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Edição
1 721 - 10 de outubro de 2001 |
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A crise no Cone Sul
AFP
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Reuters
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| Malan
e Cavallo: reunião em Montevidéu |
Passados
os momentos mais dramáticos do atentado aos Estados Unidos, o mundo
ainda tenta encontrar seu eixo em meio às ondas de choque geradas
pela rede terrorista internacional e à mobilização
diplomática e militar com que o Ocidente procura evitar novos ataques.
Ao mesmo tempo que se acomodam à nova ordem, os países descobrem
que os problemas que os atazanavam antes do atentado continuam iguais,
quando não maiores. É o caso da Argentina. Na semana passada,
revelou-se que a melancólica situação econômica
do vizinho se agravou muito no período em que terroristas substituíram
os sustos dados por Buenos Aires nas manchetes da imprensa. A divulgação
de uma queda de 14% na arrecadação de impostos no mês
de setembro foi o estopim de uma nova fase da crise sem fim da economia
argentina. Já no meio da semana, a bolsa de apostas farejava a
saída de Domingo Cavallo do comando da economia. Mesmo com plenos
poderes, ele não conseguiu melhorar a situação do
país.
Cavallo
reuniu-se com seu colega brasileiro Pedro Malan, na semana passada, em
Montevidéu. Na agenda, os problemas comuns das economias latino-americanas:
desemprego, estagnação e a necessidade de atrair recursos
externos. Analistas prevêem que a diminuição do fluxo
de recursos para a América Latina em 2002 pode ser ainda mais acentuada
do que se imaginava logo depois dos atentados terroristas. Teoricamente,
sim. Mas, numa análise mais otimista, fica claro que os centros
mundiais de riqueza e poder estarão de agora em diante mais atentos
aos problemas dos países em desenvolvimento. O ambiente é
menos propício a crises financeiras em dominó, que tanta
instabilidade geraram no passado recente. Por mais fortes, estáveis
e prósperas que sejam, as grandes democracias do mundo não
podem sustentar ao mesmo tempo uma guerra nos confins da Ásia e
diversos vietnãs financeiros em outras regiões.
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