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Justiça Condenado
e solto Pimenta Neves é sentenciado
a dezenove anos de prisão. Mas saiu livre  Victor
Martino
Marcio
Fernandes/AE
 | | Pimenta
Neves saindo do julgamento: a lei penal brasileira pode reduzir sua pena |
Na semana passada, a Justiça condenou o jornalista Antonio Marcos Pimenta
Neves a dezenove anos, dois meses e doze dias de prisão pelo assassinato
da também jornalista Sandra Gomide, sua ex-namorada, um crime que chocou
o país. Há seis anos, Pimenta Neves seguiu Sandra, que tinha 32
anos, até um haras no interior de São Paulo e atirou na moça.
Testemunhas ouviram-na implorar pela vida e, em seguida, os disparos. Pimenta
Neves confessou o crime, mas só permaneceu sete meses na cadeia. Graças
a manobras de advogados renomados, conseguiu protelar o julgamento. Mesmo condenado,
poderá continuar livre enquanto seus advogados recorrem da sentença
e, depois do julgamento do recurso, é provável que ele não
cumpra a pena integralmente. Graças à inacreditável Lei de
Execuções Penais, seus advogados devem tentar reduzir o tempo de
Pimenta Neves na prisão a apenas três anos. Se isso ocorrer, ele
precisará passar apenas mais três em regime semi-aberto, no qual
é necessário dormir na cadeia, antes de conquistar a liberdade.
Pimenta Neves ainda pode obter benefícios pela sua idade. Em fevereiro
do próximo ano, ele completará 70 anos e, com isso, poderá
requisitar a redução da pena.
Epitácio
Pessoa/AE
 | Sandra:
morta pelo então diretor do jornal O Estado de S. Paulo |
Quando
Pimenta Neves assassinou Sandra, ele exercia o cargo de diretor de redação
de O Estado de S. Paulo. Antes disso, ocupou cargos de chefia no grupo
Folha e dirigiu a Gazeta Mercantil, período no qual conheceu Sandra.
O relacionamento durou três anos. Pimenta Neves trocou a Gazeta pelo
O Estado de S. Paulo, levou a namorada junto e a nomeou editora de economia.
Cansada das brigas com o namorado, Sandra rompeu com ele. Pimenta Neves a demitiu
e passou a persegui-la. Duas semanas antes de ser morta, Sandra deu queixa à
polícia: o ex-namorado havia invadido sua casa e a ameaçara de morte.
O comportamento violento do jornalista ajudou a promotoria a provar que Sandra
foi assassinada por um motivo torpe, a vingança, e não teve chance
de defesa, já que foi baleada pelas costas.
O Brasil tem um lamentável histórico de impunidade em crimes como
esse. Até os anos 70, os homens que agrediam ou matavam suas mulheres conseguiam
se safar completamente da Justiça com a simples alegação
de que haviam sido traídos. As decisões dos tribunais só
começaram a mudar em 1976, depois que o playboy Doca Street assassinou
a tiros sua namorada, Ângela Diniz. Em um primeiro julgamento, ele foi considerado
inocente. Movida por uma forte reação feminista, a promotoria apelou
e ele acabou condenado. Mesmo assim, Street passou apenas seis anos na cadeia.
Em 2005, o ex-playboy anunciou uma autobiografia intitulada Mea Culpa,
na qual expressa seu remorso. A exemplo do playboy, o jornalista também
se diz arrependido. Mas o seu livro Pimenta Neves poderia escrever na cadeia,
ao longo de dezenove anos, dois meses e doze dias. |