Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 721 - 10 de outubro de 2001
VEJA Recomenda

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Sumário
Brasil
Geral
Especial
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Luiz Felipe de Alencastro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Hipertexto exclusivo on-line
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Literatura brasileira
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Digite uma ou mais palavras:

Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Reportagens de capa 2000 | 2001
Entrevistas
2000 | 2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

TELEVISÃO

O Monstro da Lagoa...: clássico trash

A Ficção de Jack Arnold (segunda a sexta, às 22h, no Telecine Classic) – Morto em 1992, aos 75 anos, o americano Jack Arnold passou à história como um diretor do segundo time em Hollywood. Mas alguns dos filmes que ele realizou nos anos 50 tornaram-se clássicos da cultura trash – aquela que reverencia tudo o que, de tão ruim, é divertido. Quanto mais o tempo passa, mais curioso é assistir a eles. Arnold foi uma espécie de bisavô das fitas de terror e ficção científica – a todo momento, seus truques são copiados. O melhor de sua produção no período está nesse ciclo. O Monstro da Lagoa Negra (segunda) é a história de um terrível ser metade humano, metade anfíbio. Detalhe: é ambientado na Amazônia brasileira. Outros destaques são Tarântula (quarta), cujo título dispensa comentários, e O Incrível Homem que Encolheu (sexta), que tem uma mensagem, humm..., "existencialista".

 

DISCOS

Is This It, The Strokes (BMG) – Antes mesmo de ter repertório suficiente para seu primeiro CD, a banda nova-iorquina The Strokes já era vista pela crítica como a "salvação do rock". É o tipo de badalação que volta e meia assola a música pop, mas quase sempre acaba se revelando puro marketing. A desconfiança, nesse caso, foi reforçada pelo fato de que o vocalista, Julian, é filho do influente John Casablancas, da agência Elite. Como era de esperar, o Strokes não representa nenhuma revolução. Mas há que se fazer justiça: o som do quinteto realmente é bom. Seus hits, como The Modern Age e Last Nite, seduzem com melodias simples e uma potente levada de baixo e bateria. Em todo o disco, percebem-se influências de bandas dos anos 60 e 70, principalmente Ramones e The Stooges (do roqueiro Iggy Pop). É retrô, mas bem-feito.

Field Commander Cohen: Tour of 1979, Leonard Cohen (Sony Music) – Assim como Bob Dylan, o canadense Leonard Cohen iniciou sua carreira na época dos hippies, bebeu na fonte da música folk e vem sendo celebrado como um dos grandes letristas do rock. Mas as semelhanças entre ambos se encerram por aí. Com seu vozeirão grave e sombrio, o cantor e compositor, hoje com 67 anos, sempre fez mais sucesso entre os críticos e os colegas artistas que com o grande público. Registro de uma turnê realizada em 1979, na Inglaterra, esse disco ao vivo é um ótimo cartão de visitas e também um presentaço para os fãs – já que, inexplicavelmente, poucos álbuns dele foram lançados no país até hoje. Acompanhado por uma banda que inclui de guitarra elétrica a violino, Cohen derrama versos românticos carregados de melancolia, em baladas como The Gypsy's Wife e Why Don't You Try.

 

LIVROS

Um Assassinato, um Mistério e um Casamento, de Mark Twain (tradução de Ana Maria Machado; Objetiva; 104 páginas; 16,90 reais) – Essa novela de Mark Twain (1835-1910), autor dos celebrados romances Tom Sawyer e Huckleberry Finn, permaneceu inédita durante nada menos que 125 anos. Como isso é possível? A história é curiosa. Em 1876, Twain criou o esqueleto da trama e propôs a vários colegas – entre os quais, o escritor Henry James – que cada um escrevesse sua versão. Só ele cumpriu o desafio. Elaborou seu texto em dois dias, mas não conseguiu publicá-lo. A novela passou por várias mãos até ser recuperada. É uma grata descoberta. Ambientada num lugarejo rural do Missouri, narra os esforços de um fazendeiro para casar sua filha com um jovem rico – um plano frustrado por intrigas.

Medo e Submissão, de Amélie Nothomb (tradução de Clóvis Marques; Record; 142 páginas; 20 reais) – Talento da nova geração de escritores em língua francesa, Amélie Nothomb é filha de um diplomata belga, mas nasceu e viveu parte da juventude no Japão. Nesse período, passou pela via-crúcis narrada nesse seu terceiro livro: a temporada de um ano como estagiária de uma grande empresa em Tóquio. É de arrepiar. Cheia de expectativa no primeiro dia de trabalho, ela logo percebe que a dupla fatalidade de ser mulher e ocidental só lhe reservará humilhações – quando vê, está limpando latrinas. Mas não se trata, em absoluto, de leitura deprê. A autora desnuda o choque de culturas com inteligência e vale-se da melhor arma: o humor.

 

INFANTIL

Coleção Disquinho (Continental) – Nos anos 60 e 70, os álbuns de vinil colorido da série Disquinho faziam sucesso entre a garotada. Cada um deles trazia uma história infantil clássica, interpretada por atores competentes e embalada por músicas muito engraçadinhas. Agora, pela primeira vez, 25 títulos da coleção estão sendo relançados em formato de CD-single, com curta duração e preço na faixa de 9 reais cada um. Entre os títulos resgatados estão A Moura Torta, A Bela e a Fera, Chapeuzinho Vermelho, Estória da Baratinha e uma coletânea de seis fábulas de Esopo. Embora as capas da série fossem simplórias, o conteúdo ficava sob a responsabilidade de feras. O maestro Radamés Gnatalli foi o criador da maioria dos arranjos orquestrais, enquanto as adaptações de versos e melodias couberam a João de Barro, o Braguinha. Atenção, pais e marmanjos saudosistas: os outros 25 títulos da coleção devem sair em CD até o fim do ano.


LITERATURA BRASILEIRA

O Pão do Corvo;
Nuno Ramos;
Editora 34;
85 páginas;
15 reais

Até agora, o paulistano Nuno Ramos podia ser visto como um artista plástico dotado de habilidade especial para lidar com palavras. Ele havia lançado um livro em 1993, Cujo, no qual demonstrava ter ouvido afiado, talento para articular idéias e criar imagens. Na comparação, talvez deixasse envergonhado muito escritor profissional. Misto de diário e coleção de aforismos, o texto permanecia, no entanto, bastante colado ao trabalho de Ramos no ateliê. Várias páginas eram elucubrações de um escultor às voltas com vidro, areia, asfalto ou breu. Dificilmente o leitor se esquecia de estar diante de um artista cuja maior vocação era expor suas obras na galeria, e não na estante.

Com o lançamento de seu segundo livro, O Pão do Corvo, Nuno Ramos finca os dois pés na literatura. Pode-se notar, é certo, uma continuidade em relação a Cujo. Há trechos de prosa poética em que o autor se debruça com lupa sobre a matéria, analisando sua textura e sua composição, procurando dar à linguagem uma qualidade tátil. A diferença está na dose bem maior de narratividade. Nos dezessete textos curtos do novo livro, Ramos procurou fugir da "experiência pessoal" e deu maior espaço à imaginação. Há brevíssimas fábulas, como Cinza, que fala de um povo misterioso que aguarda a aniquilação pelo fogo. Em outros casos, como Ele Canta, seres fantásticos são descritos. Filosofices sobre arte e a linguagem ainda têm lugar, como em Cujo, mas seu contexto é ficcional. Um vago sabor da literatura de Franz Kafka e Jorge Luis Borges atravessa as páginas.

É difícil situar Ramos entre os autores brasileiros. Ele tem certa afinidade com um Rodrigo Naves ou uma Vilma Arêas, que exploram o microconto. Mas não se deve forçar a comparação. Nuno Ramos começa a conquistar espaço próprio.

Carlos Graieb

 

Veja também
Estação VEJA
  Confira a versão multimídia desta coluna na Estação VEJA

 

 
 
Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Sodiler; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura.
   
  voltar
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS