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Beicinho brasileiro

Com poses sensuais, a modelo
Adriana Lima mostra ao mundo
o que a baiana tem

Bel Moherdaui


Marcio Madeira
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Os olhos semicerrados e a boca fazendo biquinho são conhecidos dos fotógrafos de moda – que aplaudem, assobiam e até uivam para a morena quando ela dá a sua famosa paradinha, provocando a galera com uma sensualidade assumida. Pois por pouco a moda não perdeu essa pantera das passarelas e a Igreja Católica ganhou uma religiosa. Isso mesmo: Adriana Lima, 20 anos, a baiana de olhos verdes que acaba de fechar um contrato anual de 3,8 milhões de dólares com a rede americana de lingerie Victoria's Secret, pensou em ser freira. "Sempre fui muito tímida. Não usava saia, para não mostrar as pernas. Não falava com nenhum menino no colégio. Cheguei à conclusão de que, se era assim, tinha de ser freira", conta ela. Vencida, com louvor, a timidez e repensadas as aspirações, o jeito voluptuoso é marca registrada de Adriana, 1,79 metro de altura, 58 centímetros de cintura, 90 de quadris e 86 de busto – arcabouço irresistível para o mais compenetrado dos mortais, quanto mais para o cantor americano Lenny Kravitz, inveterado conquistador de modelos que, atualmente, anda caído pela baianinha.

Os dois se conheceram há dois anos, fotografando uma reportagem de moda para uma revista americana moderninha. Na época, Adriana tinha namorado e resistiu bravamente ao ataque do roqueiro. Não mais: já apareceram juntos em festas e restaurantes e, segundo os tablóides americanos, há dois meses Kravitz a pediu em casamento. Adriana, previsivelmente, faz beicinho e garante que é tudo boato. Admite que está apaixonadíssima e é correspondida, mas não revela o nome do galã. Como qualquer garota bem-sucedida que anda acumulando seus milhõezinhos de dólares, ela tem cabeça de profissional: não pensa em se casar tão cedo e se concentra na carreira. A hora é mesmo de trabalhar. De passarela em passarela, de campanha em campanha, Adriana está aparecendo por toda parte. Lindíssima, dotada do biotipo quase impossível das modelos, ela não faz, porém, o tipo majestoso, olímpico, de uma Gisele Bündchen. Na avaliação dos publicitários e criadores de imagem, Adriana é bela de um jeito que não intimida, que convence a consumidora a querer usar o mesmo par de jeans para ficar igualzinha a ela.

Fica combinado que todo mundo acredita. Para entrar nesse mundo de fantasia, Adriana seguiu o caminho-padrão das modelos: infância modesta (mãe funcionária pública em Salvador, pai que largou a família precocemente), tipo físico que rendia uma sensação de estranhamento (muito alta, muito magra) e, de repente, o milagre. No caso dela, o primeiro concurso aconteceu aos 14 anos. A incrível mistura racial brasileira, que produz uma obra-prima como Adriana, morena com traços de sueca, toque africano nos lábios polpudos e distante resquício indígena nos olhos verdes puxados, levou-a rapidamente a Nova York. Lá ela continua até hoje, instalada num apartamento no bairro do SoHo de onde administra a carreira, pedindo no máximo um conselho ou outro à mãe. Ao contrário das colegas no topo da profissão, Adriana quase não faz capas de revistas, não é queridinha de nenhum estilista de Milão ou Paris nem musa de nenhum fotógrafo badalado e manteve teimosamente o jeitinho brasileiro de desfilar, com toda a rebolativa malemolência, mesmo quando o mundo da moda decretou que isso não estava mais na moda. Adriana é uma espécie de operária – extremamente bem-sucedida. Desde cedo, partiu para as grandes campanhas de marcas mais populares, foi garota-propaganda de perfume e de grifes de jeans. O milionário contrato com a Victoria's Secret colocou-a em outro patamar e, agora, ela finalmente se prepara para as primeiras fotos para a Vogue americana, uma das bíblias da moda.

Adorada pelos fotógrafos nos últimos desfiles da São Paulo Fashion Week, ela desembarca para a próxima temporada, neste mês, muito mais poderosa. Está todo mundo querendo saber como anda a carreira de Adriana. Em meados de 2000, ganhou cerca de 50 000 reais para fazer a campanha nacional da M. Officer. ("Ela tem uma presença e uma sensualidade muito grandes", derrama-se o dono da grife, Carlos Miele, infalível descobridor de talentos modelísticos.) Hoje, por uma campanha de moda, cobra em torno de 250 000 reais. Dona de seu primeiro milhãozinho (de dólares, obviamente) aos 18 anos, Adriana investe como gente grande. Foi passar férias no México e voltou para casa sócia de um restaurante. Além do apartamento em Nova York, é proprietária de uma casinha em uma praia paradisíaca ao sul de Cancún, também no México, país que ela adora. "Lá posso ter contato com pessoas simples, que gostam de mim pelo que sou", afirma, com raciocínio de diva. Deu um carro e uma casa em Salvador para sua mãe e comprou um terreno de frente para o mar em um condomínio da cidade. Só viaja de primeira classe. Quer mais. "Adoraria ser atriz", diz ela, que no ano passado contracenou com o ex-galã Mickey Rourke em um filmete para a campanha de um carro, está apalavrada para um novo clipe da banda Aerosmith e foi sondada pelo diretor americano Michael Bay (de Pearl Harbor) para participar de seu próximo filme. Animada, convocou um professor particular para tomar aulas de interpretação. Até agora, não conseguiu comparecer a nenhuma. Faltou tempo.

 

A MARCA DE ADRIANA

Pele morena, olhos verdes e muita sensualidade: a mistura que encantou o roqueiro Lenny Kravitz (com ela, na foto à direita) enfeita anúncios, reportagens de moda e desfiles. A beleza de Adriana é um poderoso instrumento de venda e já rendeu um contrato de 3,8 milhões de dólares.

 

 

 

   

 

   
 
   
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