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Edição 1 759 - 10 de julho de 2002
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DVDs

Fuga de Alcatraz (Escape from Alcatraz, Estados Unidos, 1979. Paramount) – Durante as décadas em que funcionou, o presídio americano de Alcatraz ostentou a fama de ser à prova de fugas. Aos que tentavam escapar, restavam dois destinos: os tiros dos vigias ou a morte nas águas perigosas da Baía de São Francisco. Em 1962, contudo, três homens podem ter dado (até hoje não se sabe ao certo) um desfecho diferente à sua fuga. O episódio inspirou esse suspense enxutíssimo e empolgante, estrelado por Clint Eastwood e dirigido por Don Siegel. Eastwood é o ladrão que, desde que põe os pés na prisão, só pensa em sair dela. É desse assunto de interesse virtualmente inesgotável que se ocupa quase todo o filme: a engenhosidade dos prisioneiros para organizar sua fuga a partir dos recursos ínfimos que podiam encontrar em Alcatraz.

As Diabólicas (Les Diaboliques, França, 1955. P&b. Continental) – Desafiar os poderes dedutivos da platéia literalmente até o último minuto – é isso o que faz essa obra-prima do francês Henri-Georges Clouzot. A brasileira Vera Clouzot (que era casada com o diretor) é a mulher frágil e infantil que se habituou a ser explorada pelo marido. Simone Signoret é a nova amante do sujeito, mas cansou-se de levar safanões dele. Juntas, elas armam um plano para assassiná-lo, de tal forma que seja impossível incluí-las na lista de suspeitos. Mas algo acontece, e as reviravoltas começam a se suceder de maneira inesperada. Esqueça aquela refilmagem horrenda com Sharon Stone e Isabelle Adjani. Este aqui é um suspense puro-sangue, sem nenhuma gordura.

 

LIVROS

O Livro das Provas, de John Banville (tradução de Maria Alice Máximo; Record; 253 páginas; 32 reais) – Depois de viver dissolutamente na Califórnia e numa ilha do Mediterrâneo, o personagem Freddie Montgomery retorna à Irlanda natal. Torna-se obcecado por um antigo quadro que sua mãe vendeu aos vizinhos e decide reaver a pintura. Durante o roubo, assassina uma mulher. O Livro das Provas é o relato que ele escreve na cadeia, aconselhado por seu advogado. Mas, longe de ser um apelo àqueles que o julgarão, seu texto é uma peça fria e perturbadora, que nada explica e nada justifica. O irlandês John Banville é um dos mais premiados escritores de língua inglesa da atualidade. Nesse belo romance, aproxima-se do existencialismo do franco-argelino Albert Camus e dos estudos da crueldade e da amoralidade do russo Vladimir Nabokov. Leia trecho do livro.

Retrato do Artista Quando Velho, de Joseph Heller (tradução de Luciano Machado; Cosac & Naify; 318 páginas; 25 reais) – O escritor nova-iorquino Joseph Heller concluiu esse livro pouco antes de morrer, em 1999, aos 76 anos. Publicado postumamente, Retrato do Artista Quando Velho é uma obra menor se comparada a seu maior sucesso, Ardil 22, libelo antibelicista lançado na década de 60 que se inscreve entre os romances mais marcantes da literatura americana do século XX. Isso, no entanto, não tira seu brilho. No livro, Heller reflete sobre a criação literária a partir da história de um autor veterano que já esgotou toda a sua criatividade. Ao contrário de seu alter ego, Heller mantém intactos o humor e a ironia e ri de si próprio na condição de escritor em fim de carreira. Leia trecho do livro.

 

DISCOS

The Last Broadcast, Doves (EMI) – Surgido em 1998, na cidade inglesa de Manchester, o trio foi aclamado pela crítica de seu país como o "novo Radiohead". O elogio tem sua razão de ser. Jimi Goodwin (baixo e vocais) e os gêmeos Jez e Andy Williams (guitarra e bateria, respectivamente) comungam muito do lirismo angustiado que fez a fama da banda do esquisitão Thom Yorke. Mas em The Last Broadcast, seu segundo álbum, eles acrescentam algo mais à receita: melodias tão assobiáveis quanto as melhores já produzidas pelo chamado britpop, de Oasis a The Verve. Há canções com arranjos de orquestra (Friday's Dust) e com solo de cuíca (Words). A faixa M62 Song é uma adaptação de Moonchild, do grupo progressivo King Crimson. Ouça a faixa There Goes the Fear.

 
Elza: contratempos superados

Do Cóccix até o Pescoço, Elza Soares (Maianga Discos) – Faz tempo que a cantora carioca Elza Soares vem levando uma carreira marcada por contratempos. Por dez anos, até 1997, ela ficou sem lançar discos. Depois, sem espaço nas grandes gravadoras, se tornou artista independente. Há três anos, fraturou uma vértebra durante um show. Nada disso, entretanto, abalou a sambista. Com 65 anos declarados, Elza está lançando um excelente CD. Sob direção artística de José Miguel Wisnik, o disco dá plena vazão à sua negritude – o que fica evidente no visual black power do encarte. Elza canta Caetano Veloso (Dor de Cotovelo) e Chico Buarque (Dura na Queda), mas também rap e música de protesto. "A carne mais barata do mercado é a carne negra", entoa em A Carne.

 
Os Red Hot Chili Peppers: mais baladeiros que nunca

By the Way, Red Hot Chili Peppers (Warner) – Os californianos do Red Hot Chili Peppers foram precursores da mistura de rap, funk e rock'n'roll que explodiu nas paradas dos Estados Unidos nos anos 90. Alcançaram sua consagração, contudo, graças ao talento para compor baladas. Nesse novo álbum, eles revelam-se mais "baladeiros" do que nunca. Há meia dúzia de músicas do gênero com potencial para tornar-se hits. A faixa-título é uma síntese daquilo que a banda sabe fazer de melhor: ela começa lenta, mas depois vira um rock pesado e dançante. Já Dosed e The Zephyr Song têm um ar anos 80, com ecos de U2 e The Smiths perceptíveis na guitarra de John Frusciante.

 

TELEVISÃO

Terry Jones: história e humor

O que Não Sabemos (domingo 14, às 21h, no Discovery Channel) – Ex-integrante do grupo humorístico Monty Python, o inglês Terry Jones passou os últimos anos se dedicando a um gênero ímpar: os documentários que mesclam didatismo histórico com entretenimento (leia-se muito humor). Em meados dos anos 90, por exemplo, ele fez um programa impagável sobre as cruzadas cristãs. Exibidos na Inglaterra no ano passado, os documentários da série O que Não Sabemos são sua mais recente empreitada. Eles abordam as antigas civilizações do Império Romano e do Egito, mas Jones logo avisa que não perderá tempo falando sobre faraós megalomaníacos ou monumentos construídos pelos césares. Seu interesse recai sobre os cidadãos comuns. E tome curiosas ilações sobre a vida sexual, a higiene e os hábitos alimentares de outras eras.

   
 



Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler.
   
 
   
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