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Copa O
reinado tem de durar
Ronaldinho
Gaúcho, o melhor jogador do momento, está no auge. A questão
é como mantê-lo assim por mais um mês, com a seleção
 André
Fontenelle
Manu
Fernandez/AP
 | | Ronaldinho
Gaúcho no Barcelona: cinqüenta jogos na temporada até chegar
à Copa |
No próximo dia 17, Ronaldinho
Gaúcho pode coroar um ano perfeito com seu time, o Barcelona, da Espanha.
O craque brasileiro disputa em Paris a decisão da Liga dos Campeões,
o torneio de clubes mais cobiçado da Europa. Na semana passada, o Barcelona
já havia conquistado o campeonato espanhol, pelo segundo ano consecutivo,
graças às atuações brilhantes de Ronaldinho. Paradoxalmente,
elas são ao mesmo tempo motivo de esperança e preocupação
para os responsáveis pela seleção brasileira, a apenas um
mês do início da Copa do Mundo. Como a preparação física
no clube espanhol foi voltada para que sua estrela chegasse ao auge da forma neste
momento, teme-se que ele desembarque na Alemanha cansado e propenso a lesões.
Nas últimas semanas, ele se queixou de dores musculares. "Nos clubes sempre
se faz uma projeção para atingir o melhor momento no final da competição.
Cabe a nós tentar prolongar essa condição", diz o preparador
físico da seleção brasileira, Moraci Sant'Anna.
Real
Madrid/Reuters
 | | Robinho
durante exame: o objetivo é estar na forma ideal no fim da temporada |
O problema é diferente para quem joga no Brasil porque o calendário
do futebol não coincide com o europeu. Na Europa, os campeonatos começam
em agosto e terminam em maio, enquanto aqui eles vão de janeiro a dezembro.
Por isso, para os jogadores que atuam no exterior, a Copa do Mundo acontece durante
o que seriam as suas férias. Ronaldinho Gaúcho chegará à
Alemanha com pelo menos 51 partidas nas costas. Kaká, do Milan, terá
ainda mais (veja quadro).
Isso significa um jogo a cada cinco dias, aproximadamente. Todo o problema está
relacionado a uma questão fisiológica. O músculo é
como um elástico. Exercícios e alongamentos tornam os músculos
dos atletas "elásticos" mais resistentes que os das demais pessoas. Repetido
periodicamente, porém, o esforço provoca uma fadiga muscular. Por
essa razão, é difícil manter um jogador no auge por mais
que dois meses. Sabendo disso, o próprio Barcelona vem poupando Ronaldinho
Gaúcho de algumas partidas, para não correr o risco de perdê-lo
na mais importante de todas, a final parisiense do dia 17, contra o Arsenal, da
Inglaterra. Disputar a Copa com um
time exausto é um problema antigo para as seleções européias
e relativamente novo para a brasileira. Como nesta Copa do Mundo, pela primeira
vez na história, os onze titulares de Carlos Alberto Parreira jogam no
futebol europeu, o Brasil passou a ter a mesma dificuldade dos rivais.
No passado, era tal a folga do calendário que a seleção podia
dispor dos atletas com meses de antecedência. Assim, eles treinavam exclusivamente
para chegar à Copa com o preparo ideal. Foi o que ocorreu, por exemplo,
em 1970, quando os convocados ficaram quatro meses juntos treinando. Na decisão,
em que derrotaram a Itália por 4 a 1, era evidente a superioridade física
dos brasileiros sobre os adversários. Agora, em vez de quatro meses, a
seleção terá apenas três semanas para entrar em forma.
O temor do excesso de jogos leva o
técnico Parreira a torcer contra seus comandados. Quando o Real Madrid,
no qual jogam os convocáveis Roberto Carlos, Ronaldo, Cicinho, Júlio
Baptista e Robinho, foi eliminado precocemente da Liga dos Campeões, o
treinador comemorou. Isso representou cinco partidas a menos para cada um desses
jogadores. Até lesões podem ter um lado bom. Ronaldo está
parado há um mês, por causa de dores na coxa direita. Por essa razão,
disputou apenas 38 partidas até a semana passada. "Minha preparação
para a Copa será uma espécie de pré-temporada", diz Ronaldo
(veja entrevista).
Pré-temporada, como indica o nome, é o período de treinamento
que antecede os campeonatos quando os jogadores estão descansados mas ainda
sem o condicionamento ideal. Os 23
jogadores que Parreira vai convocar no dia 15 se apresentam na semana seguinte.
Passarão por uma bateria de exames para avaliar como está a forma
física de cada um. A carga de treinos da maioria dos jogadores será
apenas o suficiente para que mantenham um bom condicionamento físico. Para
chegar ao hexacampeonato, o Brasil terá de disputar sete partidas em 26
dias. Por isso, entre um jogo e outro, os treinos serão leves, evitando
a sobrecarga. Entre as técnicas recentes empregadas para recuperar o atleta
em um intervalo de apenas quatro dias está a crioterapia, chamada pelos
jogadores de "banho de gelo". Depois de uma partida, eles mergulham em uma banheira
com água a 8 graus, o que acelera a liberação das toxinas
acumuladas nos músculos depois de noventa minutos de esforço.
Na concentração, cada jogador terá, na medida do possível,
uma programação de treinos individual. "É preciso levar em
conta casos como o de Ronaldinho Gaúcho, que terá menos dias de
descanso que os demais, e a idade de jogadores como Cafu e Roberto Carlos", diz
o preparador Moraci Sant'Anna. O caso de Cafu, sobretudo, exigirá atenção.
Recordista de jogos pela seleção (atuou em 137 partidas), sempre
foi conhecido pelo excelente preparo físico, mas enfrentou um ano atribulado,
com duas lesões sérias e uma cirurgia recente no joelho esquerdo.
Neste ano, participou de somente 29 jogos. Outro veterano da equipe, Roberto Carlos,
32 anos, deve chegar à Alemanha sem problemas, e acredita que o cansaço
fica em segundo plano diante da importância da competição.
"A Copa do Mundo te motiva. Então, não é hora de descansar."
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