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O
problema é o teatro
"Se
Lula for eleito, não vai dar para
agüentar a proliferação de grupos
teatrais. Os
petistas ainda acham
que o teatro deve ser usado como
instrumento de transformação social"
O
maior perigo de uma eventual vitória de Lula não é
a moratória da dívida externa ou o retorno da hiperinflação.
Isso a gente tira de letra. O que não vai dar para agüentar
será a proliferação de grupos de teatro amador. Em
cada esquina haverá um ator improvisado, declamando seu monólogo.
O Brasil se transformará num gigantesco palco para milhões
de canastrões. Os petistas ainda cultivam a anacronística
e terrificante idéia de que o teatro deve ser usado como um instrumento
de transformação social. Onde quer que eles comandem, abundam
os espetáculos de teatro popular. Em Ribeirão Preto, a prefeitura
do PT colocou 300 adolescentes para interpretar sketches pedagógicos
sobre a dengue, em locais públicos, como ônibus e shopping
centers. O sindicato dos auditores fiscais, ligado ao PT, encenou peças
de protesto na frente do prédio da Receita, reivindicando um aumento
salarial de 63,83%. Em Porto Alegre, no Fórum Social Mundial, ativistas
recitaram um ato a favor da estatização da indústria
farmacêutica. Em São Paulo, a prefeita Marta Suplicy organizou
um psicodrama coletivo para discutir "O que você pode fazer para
ter uma feliz cidade". O evento mobilizou 8.000 moradores, que puseram
em cena suas angústias com a ajuda de psicodramatistas e ego-auxiliares.
Entusiasmada, a Federação Brasileira de Psicodrama descreveu
Marta Suplicy como uma "estrela-mãe, que irá gerar estrelas-bebês,
que continuarão a iluminar a navegação dos seres
humanos em crescimento".
Todos os grupos teatrais petistas seguem a cartilha do Teatro do Oprimido,
criado por Augusto Boal, nos anos 70, durante a ditadura militar. A prefeitura
de Santo André foi a mais ativa nesse setor. A partir de 1997,
em convênio com a equipe de Boal, passou a aplicar o Teatro do Oprimido
no contato com a população. Os grupos teatrais reuniam-se
regularmente em diversos pontos da cidade e dramatizavam "as relações
de poder, havendo um personagem oprimido que era impedido de realizar
seu desejo devido ao personagem opressor". Em seguida, o espectador era
incentivado a debater os problemas da cidade e a sugerir soluções.
O Teatro do Oprimido de Santo André chegou até a fazer um
Desfile do Orçamento Participativo, com samba-enredo, bateria e
alas temáticas, representando as maiores preocupações
da população. Não sei se o desfile fez alguma referência
às propinas da prefeitura ou se contou com carros alegóricos
em homenagem a Ronan Maria Pinto e Klinger Luiz de Souza, dois dos principais
acusados de corrupção na administração petista.
De acordo com seus fautores, as técnicas do Teatro do Oprimido
ajudam nos debates públicos porque favorecem a desinibição.
Estranho. Se há algo de que a população brasileira
não precisa é de mais desinibição. Pelo contrário:
um pouco mais de freio inibitório até nos faria bem. Também
acho que não necessitamos de mais teatro. Já se produzem
bobagens suficientes no Brasil. Muita gente se preocupa com o avanço
das igrejas evangélicas. Involuntariamente, porém, elas
trouxeram o benefício de fechar uma grande quantidade de teatros
inúteis, convertendo-os em templos. O risco que corremos agora
é que, com a vitória de Lula, o teatro brasileiro recupere
as forças e tome as ruas. Prepare-se. Ninguém estará
a salvo.
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