Edição 1917 . 10 de agosto de 2005

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Atroz demais

Deborah Secco vira estátua
em América. Ninguém merece


Marcelo Marthe

Divulgação
A infeliz Sol: "Quieta, o.k.?"


Na semana passada, Deborah Secco conquistou o direito de não mais ser criticada por seu desempenho em América, da Rede Globo. Nunca uma atriz foi submetida a tantas situações vexatórias numa novela brasileira. No capítulo de quarta-feira, Sol, sua personagem, arrumou um emprego de estátua viva. Paramentada como a Estátua da Liberdade, ela postou-se em frente a um bar de Miami. Com uma tocha numa mão e um cardápio na outra, seguiu à risca a ordem do empregador: "Fique quieta, o.k.?". Nem a súbita aparição de seu amado, o matuto Tião, aos beijos com a sirigaita interpretada por Gabriela Duarte, fez com que ela desmanchasse a pose. Só um filete de lágrimas correu por suas bochechas alvas – e então um toró despencou sobre ela. No começo da novela, Sol foi acondicionada no porta-luvas de um carro, quando tentava cruzar a fronteira americana ilegalmente. Mais tarde, a despacharam num caixote para a sala do desavisado Ed (Caco Ciocler) – que primeiro se assustou e depois se apaixonou ao vê-la pular lá de dentro. Então fica combinado: ninguém mais reclama da dicção rascante nem da maneira inconvincente como Deborah tenta exprimir as dores de Sol. O ridículo a que a submetem é atroz demais. Ninguém merece.

 
 
 
 
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