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Salam aleikum para todos
Obama vai ao Oriente
Médio e diz o que todo mundo
já ouviu, mas talvez agora prestem mais atenção

Vilma Gryzinski
Stephen Crowley/The New
York Times
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Michael Moore deve
ter jogado o boné no chão e pisado em cima,
de raiva. Depois de dedicar quase um documentário inteiro
a insinuar tenebrosas conexões entre o clã Bush
e a petrorrealeza saudita, só pode ter sido muito duro
ver o presidente Barack Obama cheio de sala-maleques
diante do rei Abdullah. Sem contar a condecoração,
um tremendo colar de ouro de dar inveja à realeza do
rap. Ao contrário do que pensam Moore e similares,
Obama foi à Arábia Saudita atrás da mesma
commodity buscada por outros presidentes americanos: estabilidade
(petróleo também conta, e como, mas este não
existe sem aquela). A viagem ao Oriente Médio e a mensagem
dirigida, no Cairo, ao mundo muçulmano foram cercadas
pelas reações habituais: adoração
incondicional, entre os obamistas, e pavor irracional, do
outro lado, de que o presidente esteja cedendo demais. Esse
temor vem sempre precedido de intrigas sobre a origem de Obama.
Rememorando: o pai dele transmitiu o nome do meio tipicamente
muçulmano, Hussein, herdado do avô, um queniano
da tribo luo que se converteu ao Islã. Mas não
transmitiu crença alguma, pois abandonou a família
quando o pequeno Obama tinha 2 anos. A relação
próxima aconteceu quando a mãe dele, antropóloga,
se casou com um indonésio. Obama morou dos 6 aos 11
anos na intensamente muçulmana Indonésia. No
discurso do Cairo, o presidente repetiu o mais elementar bom
senso: os Estados Unidos não são inimigos dos
muçulmanos, é preciso haver um estado palestino
e este tem de viver em paz com Israel, o Irã pode ter
tecnologia nuclear para produzir energia, não bombas,
e os extremistas infernizam a vida de todos. Nada de novo,
mas com a diferença que Obama tem um imenso potencial
de convenci-mento. Vai funcionar? Inshallah.