Edição 1955 . 10 de maio de 2006

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Cinema
Enfim, um acerto

Missão: Impossível é a boa notícia
no ano horribilis de Tom Cruise


Isabela Boscov


Fotos divulgação
O astro, no terceiro filme da série: não, não é uma bomba

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Trailer do filme

Tom Cruise acha que o último ano foi ótimo para ele – e só Tom Cruise acha isso. O astro se diz feliz porque se apaixonou pela atriz Katie Holmes; o resto do mundo lembra dele aos pulos no sofá da apresentadora Oprah Winfrey e desconfia da veracidade do romance. Cruise cravou uma de suas melhores bilheterias com Guerra dos Mundos; mas foi de indelicadeza atroz para com o estúdio e o diretor Steven Spielberg ao usar as entrevistas de promoção do filme para papaguear sobre a cientologia. Em 18 de abril nasceu Suri, a filha do casal; e antes mesmo do parto (realizado, pobre Katie, em silêncio absoluto, como requer a religião de seu marido) circulavam rumores de que o astro pretendia consumir a placenta do bebê, por ser "nutritiva". (Ele desmente, mas o teor do boato indica o nível de bizarrice que o público hoje identifica nele.) Entre tantas manifestações de instabilidade, porém, Cruise teve ao menos um lampejo de lucidez: a escolha de J.J. Abrams, o criador das séries Alias e Lost, como diretor de Missão: Impossível III (Mission: Impossible III, Estados Unidos, 2006), em cartaz no país desde sexta-feira.

Abrams, o criador de Alias e Lost: o mérito é dele

Abrams, de 39 anos, é novato no cinema. Mas ninguém diria. Além do talento para tirar todo o proveito da tela grande, ele traz uma objetividade e uma fluidez no encadeamento de trama e ação que, hoje, são raras em Hollywood, mas indispensáveis para a sobrevivência na televisão. Missão: Impossível III não pára nem um minuto – e, no entanto, nunca deixa a sensação de que todo aquele frenesi é gratuito. Da mesma forma que em seus seriados, Abrams confere credibilidade ao inverossímil. Seu maior acerto é a atenção que ele dedica aos coadjuvantes. Ou, em outras palavras, a forma diplomática com que redistribui o peso do protagonista entre os outros atores. Mesmo os desempenhos pequenos são decisivos, e três deles quase valem sozinhos o filme: o de Laurence Fishburne como o chefe de Cruise, o de Philip Seymour Hoffman como o vilão e o do inglês Simon Pegg, de Todo Mundo Quase Morto, como o indefectível especialista em assuntos tecnológicos.

O curioso é que Cruise e a Paramount optaram por não exibir o filme para a imprensa com a antecedência de praxe. Costumeiramente, essa é uma tática que visa a atrasar a publicação de resenhas pelo maior prazo possível, de forma a não prejudicar na bilheteria as chances de uma produção ruim. Mas Missão: Impossível III não tem nada a esconder. Ao contrário. J.J. Abrams é de longe a melhor coisa que aconteceu para Cruise nesse seu ano horribilis – que apenas na opinião dele foi mirabilis.

 
 
 
 
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