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Corte nos benefícios
Empresas
querem cortar auxílios
dados aos idosos. As companhias
aéreas americanas já começaram
Camila Antunes
Uma medida
anunciada recentemente pelas companhias Delta e American Airlines causou
certo alvoroço nas associações de idosos nos Estados
Unidos. As duas empresas decidiram cancelar o desconto oferecido no preço
da passagem aérea às pessoas com mais de 62 anos, que podia
superar os 10% sobre o valor do bilhete. Mais que uma atitude isolada
de um setor que atravessa uma séria crise desde os atentados terroristas
de 11 de setembro, a notícia provocou intenso debate sobre a redução
dos benefícios sociais concedidos aos mais velhos. Com o envelhecimento
da população mundial, tendência que se verifica principalmente
nos países ricos, começou a ficar caro manter o grande número
de benefícios a que tem direito a população. Nos
EUA, os idosos obtêm descontos em restaurantes, teatros e até
em academias de ginástica. Para a Previdência Social, a situação
é ainda mais preocupante. Cerca de 8% do PIB americano é
consumido pelos programas sociais do governo. Segundo cálculos
de especialistas, essa taxa será de 13% até 2020. Os empresários
acham que, se a sociedade passou a viver mais, os benefícios até
podem permanecer como estão. Mas deveriam ser concedidos a partir
de uma idade mais avançada que a de hoje. Como os velhos não
concordam, deu-se a discussão.
O governo
da França e o da Espanha também já discutem o enxugamento
dos benefícios, seja aumentando a idade mínima para a aposentadoria,
seja cortando uma parcela dos rendimentos dos idosos, principalmente dos
que recebem mais. No Japão, para equilibrar as contas da Previdência,
a idade mínima exigida para a aposentadoria saltou de 60 para 65
anos. Os defensores do corte desses benefícios alegam que há
duas formas de sustentar o atual pacote. Podem-se aumentar os impostos
ou cortar gastos em outras áreas. Caso não se queira nenhuma
das duas, a solução seria reduzir os benefícios atuais.
O envelhecimento
da população é um sintoma evidente de que o mundo
melhorou nos últimos anos. Além de viverem mais, os idosos
levam uma vida mais saudável. E não só pela introdução
de novos medicamentos e terapias. Nos Estados Unidos, eles estão
mais ricos que nunca. A renda média das famílias chefiadas
por americanos acima de 65 anos é de 157.000
dólares por ano, somando patrimônio, ações
e outros investimentos financeiros, quase o dobro da renda das famílias
que têm como chefe pessoas com idade entre 45 e 54 anos. Boa parte
dessa conta vem sendo paga pela Previdência, cuja receita advém
principalmente dos trabalhadores ativos. Com o aumento da longevidade
e a diminuição das taxas de natalidade, haverá menos
trabalhadores para cada aposentado. Até a década de 60,
para cada brasileiro aposentado existiam outros oito trabalhando. Hoje
a relação é de dois para um. Em razão disso,
alguns especialistas já discutem a possibilidade de a população
idosa vir a superar a dos jovens no futuro, o que complicaria o equilíbrio
da economia.
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