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Saúde
Boa forma com
George W. Bush
Com sua obsessão por atividades
físicas, o presidente americano
conseguiu uma saúde de ferro

José Eduardo Barella
George W. Bush não tem a mesma simpatia
de Bill Clinton, seu antecessor na Presidência dos Estados
Unidos, nem o charme de John F. Kennedy, que arrasou corações
no início dos anos 60. Em compensação, Bush
é o mais saudável dos presidentes americanos dos últimos
cinqüenta anos ou seja, desde que as condições
de saúde deles se tornaram públicas. Divulgados na
semana passada, os resultados do check-up anual revelam um quadro
excepcional para sua idade, 59 anos. Kennedy, assassinado aos 46
anos, sofria de colite, osteoporose, colesterol alto, inflamação
da próstata e da uretra informações
então guardadas como segredo de Estado. O condicionamento
físico do atual presidente é superior ao de 99% dos
americanos em sua faixa etária, de 55 a 59 anos. Sua capacidade
cardiovascular é equivalente à de um homem de 44 anos
que pratica esportes com regularidade.
A boa forma de Bush deve ser atribuída,
em parte, à genética. Seu pai, o ex-presidente George
Bush, comemorou os 80 anos com um salto de pára-quedas, no
ano passado. Mas isso de nada valeria se não fosse o esforço
próprio. O presidente americano é apaixonado por exercícios
físicos e malha seis vezes por semana. Logo que assumiu,
em 2001, montou uma pequena academia de ginástica na ala
residencial da Casa Branca. Até o Air Force One, o
avião presidencial, ganhou equipamentos de musculação.
Tal providência jamais esteve nas preocupações
de Bill Clinton. Sedentário e comilão, o ex-presidente,
que é um mês mais jovem que seu sucessor, precisou
se submeter a uma cirurgia para colocar quatro pontes de safena
e de mamária no coração, no ano passado.
O programa de exercícios adotado por
George W. Bush contém pelo menos quatro lições
para quem quer entrar em forma, mas não sabe por onde começar.
A primeira é que nunca é tarde para investir no condicionamento
físico. Bush só adotou a prática regular de
exercícios aos 40 anos. "Qualquer pessoa, em qualquer idade,
pode iniciar um programa de exercícios físicos, desde
que com acompanhamento médico", diz o fisiologista Renato
Lotufo, diretor do Instituto de Avaliação Física
do Esporte, de São Paulo. Bush era avesso a atividades físicas
e levava uma vida de farrista e de alcoolismo. A virada ocorreu
em 1986, quando ele abandonou a bebida e abraçou a
esteira. Adotou uma rotina de exercícios quase diários
e não parou mais. Foi a troca de um vício, o de beber,
pelo da boa forma física. Aí está a segunda
lição do programa de fitness do presidente: se for
para ter uma obsessão, que seja por algo saudável.
Bush dorme cedo, não fuma e evita comida gordurosa.
O presidente toma diariamente doses pequenas
de aspirina, para prevenir problemas cardíacos, e glucosamina,
proteína usada no combate a lesões nas articulações.
Para complementar, uma dose do suplemento ômega 3, benéfico
na prevenção de doenças cardiovasculares e
da osteoporose. A terceira lição extraída do
exemplo de Bush é a importância de variar os exercícios.
Seu programa inclui alternar atividades aeróbicas na esteira,
na bicicleta e no cross trainer, um aparelho de movimentos elípticos
para as pernas. A parte anaeróbica é desenvolvida
em sessões de musculação e de alongamento.
"Insistir em apenas uma modalidade pode causar lesões localizadas",
diz Mauro Cardaci, coordenador de musculação da Fórmula
Academia, de São Paulo. Bush passou por isso. No ano passado,
ele trocou as corridas matinais pela bicicleta, devido a uma lesão
no joelho esquerdo.
A quarta lição de boa forma
do presidente americano é a de que uma agenda apertadíssima
não é desculpa para descuidar do condicionamento físico.
Em geral, Bush se exercita durante uma hora pela manhã ou
no princípio da tarde na academia instalada na Casa Branca.
Algumas vezes é acompanhado pela secretária de Estado,
Condoleezza Rice. Desde o início de seu governo, há
quem pergunte, no Congresso e na imprensa, se o homem mais poderoso
do mundo não passa tempo demais fazendo ginástica.
"Os eventuais erros ou acertos do governo Bush certamente não
têm nada a ver com o fato de ele dedicar parte do dia aos
exercícios físicos", disse a VEJA o cientista político
americano Stephen Hess, do Instituto Brookings, de Washington. "Calvin
Coolidge, presidente dos Estados Unidos entre 1923 e 1929, dormia
dez horas por noite, mas fez um bom governo." Talvez os historiadores
do futuro venham a ser menos generosos na avaliação
do governo Bush. Mas serão obrigados a reconhecer que o presidente
exibiu excelente forma física.
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