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Internet Do
espaço à loja da esquina O Google investe
no Brasil, de olho no casamento entre ferramentas de busca e prestação
de serviços Fotos
divulgação
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MUNDO AO ALCANCE DO MOUSE O Google Earth, novo
serviço do Google, permite que o internauta vislumbre qualquer ponto do planeta
por meio de imagens de satélite. Na seqüência acima, as aproximações mostram desde
a Terra vista do espaço até o local em que ficavam as torres do World Trade Center,
em Nova York |
O Google, site de
busca mais popular do mundo, acaba de fechar um dos maiores negócios da
história do mercado brasileiro de internet: a compra da empresa mineira
Akwan, que também atua na área dos sistemas de busca. A operação,
arquitetada em segredo por nove meses e consumada há duas semanas, faz
parte de um plano da companhia americana de investir cerca de 25 milhões
de dólares no país em quatro anos. O mercado nacional não
é o único em que o Google está de olho. A empresa tem a meta
de fincar raízes nos quatro "gigantes emergentes" do chamado BRIC
o grupo que reúne, além do Brasil, Rússia, Índia e
China e também na Coréia do Sul. "Em termos financeiros,
esses países não representam o mesmo que o mercado americano ou
o europeu. Mas a empresa aposta no potencial de suas populações
jovens e abertas à tecnologia", diz Emerson Calegaretti, representante
brasileiro do Google. Não é apenas o entusiasmo dos internautas
desses países que justifica o investimento da companhia. Assim como seus
concorrentes o Yahoo! e o MSN, da Microsoft , o Google está
empenhado em criar ferramentas que unam a tecnologia de busca à prestação
de serviços. Assim, programas como os recém-lançados Google
Earth e Virtual Earth, do MSN, além de ser belos atlas digitais, ajudam
um consumidor ou um viajante a localizar endereços em mapas e os pontos
de comércio que lhes sejam mais convenientes. Para oferecer esse tipo de
informação, não bastam equações e programas
de computador: os buscadores precisam ter acesso a bancos de dados locais que
dêem as coordenadas do hotel, da pizzaria ou da farmácia mais próxima.
Encontrar parceiros que detenham esse tipo de conteúdo é um atalho
para entrar em novos mercados como o Brasil. O
Google Earth, lançado no fim de junho, e o Virtual Earth, disponível
há duas semanas, são as novas vedetes da busca eletrônica.
Por meio de imagens de satélite, eles oferecem vistas aéreas de
qualquer parte do planeta. Basta clicar sobre um ponto para que o foco se aproxime
até quase o solo (as imagens são mais ou menos nítidas conforme
o lugar. O Google diz que seu serviço mostrará São Paulo
com uma definição tão boa quanto a de Nova York em questão
de um ano). Esses serviços são brinquedos divertidos. Em poucos
segundos, o internauta pode localizar o bairro e até o prédio em
que mora numa cidade brasileira, aproximar-se da Praça Vermelha, em Moscou,
ou vislumbrar o local onde ficavam as torres do World Trade Center, em Nova York,
até os atentados de 11 de setembro de 2001. Há ainda o dispositivo
3D, que possibilita ver as plantas de cidades em terceira dimensão. Mas
os serviços também têm um evidente apelo comercial. Da mesma
forma que outras ferramentas que já eram oferecidas pelo Google e pelo
MSN (e também pelo Yahoo!), eles listam estabelecimentos comerciais para
o usuário e apontam sua localização. Consultar a versão
básica desses mecanismos é gratuito, mas há complementos
pagos. O Google Earth já pôs suas imagens de satélite à
disposição de empreendimentos imobiliários, por exemplo.
Por
enquanto, as informações mais precisas desses programas se referem
a metrópoles como Nova York e Londres. Mas a vez do Brasil vai chegar.
Embora não desvendem suas estratégias de negócio, empresas
como Google e MSN estão de olho em parceiros que detenham guias ou informações
detalhadas sobre os hábitos de consumo em grandes cidades. Com a aquisição
da Akwan, o Google ganhou acesso a uma base de dados preciosa: a empresa especializou-se
em rastrear as páginas de internet brasileiras e desenvolveu sistemas de
busca específicos para áreas como a medicina. A batalha da era dos
buscadores passa, evidentemente, pela publicidade nesses sites. Cada vez mais,
a propaganda será dirigida ao internauta de acordo com seus gostos
a intenção é que a loja da esquina possa um dia atingir com
precisão os fregueses em potencial. O Yahoo! saiu na frente nesse nicho:
há alguns meses, comprou o TeRespondo, um serviço pioneiro de publicidade
em sites na América Latina. Mas a concorrência não deixa barato.
A primeira medida do Google ao se instalar no Brasil foi montar uma estrutura
comercial. Programas como o Google Earth mostram o planeta inteiro. Mas a guerra
agora é local. |