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O meu campo de g lfe
Empresários
mostram a paixão
que têm pelo esporte e investem
alguns milhões de reais em
campos particulares
Ricardo
Mendonça
Fotos AP/Antonio Milena/Ana Ottoni/Folha Imagem

Contorcionismo
após a tacada, o empresário Carlos Pires e o campo de
golfe que ele construiu em sua fazenda: o mais completo do Brasil |
São
poucos os brasileiros que jogam golfe. Calcula-se que eles sejam 15.000
praticantes, no máximo, contra um exército de 27 milhões
nos Estados Unidos. Mas um pequeno punhado desses brasileiros, cerca de
uma dúzia, demonstra ter tanta adoração pelo esporte
e dinheiro, claro! que decidiu realizar um sonho: construir
o próprio campo de golfe. Para esse time especial de aficionados,
jogar golfe é tão importante que o campo construído
por eles oferece o que o dinheiro pode comprar de melhor. O terreno, normalmente
uma fazenda da família, eles já possuíam. Foi só
contratar uma empresa especializada e, alguns milhões de reais
depois, a obra estava concluída. O resultado, em geral, é
exuberante, como a cena registrada na fotografia acima. Trata-se de uma
visão aérea do mais completo campo particular do Brasil,
o único que tem dezoito buracos, número exigido nos torneios
profissionais. Ele pertence ao presidente da construtora Camargo Corrêa,
Carlos Pires, e está instalado numa fazenda de sua propriedade,
localizada no interior de São Paulo. Quando o dólar e o
real tinham cotação semelhante, Pires gastou algo como 5
milhões de reais na execução do projeto, que tem
cerca de 300.000 metros quadrados, área
equivalente a quarenta campos de futebol.
Carlos Pires
comprou a fazenda do empresário Antonio Carlos de Almeida Braga,
o Braguinha, quando o projeto tinha apenas três buracos. Como tomou
gosto pelo esporte, o presidente da Camargo Corrêa decidiu construir
esse campo espetacular. Na entrada do gramado, há uma luxuosa sede
com bar e vestiário. Outro bar foi erguido nas proximidades do
nono buraco, ponto que equivale à metade do jogo. Enquanto os golfistas
descansam, garçons servem-lhes sucos e sanduíches. Para
se deslocarem de um buraco a outro, eles usam carrinhos importados, movidos
a bateria. Cada um deles custa 22.000 reais.
Há trinta carrinhos na fazenda. Para a manutenção
do local, foram contratados quinze funcionários, entre jardineiros,
mecânicos e um administrador, conhecido como green keeper. Em
fevereiro passado, o green keeper de Pires foi a Orlando, nos Estados
Unidos, fazer um seminário sobre a administração
de campos.
Normalmente,
Pires usa a fazenda nos fins de semana e convida os amigos mais próximos
e a família para jogar com ele. Seus adversários mais freqüentes
são outros dois executivos da Camargo Corrêa, Luís
Nascimento e Fernando Botelho. Nascimento e Botelho possuem campos próprios,
mas com apenas nove buracos. Entre os grandes empresários que praticam
golfe no Brasil, Carlos Pires é um excelente jogador. E consegue
isso graças à sua aplicação ao esporte. Para
manter-se afiado, o empresário contratou um técnico americano
para treiná-lo.
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Ângelo Torello/Simon Press
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| Bill
Clinton, ao lado do funcionário de um campo de golfe em São Paulo,
onde ele esteve no ano passado: paixão americana |
Os melhores
campos particulares do Brasil estão localizados na mesma região
onde se situa a fazenda de Carlos Pires, no interior de São Paulo.
Só o município de Indaiatuba conta com três propriedades
particulares de primeira linha, a de Alcides Diniz, a de Carlos Mansur
e a de Gregory Ryan, o americano que trouxe o McDonald's para o Brasil
e hoje administra uma rede de hotéis. "Nos Estados Unidos, encontra-se
com facilidade um ótimo lugar público para jogar", afirma
o empresário Ryan, proprietário de um magnífico campo
com nove buracos. "No Brasil, é mais fácil construir." Como
resultado dessa concentração de campos particulares, já
existe até um torneio entre os proprietários. Batizado de
Copa Bandeirantes da Amizade, uma referência à rodovia que
liga a capital paulista à maioria das fazendas, o campeonato é
disputado por equipes e em etapas, cada fim de semana na propriedade de
um jogador. Ganha a equipe que acumular mais pontos na temporada. O time
vencedor da Copa Bandeirantes do ano passado foi o da fazenda Santapazienza,
que também possui uma área deslumbrante. Pertencente a um
empresário que é dono de shopping center e pediu para não
ter seu nome publicado nesta reportagem, a Santapazienza foi visitada
em agosto de 2001 pelo ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton.
Eduardo Albarello

O empresário
Greg Ryan em seu campo: até o trator usado para cortar a grama é um
luxo |
Construir
o próprio campo de golfe é uma operação complexa,
cara e demorada. A primeira providência é contratar um arquiteto
especializado, profissional que estuda o terreno e determina os melhores
lugares para os buracos e obstáculos. O projeto para um campo de
nove buracos chega a custar 200.000 reais.
A segunda preocupação é com a terraplanagem. Escavações
e deslocamentos de terra consomem pelo menos 600.000
reais. Muitas vezes, é necessário tirar um morro ou acrescentar
um lago para que se tenha um local de excelente qualidade. A irrigação
também consome um bom dinheiro. Um campo com nove buracos costuma
ter pelo menos 3 quilômetros entre o primeiro e o último
buraco com diferentes tipos de vegetação, que precisam ser
diariamente irrigados. Numa área de 150.000
metros quadrados, são instalados aproximadamente 800 aspersores,
além de uma estação de bombeamento. Essa parte do
projeto pode custar até 750.000 reais.
Depois de pronto, o campo continua consumindo dinheiro. Só de água
o de Luís Nascimento utiliza cerca de 2 milhões de litros
por dia. Para ser bombeada, essa água exige 22 000 quilowatts-hora
por mês, o que resulta em 4.500 reais
de energia elétrica o gasto de um prédio de dez andares.
Isso tudo sem falar na contratação de profissionais especializados
para fazer a manutenção. A grama dos greens, a região
mais sensível que cerca cada buraco, precisa ser cortada todos
os dias, pois não pode ter mais que 2 milímetros de altura.
Antonio Milena

Chapéu,
sapatos, luva, bolinhas e tacos: com o dinheiro do equipamento de
golfe compram-se chuteiras para um time de futebol |
O golfe tem
conquistado aficionados por vários motivos. Como é um esporte
que não exige preparo físico, qualquer um pode jogar. Não
há nada que impeça que um adulto de 40 anos consiga vencer
um jovem de 20. O que vale são a precisão nas tacadas e
a capacidade de concentração. Outro fator favorável
é o fácil entendimento das regras. Vence quem acerta os
buracos numa quantidade menor de tacadas. Por essas razões, os
Estados Unidos têm seus 27 milhões de adeptos. No Brasil,
pessoas como Galvão Bueno, Armínio Fraga e Rubens Barrichello
já praticam golfe. Mas o que até o momento impede que o
esporte se popularize é o alto custo do equipamento necessário.
Com a aquisição de tacos, bolas, uniformes e sapatos especiais
para um único golfista, gastam-se até 3.000
reais, dinheiro suficiente para comprar bola e chuteiras para um time
completo de futebol.
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