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Espaço O
operário espacial Numa audaciosa
incursão fora da nave, astronautas consertam o defeito que poderia
impedir a volta do Discovery à Terra
 Thereza
Venturoli  | | Soichi
Noguchi sai da nave para dar apoio logístico ao colega encarregado dos reparos
na fuselagem |
A tripulação da nave
Discovery realizou na semana passada um feito inédito na exploração
do espaço pelo homem. Pela primeira vez, um astronauta deixou uma nave
para realizar consertos na parte externa de sua fuselagem. Na quarta-feira, preso
pelos pés ao braço robótico da Estação Espacial
Internacional, na qual o Discovery se encontrava acoplado, o americano Stephen
Robinson retirou dois pedaços de 3 centímetros de comprimento do
tecido isolante que fica entre as placas de revestimento térmico da nave.
Os pedaços de tecido se soltaram durante o lançamento do ônibus
espacial, há duas semanas, e ficaram pendurados na fuselagem.
Os técnicos da Nasa temiam que os pedaços de tecido pudessem atrapalhar
o fluxo de ar em volta do Discovery em sua entrada na atmosfera quando
a temperatura no lado inferior da nave chega a 1 300 graus Celsius e causar
um desastre semelhante ao que desintegrou o ônibus espacial Columbia em
sua aproximação com a Terra, há dois anos. Robinson puxou
os dois pedaços de tecido com a mão. Um terceiro resíduo
de tecido foi descoberto na lateral da nave, perto da escotilha, mas a Nasa concluiu
que não representava risco. Nos dias anteriores, Robinson e o japonês
Soichi Noguchi, seu companheiro de equipe, fizeram outros dois passeios pelo espaço,
dessa vez para instalar novos componentes na estação espacial.
Embora Robinson tenha usado apenas o polegar e o indicador para concluir sua tarefa,
a operação de reparo do Discovery não foi fácil. No
espaço, a falta de gravidade, as grandes diferenças de temperatura
e a radiação cósmica transformam qualquer tarefa simples
numa operação complexa. Se alguma ferramenta ou o próprio
astronauta encostassem na nave, poderiam causar novos danos ao sistema de placas
e isolantes térmicos. É dura a vida do operário espacial. Montagem
sobre fotos Nasa, AP e AFP
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As superferramentas
Ser operário no espaço exige ferramentas especiais. Sem a força
da gravidade, é impossível apertar um parafuso com uma chave de
fenda como se faz na Terra por estar flutuando, o astronauta é que
giraria, e não o parafuso. Ainda que ele se apoiasse na nave, a operação
exigiria um esforço enorme. Isso porque as luvas usadas no espaço,
revestidas de camadas de fibras metálicas, são pouco maleáveis.
Ao fim de algumas horas de trabalho, o astronauta ficaria exausto só de
abrir e fechar os dedos. Em virtude disso, a maioria das ferramentas utilizadas
nas naves é elétrica. Como a pistola de calafetação
abaixo, movida a bateria, capaz de selar pequenas rachaduras com uma substância
que seca instantaneamente antes que comece a flutuar.  | | Pistola
de calafetação: a jato |
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