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Leitor
Perigo atômico Excelente e esclarecedora
a reportagem "A bomba nas mãos de insanos"
(3 de junho). Realmente é assim que se apresentam ao
mundo os governantes norte-coreanos. Será que a única
forma que enxergam para extirpar a miséria de seu país
é através da autodestruição? Não
seria melhor abandonar os rumos que tomaram no pós-guerra
e seguir o caminho dos países emergentes em vez de
caminhar sozinhos rumo à autodestruição? A reportagem "A
bomba nas mãos de insanos" mostra com clareza
até onde podem ir a megalomania e a loucura de alguns
líderes. E o pior: num momento em que se fala tanto
em salvar o planeta e a economia. No início da era
nuclear, Albert Einstein afirmou que não sabia como
seria a III Guerra Mundial, mas garantiu que na IV Guerra
as armas seriam paus e pedras.
O mundo corre perigo
de uma nova crise atômica, porém com protagonistas
bem distantes de conceitos éticos. Governos instáveis
nas mãos de insanos e terroristas prontos a acionar
o gatilho. É lamentável
que um demente como esse norte-coreano ainda esteja no poder,
colocando o mundo em perigo real e imediato. Pena que ele
seja protegido pelos chineses e russos, dois povos extremamente
belicosos. Senti arrepios quando
pousei os olhos sobre a capa de VEJA. Perplexo, imaginei:
se a revista é capaz de produzir uma moldura tão
singular e fidedigna, imagine o quadro macabro que verei pintado
em suas páginas. As pessoas da minha
idade se lembram bem da Guerra Fria, mas nem todas sentem
saudade. Infelizmente, parece que a humanidade, como espécie,
ainda precisa encontrar a sua solução de sobrevivência.
"O presidente
Barack Obama precisa agir rápido, antes que o ditador
norte-coreano faça o mundo sentir saudade de George
W. Bush."
Japão Excelente a reportagem
"O gigante ferido" (3 de junho), sobre a situação
atual do Japão. Nós, japoneses, somos como uma
fênix. Um povo que já provou que pode ressurgir
das cinzas da guerra e das recessões econômicas.
A cada dificuldade por que passamos, ficamos mais fortes.
O Brasil teria de ter laços de amizade mais fortes
com países como o Japão, e não com os
que ameaçam a paz mundial, como a Coreia do Norte.
É um absurdo o Brasil abrir uma embaixada num país
desses. O gigante, mesmo
ferido, ajuda os menos favorecidos com repatriamento e desperta
nos mais favorecidos a necessidade de estudar pelo menos o
idioma, concretizando que precisam se adaptar à situação
do país, pois, nas atuais circunstâncias, ruim
aqui, pior se retornar.
Educação em Cingapura VEJA mais uma vez
publica uma excelente reportagem sobre educação
("Ensinar é para os melhores", 3 de junho).
O Brasil deveria copiar o modelo educacional de Cingapura,
que está entre os melhores do mundo. Aprendemos em
administração a técnica do "benchmarking"
padrão de excelência que deve ser identificado,
conhecido, copiado e ultrapassado. Como está explícito
no próprio texto, os métodos pedagógicos
e as técnicas utilizadas no Instituto Nacional de Cingapura
são ótimos para solucionar os problemas educacionais
nos países que não têm muito para investir.
VEJA cumpriu seu papel de informar, divulgar e sinalizar.
Espero que isso não passe despercebido aos olhos das
autoridades competentes que decidem sobre o que é melhor
para a educação brasileira. Vivemos num país
em pleno desenvolvimento. Somos donos de grandes empresas.
Representamos um grande mercado consumidor. Porém,
estamos crescendo sem ter uma base segura: a educação.
Como grandes exemplos de que a educação é
o caminho certo, temos a Coreia do Sul e Cingapura. O governo
brasileiro precisa pôr em prática um plano de
educação sério. É visível
que boa parte dos países descobriu o caminho para assegurar
seu desenvolvimento, e o Brasil, ainda não.
Benjamin Disraeli A frase "Nenhum
governo pode dizer que é um sucesso sem uma oposição
formidável" é tão atual que abraça
todo o artigo. Nisso, até Gladstone haveria de concordar
("O biógrafo de si mesmo", 3 de junho).
Roh Moo-hyun O suicídio
de Roh Moo-hyun, ex-presidente da Coreia do Sul, deveria servir
de exemplo para os políticos cá do Brasil ("Doutor
No dá adeus", Imagem da Semana, 3 de junho). Enquanto
lá os corruptos pegos com a mão na botija se
suicidam, aqui, via de regra, são promovidos e premiados.
CPI da Petrobras Ora, vejam! Renan
Calheiros (o chefe), Romero Jucá (o subchefe) e outros
nove senadores foram indicados para apurar possíveis
irregularidades na Petrobras ("Instalada a CPI do CQC",
3 de junho). Será que não estão amarrando
cachorro com linguiça? Com o histórico
de maracutaia que os envolve, os senadores Renan Calheiros
e Romero Jucá são os mais indicados para os
cargos de defesa do (des)governo Lula, na CPI da Petrobras:
são os campeões de fraudes. E aí, presidente
Lula, agora parte dos picaretas são seus parceiros
em quê? Como honestidade
não ganha eleição, teremos de engolir
essa matilha ainda por muito tempo.
Sucessão presidencial Um eventual pouco
recomendável terceiro mandato para Lula o colocaria
num pódio de aproximação com Getúlio
Vargas, que permaneceu quinze anos no poder (1930-1945). Uma
reeleição apenas parece de bom tamanho. Caso
queira um retorno, que ele se candidate em 2014, em meio aos
folguedos da Copa do Mundo acontecendo por aqui ("O golpe
dentro do golpe", 3 de junho). Repugna a quem quer
que tenha a exata noção do que significa viver
em uma democracia, mais ainda em uma democracia como a brasileira,
restabelecida a duras penas após vinte anos de ditadura
militar, a ideia de um terceiro mandato ou uma segunda reeleição
para presidente da República. É uma agressão
tamanha às regras comezinhas do estado de direito que
nem sequer poderia ser cogitada. Não era o
caso de quebra de decoro parlamentar do deputado federal Jackson
Barreto (PMDB-SE) por assinar por outros deputados ou duplicar
assinaturas? Estamos todos anestesiados com tanta falta de
ética.
Protógenes Queiroz A pior coisa para
o estado democrático de direito é seus agentes
usarem, de forma ilegítima, por meio da doutrina da
astúcia, o aparelho estatal para atingir objetivos
inimagináveis. VEJA já escreveu em outra reportagem
que, quando se cria um conluio entre o juiz, o Ministério
Público e o delegado de polícia, perde a sociedade,
que vê imperar a impunidade pelas mãos daqueles
que são pagos pelo estado para fazer exatamente o contrário
("Agora ele é réu", 3 de junho).
José Alencar É incrível
ver a força de vontade de um homem que luta pela vida.
A maratona de exames e cirurgias a que se submeteu José
Alencar serve como exemplo para aqueles que desanimam facilmente
em sua caminhada ("A força de Alencar", 3
de junho). Alencar já passou por várias dessas
situações, numa demonstração de
garra e vontade de viver. Mas, diante de tudo isso, faço
uma leitura do nosso sistema falido de saúde. Em nenhum
momento é citado que o nosso vice-presidente procurou
um hospital público para se tratar, o que prova que
estamos a anos-luz de uma saúde pública ideal
para todos os males.
Contardo Calligaris Parabéns
pela excelente entrevista com Contardo Calligaris (Amarelas,
3 de junho). Sua abordagem pontuou fielmente o conflito do
homem contemporâneo. Estava lendo a entrevista em voz
alta enquanto meu marido fazia a barba e, de repente, ele
parou na porta do banheiro para ouvir atentamente o que eu
lia. Foi aí que percebi que ele estava emocionado,
com os olhos cheios dágua. Então ele disse:
"Esse psicanalista conseguiu traduzir tudo o que eu sinto
e nunca consegui explicar". Parabéns
pela melhor entrevista das páginas amarelas dos últimos
anos. Toda mulher que quer ter um marido por muitos anos e
um casamento feliz deveria ler e reler essa entrevista. Em um mundo globalizado
e com tantas mudanças, os homens devem aprender com
as mulheres o que elas conseguiram conquistar. Um espaço
para somar, e não dividir. Acredito que ser homem nos
dias de hoje não é sofrer, mas aprender a ser
feliz convivendo com as mudanças. Os homens são
seres emocionalmente frágeis, delicados, dependentes
da aceitação e do estímulo de suas consortes.
O acesso ao coração do homem é simples
e foi decifrado por Camille Paglia, já em 1991: basta
elogiá-lo o tempo todo. Eis o que Calligaris tão
oportunamente redescobriu. Depois de ler a
entrevista, senti vontade de pegar um tacape e sair grunhindo
por aí. Devo ser algum tipo de troglodita, pois não
me enquadro em nenhuma dessas características do "homem
contemporâneo" relatadas na entrevista. Aliás,
não conheço ninguém tão cheio
de dilemas e angústias assim. Esses homens que se sentem
frustrados por não serem um Indiana Jones, ou que se
sentem sufocados pelas mulheres, devem ter sido criados pela
avó, jogando bolinha de gude no carpete para não
se sujar. A esses senhores, o Analista de Bagé certamente
diria: "Deixa de frescura!". O homem descrito
na entrevista me parece um ser irreal, tão irreal quanto
um super-herói ou um príncipe encantado. Ele
gostaria de trabalhar de batmóvel, vestido com a capa
do Zorro, deixando em casa a Bela Adormecida. A realidade
está mais para Shrek e sua esposa Fiona. Saber lidar
com limitações e frustrações faz
parte da vida de todo ser humano. Sabe que me identifiquei
com alguns dos atributos masculinos descritos por Contardo
Calligaris? É muito mais legal dizer que parti em busca
de provisão alimentar para mim e minha família
do que simplesmente dizer que fui ao supermercado.
Lya Luft A escritora Lya
Luft descreve com maestria os absurdos e excessos do mundo
em que vivemos ("É o fim do mundo", 3 de
junho). O Brasil sofre com as mazelas sociais, mas no desabafo
da escritora percebemos que caminhamos para o abismo da mazela
moral e ética. As aberrações impostas
hoje como padrões pela sociedade deturpam os valores
e disseminam a mediocridade entre homens e mulheres. Estamos
diante da perda de identidade, de uma geração
individualista e ignorante que nos empurra a passos largos
para o fim do mundo. O artigo nos leva
a refletir sobre o rumo que estamos dando a nossa vida. É
notório como supervalorizamos certas futilidades e
nos tornamos selvagens e insensíveis diante de fatos
como a fome e o descaso que milhares de pessoas sofrem todos
os dias. Estamos ficando desumanos, sofremos mais por um animal
do que por uma criança que tem fome.
Correções: ao contrário do que informou a reportagem "A bomba nas mãos de insanos" (3 de junho), o primeiro teste nuclear indiano se deu em 1974, e não em 1998. Na reportagem "Uma corte mais parecida com o país" (3 de junho), foi publicada de forma equivocada a mesma legenda para as duas fotos das manifestações contra e a favor do aborto. O avião King Air B350 que caiu em Trancoso era um bimotor (turboélice), e não um jatinho, como foi publicado na reportagem "Tragédia no sul da Bahia" (3 de junho). Na reportagem "Nada se cria, tudo se imita" (3 de junho), o personagem Pavel Checov, tripulante (navegador) da nave Enterprise, da série Jornada nas Estrelas, é chamado erroneamente de Dr. Checov. A foto que abre a reportagem "O crédito volta à cena" (página 76, 3 de junho) é do presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine.
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