BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
REVISTAS
 

Livros
Um romance do bem

O Senhor March, da australiana Geraldine Brooks, expõe os
dramas humanos e a tensão racial da Guerra Civil americana.
No final, são os bons sentimentos que triunfam


Moacyr Scliar

Hulton archive/Getty Images
FICÇÃO SOBRE A FICÇÃO
Geraldine Brooks escreveu a respeito do personagem ausente de Mulherzinhas, de Louisa May Alcott (acima)


VEJA TAMBÉM
Exclusivo on-line
Trecho do livro

Um dos mais traumáticos episódios da história dos Estados Unidos, a Guerra Civil que opôs o Sul escravagista ao Norte abolicionista, entre 1861 e 1865, já foi abordada em inúmeros romances, livros de história, filmes. Compreensivelmente, é uma obsessão americana. Surpreende que uma australiana também tenha eleito o conflito para tema de uma obra de ficção, como fez a escritora Geraldine Brooks em O Senhor March (tradução de Marcos Malvezzi Leal; Ediouro; 304 páginas; 41,90 reais), vencedor do Prêmio Pulitzer de 2006. Mas Geraldine – que vive entre a Austrália e os Estados Unidos e goza de cidadania americana – abordou o episódio a partir de um interesse mais literário do que histórico. Seu livro faz ficção sobre a ficção, construindo um interessante romance paralelo ao enredo de Mulherzinhas, clássico da americana Louisa May Alcott (1832-1888) – que chegou a trabalhar como enfermeira na Guerra Civil.

Muitos americanos têm um vínculo emocional com a obra edificante e pacifista de Louisa. Com um forte fundo autobiográfico, Mulherzinhas acompanha a trajetória de quatro jovens irmãs. Foi publicado em dois volumes, e no primeiro o pai da família, o senhor March, está ausente: abolicionista fervoroso, é capelão do Exército da União durante a guerra. Geraldine Brooks – já conhecida no Brasil por As Memórias do Livro, que nos Estados Unidos foi publicado depois de O Senhor March – narra a história do ponto de vista do personagem que vai para a guerra. O senhor March passa por uma série de percalços e aventuras – sobrevive a um ferimento no campo de batalha, apaixona-se por uma escrava, convive com figuras famosas da cultura americana, como Ralph Waldo Emerson e Henry David Thoreau –, até, no final, se reunir novamente às filhas que ama. Narrado em ritmo ágil, O Senhor March é um romance histórico bem pesquisado, no qual se fazem presentes o drama humano e as tensões raciais da Guerra Civil. Passa ao largo de qualquer pieguice – mas, tal como em Mulherzinhas, neste livro os bons sentimentos triunfam. Um romance do bem.



Publicidade
 
Publicidade

 
  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |