunca mais terei o vigor e a beleza
que tanto encantaram os homens na década de 70. Mas sabe o que é
mais difícil para mim? Envelhecer sem ter alguém ao meu lado. Quando
estamos amando, nem percebemos o tempo passar. Atualmente, minhas companhias são
meus amigos e meu cachorro. A SENHORA FICOU
CHOCADA QUANDO GAINSBOURG GRAVOU UMA ODE AO INCESTO EM DUETO COM CHARLOTTE, SUA
FILHA COM ELE? Serge foi um transgressor, mas também uma das pessoas
mais moralistas que já conheci. Ele se recusava a tirar a roupa na frente
da família porque achava o corpo humano feio. O dueto dele com Charlotte
foi só uma brincadeira, não tinha nada de perversão sexual.
NO BRASIL, A SENHORA VISITOU ENTIDADES
ASSISTENCIAIS. COMO É SEU ENVOLVIMENTO COM PROJETOS SOCIAIS? Sou
uma brigona de primeira. Uma de minhas discussões com Serge aconteceu porque
eu saí pelas ruas de Paris numa passeata pró-aborto. Quando ele
veio ralhar comigo, eu retruquei: "Se você tivesse idéia das mulheres
que precisaram abortar filhos seus e nunca o incomodaram com processos de paternidade,
talvez mudasse de opinião". Estou proibida de cantar na Rússia por
causa de minhas convicções políticas. Sou a favor da independência
da Chechênia e denunciei as barbaridades do governo russo em relação
ao povo daquele país. A SENHORA
FICOU CONHECIDA COMO ATRIZ GRAÇAS AO FILME BLOW UP, DO ITALIANO
ANTONIONI. QUAL O PRAZER DE TRABALHAR NO CINEMA? Se a carreira musical
empaca, vou para o cinema. Se não encontro a felicidade no cinema, vou
para o teatro. Assim nunca fico parada. No meu novo filme interpreto uma mulher
que recorre à análise ao se apaixonar por um homossexual. Pode parecer
estranho, mas já me apaixonei por gays. Mas confesso que nunca fiz análise.
Meus filhos é que tiveram de encarar o terapeuta para me entender. |