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Monstro da Lagoa...: clássico
trash |
A
Ficção de Jack Arnold (segunda a sexta, às
22h, no Telecine Classic) Morto em 1992, aos 75 anos, o americano
Jack Arnold passou à história como um diretor do segundo
time em Hollywood. Mas alguns dos filmes que ele realizou nos anos 50
tornaram-se clássicos da cultura trash aquela que reverencia
tudo o que, de tão ruim, é divertido. Quanto mais o tempo
passa, mais curioso é assistir a eles. Arnold foi uma espécie
de bisavô das fitas de terror e ficção científica
a todo momento, seus truques são copiados. O melhor de sua
produção no período está nesse ciclo. O
Monstro da Lagoa Negra (segunda) é a história de um
terrível ser metade humano, metade anfíbio. Detalhe: é
ambientado na Amazônia brasileira. Outros destaques são Tarântula
(quarta), cujo título dispensa comentários, e O Incrível
Homem que Encolheu (sexta), que tem uma mensagem, humm..., "existencialista".
DISCOS
Is
This It, The Strokes (BMG) Antes mesmo de ter repertório
suficiente para seu primeiro CD, a banda nova-iorquina The Strokes já
era vista pela crítica como a "salvação do rock".
É o tipo de badalação que volta e meia assola a música
pop, mas quase sempre acaba se revelando puro marketing. A desconfiança,
nesse caso, foi reforçada pelo fato de que o vocalista, Julian,
é filho do influente John Casablancas, da agência Elite.
Como era de esperar, o Strokes não representa nenhuma revolução.
Mas há que se fazer justiça: o som do quinteto realmente
é bom. Seus hits, como The Modern Age e Last Nite, seduzem
com melodias simples e uma potente levada de baixo e bateria. Em todo
o disco, percebem-se influências de bandas dos anos 60 e 70, principalmente
Ramones e The Stooges (do roqueiro Iggy Pop). É retrô, mas
bem-feito.
Field
Commander Cohen: Tour of 1979, Leonard Cohen (Sony Music)
Assim como Bob Dylan, o canadense Leonard Cohen iniciou sua carreira na
época dos hippies, bebeu na fonte da música folk e vem sendo
celebrado como um dos grandes letristas do rock. Mas as semelhanças
entre ambos se encerram por aí. Com seu vozeirão grave e
sombrio, o cantor e compositor, hoje com 67 anos, sempre fez mais sucesso
entre os críticos e os colegas artistas que com o grande público.
Registro de uma turnê realizada em 1979, na Inglaterra, esse disco
ao vivo é um ótimo cartão de visitas e também
um presentaço para os fãs já que, inexplicavelmente,
poucos álbuns dele foram lançados no país até
hoje. Acompanhado por uma banda que inclui de guitarra elétrica
a violino, Cohen derrama versos românticos carregados de melancolia,
em baladas como The Gypsy's Wife e Why Don't You Try.
LIVROS
Um
Assassinato, um Mistério e um Casamento, de Mark Twain
(tradução de Ana Maria Machado; Objetiva; 104 páginas;
16,90 reais) Essa novela de Mark Twain (1835-1910), autor dos celebrados
romances Tom Sawyer e Huckleberry Finn, permaneceu inédita
durante nada menos que 125 anos. Como isso é possível? A
história é curiosa. Em 1876, Twain criou o esqueleto da
trama e propôs a vários colegas entre os quais, o
escritor Henry James que cada um escrevesse sua versão.
Só ele cumpriu o desafio. Elaborou seu texto em dois dias, mas
não conseguiu publicá-lo. A novela passou por várias
mãos até ser recuperada. É uma grata descoberta.
Ambientada num lugarejo rural do Missouri, narra os esforços de
um fazendeiro para casar sua filha com um jovem rico um plano frustrado
por intrigas.
Medo
e Submissão, de Amélie Nothomb (tradução
de Clóvis Marques; Record; 142 páginas; 20 reais)
Talento da nova geração de escritores em língua francesa,
Amélie Nothomb é filha de um diplomata belga, mas nasceu
e viveu parte da juventude no Japão. Nesse período, passou
pela via-crúcis narrada nesse seu terceiro livro: a temporada de
um ano como estagiária de uma grande empresa em Tóquio.
É de arrepiar. Cheia de expectativa no primeiro dia de trabalho,
ela logo percebe que a dupla fatalidade de ser mulher e ocidental só
lhe reservará humilhações quando vê,
está limpando latrinas. Mas não se trata, em absoluto, de
leitura deprê. A autora desnuda o choque de culturas com inteligência
e vale-se da melhor arma: o humor.
INFANTIL
Coleção
Disquinho (Continental) Nos anos 60 e 70, os álbuns
de vinil colorido da série Disquinho faziam sucesso entre
a garotada. Cada um deles trazia uma história infantil clássica,
interpretada por atores competentes e embalada por músicas muito
engraçadinhas. Agora, pela primeira vez, 25 títulos da coleção
estão sendo relançados em formato de CD-single, com curta
duração e preço na faixa de 9 reais cada um. Entre
os títulos resgatados estão A Moura Torta, A Bela e a
Fera, Chapeuzinho Vermelho, Estória da Baratinha e uma coletânea
de seis fábulas de Esopo. Embora as capas da série fossem
simplórias, o conteúdo ficava sob a responsabilidade de
feras. O maestro Radamés Gnatalli foi o criador da maioria dos
arranjos orquestrais, enquanto as adaptações de versos e
melodias couberam a João de Barro, o Braguinha. Atenção,
pais e marmanjos saudosistas: os outros 25 títulos da coleção
devem sair em CD até o fim do ano.
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LITERATURA
BRASILEIRA
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O
Pão do Corvo;
Nuno
Ramos;
Editora
34;
85
páginas;
15 reais
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Até
agora, o paulistano Nuno Ramos podia ser visto como um artista plástico
dotado de habilidade especial para lidar com palavras. Ele havia
lançado um livro em 1993, Cujo, no qual demonstrava
ter ouvido afiado, talento para articular idéias e criar
imagens. Na comparação, talvez deixasse envergonhado
muito escritor profissional. Misto de diário e coleção
de aforismos, o texto permanecia, no entanto, bastante colado ao
trabalho de Ramos no ateliê. Várias páginas
eram elucubrações de um escultor às voltas
com vidro, areia, asfalto ou breu. Dificilmente o leitor se esquecia
de estar diante de um artista cuja maior vocação era
expor suas obras na galeria, e não na estante.
Com
o lançamento de seu segundo livro, O Pão do
Corvo, Nuno Ramos finca os dois pés na literatura.
Pode-se notar, é certo, uma continuidade em relação
a Cujo. Há trechos de prosa poética em que
o autor se debruça com lupa sobre a matéria, analisando
sua textura e sua composição, procurando dar à
linguagem uma qualidade tátil. A diferença está
na dose bem maior de narratividade. Nos dezessete textos curtos
do novo livro, Ramos procurou fugir da "experiência pessoal"
e deu maior espaço à imaginação. Há
brevíssimas fábulas, como Cinza, que fala de
um povo misterioso que aguarda a aniquilação pelo
fogo. Em outros casos, como Ele Canta, seres fantásticos
são descritos. Filosofices sobre arte e a linguagem ainda
têm lugar, como em Cujo, mas seu contexto é
ficcional. Um vago sabor da literatura de Franz Kafka e Jorge Luis
Borges atravessa as páginas.
É
difícil situar Ramos entre os autores brasileiros. Ele tem
certa afinidade com um Rodrigo Naves ou uma Vilma Arêas, que
exploram o microconto. Mas não se deve forçar a comparação.
Nuno Ramos começa a conquistar espaço próprio.
Carlos
Graieb
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