Edição 1917 . 10 de agosto de 2005

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Espaço
O operário espacial

Numa audaciosa incursão fora
da nave, astronautas consertam
o defeito que poderia impedir
a volta do Discovery à Terra


Thereza Venturoli

Soichi Noguchi sai da nave para dar apoio logístico ao colega encarregado dos reparos na fuselagem


DA INTERNET
Vídeo do reparo na nave

A tripulação da nave Discovery realizou na semana passada um feito inédito na exploração do espaço pelo homem. Pela primeira vez, um astronauta deixou uma nave para realizar consertos na parte externa de sua fuselagem. Na quarta-feira, preso pelos pés ao braço robótico da Estação Espacial Internacional, na qual o Discovery se encontrava acoplado, o americano Stephen Robinson retirou dois pedaços de 3 centímetros de comprimento do tecido isolante que fica entre as placas de revestimento térmico da nave. Os pedaços de tecido se soltaram durante o lançamento do ônibus espacial, há duas semanas, e ficaram pendurados na fuselagem.

Os técnicos da Nasa temiam que os pedaços de tecido pudessem atrapalhar o fluxo de ar em volta do Discovery em sua entrada na atmosfera – quando a temperatura no lado inferior da nave chega a 1 300 graus Celsius – e causar um desastre semelhante ao que desintegrou o ônibus espacial Columbia em sua aproximação com a Terra, há dois anos. Robinson puxou os dois pedaços de tecido com a mão. Um terceiro resíduo de tecido foi descoberto na lateral da nave, perto da escotilha, mas a Nasa concluiu que não representava risco. Nos dias anteriores, Robinson e o japonês Soichi Noguchi, seu companheiro de equipe, fizeram outros dois passeios pelo espaço, dessa vez para instalar novos componentes na estação espacial.

Embora Robinson tenha usado apenas o polegar e o indicador para concluir sua tarefa, a operação de reparo do Discovery não foi fácil. No espaço, a falta de gravidade, as grandes diferenças de temperatura e a radiação cósmica transformam qualquer tarefa simples numa operação complexa. Se alguma ferramenta ou o próprio astronauta encostassem na nave, poderiam causar novos danos ao sistema de placas e isolantes térmicos. É dura a vida do operário espacial.

 
Montagem sobre fotos Nasa, AP e AFP

 

 

As superferramentas

Ser operário no espaço exige ferramentas especiais. Sem a força da gravidade, é impossível apertar um parafuso com uma chave de fenda como se faz na Terra – por estar flutuando, o astronauta é que giraria, e não o parafuso. Ainda que ele se apoiasse na nave, a operação exigiria um esforço enorme. Isso porque as luvas usadas no espaço, revestidas de camadas de fibras metálicas, são pouco maleáveis. Ao fim de algumas horas de trabalho, o astronauta ficaria exausto só de abrir e fechar os dedos. Em virtude disso, a maioria das ferramentas utilizadas nas naves é elétrica. Como a pistola de calafetação abaixo, movida a bateria, capaz de selar pequenas rachaduras com uma substância que seca instantaneamente – antes que comece a flutuar.

 

Pistola de calafetação: a jato

 
 
 
 
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