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Cinema Enfim,
um acerto Missão: Impossível
é a boa notícia no ano horribilis
de Tom Cruise 
Isabela Boscov
Fotos divulgação  |
| O astro, no terceiro filme da série: não, não é uma bomba
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Tom Cruise acha que o último
ano foi ótimo para ele e só Tom Cruise acha isso. O astro
se diz feliz porque se apaixonou pela atriz Katie Holmes; o resto do mundo lembra
dele aos pulos no sofá da apresentadora Oprah Winfrey e desconfia da veracidade
do romance. Cruise cravou uma de suas melhores bilheterias com Guerra dos Mundos;
mas foi de indelicadeza atroz para com o estúdio e o diretor Steven Spielberg
ao usar as entrevistas de promoção do filme para papaguear sobre
a cientologia. Em 18 de abril nasceu Suri, a filha do casal; e antes mesmo do
parto (realizado, pobre Katie, em silêncio absoluto, como requer a religião
de seu marido) circulavam rumores de que o astro pretendia consumir a placenta
do bebê, por ser "nutritiva". (Ele desmente, mas o teor do boato indica
o nível de bizarrice que o público hoje identifica nele.) Entre
tantas manifestações de instabilidade, porém, Cruise teve
ao menos um lampejo de lucidez: a escolha de J.J. Abrams, o criador das séries
Alias e Lost, como diretor de Missão: Impossível
III (Mission: Impossible III, Estados Unidos, 2006), em cartaz
no país desde sexta-feira.
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| Abrams, o criador de Alias e Lost: o mérito
é dele | Abrams, de
39 anos, é novato no cinema. Mas ninguém diria. Além do talento
para tirar todo o proveito da tela grande, ele traz uma objetividade e uma fluidez
no encadeamento de trama e ação que, hoje, são raras em Hollywood,
mas indispensáveis para a sobrevivência na televisão. Missão:
Impossível III não pára nem um minuto e, no entanto,
nunca deixa a sensação de que todo aquele frenesi é gratuito.
Da mesma forma que em seus seriados, Abrams confere credibilidade ao inverossímil.
Seu maior acerto é a atenção que ele dedica aos coadjuvantes.
Ou, em outras palavras, a forma diplomática com que redistribui o peso
do protagonista entre os outros atores. Mesmo os desempenhos pequenos são
decisivos, e três deles quase valem sozinhos o filme: o de Laurence Fishburne
como o chefe de Cruise, o de Philip Seymour Hoffman como o vilão e o do
inglês Simon Pegg, de Todo Mundo Quase Morto, como o indefectível
especialista em assuntos tecnológicos.
O curioso é que Cruise e a Paramount optaram por não exibir o filme
para a imprensa com a antecedência de praxe. Costumeiramente, essa é
uma tática que visa a atrasar a publicação de resenhas pelo
maior prazo possível, de forma a não prejudicar na bilheteria as
chances de uma produção ruim. Mas Missão: Impossível
III não tem nada a esconder. Ao contrário. J.J. Abrams é
de longe a melhor coisa que aconteceu para Cruise nesse seu ano horribilis
que apenas na opinião dele foi mirabilis. |