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Edição 1 759 - 10 de julho de 2002
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À prova de crise

A Nestlé recebe o prêmio de
Empresa do Ano
no ranking Melhores
e Maiores da revista Exame

 
Ricardo Benichio
Malan, Alckmin, FHC e Civita, na premiação de Exame: alerta para a necessidade de reformas no país

O ano de 2001 foi sem dúvida um dos mais difíceis para a saúde financeira de países e empresas. Os ataques terroristas aos Estados Unidos, a desaceleração econômica global que se seguiu, a crise de energia e a desvalorização do real no Brasil abalaram a confiança dos investidores. As dívidas em dólares das empresas aumentaram muito, e os lucros caíram. Uma pesquisa da revista Exame mostra que as 500 maiores companhias brasileiras venderam 5,8% mais que em 2000, mas lucraram 56,6% menos devido às adversidades conjunturais. Também em 2001, as dívidas das empresas cresceram 8,6%. Apesar de todas as dificuldades, muitas companhias brasileiras conseguiram ótimos resultados. É o caso da Nestlé, a indústria de alimentos de origem suíça, que conquistou na semana passada o título de Empresa do Ano concedido por Exame, na 29ª edição do prêmio Melhores e Maiores.

O grupo, que no ano passado faturou 5,7 bilhões de reais e registrou um aumento de rentabilidade de 25%, conseguiu elevar sua participação no mercado em 85% das áreas em que atua. Também em 2001 superou a marca de 1 milhão de toneladas produzidas – um recorde para a empresa – e realizou investimentos de mais de 1,7 bilhão de reais. Parte desses recursos foi utilizada em aquisições como a da Garoto, que permitiu à Nestlé desbancar a Lacta na liderança do mercado de chocolates. "Nossa meta é aumentar o faturamento para 6,5 bilhões de reais em 2002 e atingir 10 bilhões de reais daqui a quatro anos", disse Ivan Zurita, presidente da empresa.

Alvaro Mota
Zurita, da Nestlé: meta é dobrar o faturamento até 2006


"Há oito anos, graças especialmente ao presidente e ao ministro que estão conosco nesta noite, começamos uma longa caminhada na direção de um futuro melhor", disse Roberto Civita, presidente do Grupo Abril, ao recepcionar o presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro da Fazenda, Pedro Malan, na cerimônia de entrega do prêmio Melhores e Maiores. Civita lembrou a necessidade de levar adiante as reformas, de modo a consolidar os ganhos da era FHC e permitir ao Brasil alcançar o desenvolvimento auto-sustentável. Fernando Henrique Cardoso aproveitou a oportunidade para revelar que pretende, até o final de seu mandato, acabar com alguns impostos em cascata que tanto dano ocasionam à economia e cuja erradicação é reivindicada há anos pelos empresários brasileiros. FHC defendeu a aceleração das reformas que ainda precisam ser feitas e disse que o atraso em sua aprovação foi um dos motivos que levaram o governo a buscar, recentemente, a ajuda do Fundo Monetário Internacional.


   
 
   
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