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Edição 1 759 - 10 de julho de 2002
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Corte nos benefícios

Empresas querem cortar auxílios
dados aos idosos. As companhias
aéreas americanas já começaram

Camila Antunes

Uma medida anunciada recentemente pelas companhias Delta e American Airlines causou certo alvoroço nas associações de idosos nos Estados Unidos. As duas empresas decidiram cancelar o desconto oferecido no preço da passagem aérea às pessoas com mais de 62 anos, que podia superar os 10% sobre o valor do bilhete. Mais que uma atitude isolada de um setor que atravessa uma séria crise desde os atentados terroristas de 11 de setembro, a notícia provocou intenso debate sobre a redução dos benefícios sociais concedidos aos mais velhos. Com o envelhecimento da população mundial, tendência que se verifica principalmente nos países ricos, começou a ficar caro manter o grande número de benefícios a que tem direito a população. Nos EUA, os idosos obtêm descontos em restaurantes, teatros e até em academias de ginástica. Para a Previdência Social, a situação é ainda mais preocupante. Cerca de 8% do PIB americano é consumido pelos programas sociais do governo. Segundo cálculos de especialistas, essa taxa será de 13% até 2020. Os empresários acham que, se a sociedade passou a viver mais, os benefícios até podem permanecer como estão. Mas deveriam ser concedidos a partir de uma idade mais avançada que a de hoje. Como os velhos não concordam, deu-se a discussão.

O governo da França e o da Espanha também já discutem o enxugamento dos benefícios, seja aumentando a idade mínima para a aposentadoria, seja cortando uma parcela dos rendimentos dos idosos, principalmente dos que recebem mais. No Japão, para equilibrar as contas da Previdência, a idade mínima exigida para a aposentadoria saltou de 60 para 65 anos. Os defensores do corte desses benefícios alegam que há duas formas de sustentar o atual pacote. Podem-se aumentar os impostos ou cortar gastos em outras áreas. Caso não se queira nenhuma das duas, a solução seria reduzir os benefícios atuais.

O envelhecimento da população é um sintoma evidente de que o mundo melhorou nos últimos anos. Além de viverem mais, os idosos levam uma vida mais saudável. E não só pela introdução de novos medicamentos e terapias. Nos Estados Unidos, eles estão mais ricos que nunca. A renda média das famílias chefiadas por americanos acima de 65 anos é de 157.000 dólares por ano, somando patrimônio, ações e outros investimentos financeiros, quase o dobro da renda das famílias que têm como chefe pessoas com idade entre 45 e 54 anos. Boa parte dessa conta vem sendo paga pela Previdência, cuja receita advém principalmente dos trabalhadores ativos. Com o aumento da longevidade e a diminuição das taxas de natalidade, haverá menos trabalhadores para cada aposentado. Até a década de 60, para cada brasileiro aposentado existiam outros oito trabalhando. Hoje a relação é de dois para um. Em razão disso, alguns especialistas já discutem a possibilidade de a população idosa vir a superar a dos jovens no futuro, o que complicaria o equilíbrio da economia.

 



   
 
   
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