Edição 1955 . 10 de maio de 2006

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Copa
O reinado tem
de durar

Ronaldinho Gaúcho, o melhor
jogador do momento, está
no auge. A questão é como
mantê-lo assim por mais
um mês, com a seleção


André Fontenelle

 

Manu Fernandez/AP
Ronaldinho Gaúcho no Barcelona: cinqüenta jogos na temporada até chegar à Copa

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Especial: Copa 2006

No próximo dia 17, Ronaldinho Gaúcho pode coroar um ano perfeito com seu time, o Barcelona, da Espanha. O craque brasileiro disputa em Paris a decisão da Liga dos Campeões, o torneio de clubes mais cobiçado da Europa. Na semana passada, o Barcelona já havia conquistado o campeonato espanhol, pelo segundo ano consecutivo, graças às atuações brilhantes de Ronaldinho. Paradoxalmente, elas são ao mesmo tempo motivo de esperança e preocupação para os responsáveis pela seleção brasileira, a apenas um mês do início da Copa do Mundo. Como a preparação física no clube espanhol foi voltada para que sua estrela chegasse ao auge da forma neste momento, teme-se que ele desembarque na Alemanha cansado e propenso a lesões. Nas últimas semanas, ele se queixou de dores musculares. "Nos clubes sempre se faz uma projeção para atingir o melhor momento no final da competição. Cabe a nós tentar prolongar essa condição", diz o preparador físico da seleção brasileira, Moraci Sant'Anna.

Real Madrid/Reuters
Robinho durante exame: o objetivo é estar na forma ideal no fim da temporada


O problema é diferente para quem joga no Brasil porque o calendário do futebol não coincide com o europeu. Na Europa, os campeonatos começam em agosto e terminam em maio, enquanto aqui eles vão de janeiro a dezembro. Por isso, para os jogadores que atuam no exterior, a Copa do Mundo acontece durante o que seriam as suas férias. Ronaldinho Gaúcho chegará à Alemanha com pelo menos 51 partidas nas costas. Kaká, do Milan, terá ainda mais (veja quadro). Isso significa um jogo a cada cinco dias, aproximadamente. Todo o problema está relacionado a uma questão fisiológica. O músculo é como um elástico. Exercícios e alongamentos tornam os músculos dos atletas "elásticos" mais resistentes que os das demais pessoas. Repetido periodicamente, porém, o esforço provoca uma fadiga muscular. Por essa razão, é difícil manter um jogador no auge por mais que dois meses. Sabendo disso, o próprio Barcelona vem poupando Ronaldinho Gaúcho de algumas partidas, para não correr o risco de perdê-lo na mais importante de todas, a final parisiense do dia 17, contra o Arsenal, da Inglaterra.

Disputar a Copa com um time exausto é um problema antigo para as seleções européias e relativamente novo para a brasileira. Como nesta Copa do Mundo, pela primeira vez na história, os onze titulares de Carlos Alberto Parreira jogam no futebol europeu, o Brasil passou a ter a mesma dificuldade dos rivais.

No passado, era tal a folga do calendário que a seleção podia dispor dos atletas com meses de antecedência. Assim, eles treinavam exclusivamente para chegar à Copa com o preparo ideal. Foi o que ocorreu, por exemplo, em 1970, quando os convocados ficaram quatro meses juntos treinando. Na decisão, em que derrotaram a Itália por 4 a 1, era evidente a superioridade física dos brasileiros sobre os adversários. Agora, em vez de quatro meses, a seleção terá apenas três semanas para entrar em forma.

O temor do excesso de jogos leva o técnico Parreira a torcer contra seus comandados. Quando o Real Madrid, no qual jogam os convocáveis Roberto Carlos, Ronaldo, Cicinho, Júlio Baptista e Robinho, foi eliminado precocemente da Liga dos Campeões, o treinador comemorou. Isso representou cinco partidas a menos para cada um desses jogadores. Até lesões podem ter um lado bom. Ronaldo está parado há um mês, por causa de dores na coxa direita. Por essa razão, disputou apenas 38 partidas até a semana passada. "Minha preparação para a Copa será uma espécie de pré-temporada", diz Ronaldo (veja entrevista). Pré-temporada, como indica o nome, é o período de treinamento que antecede os campeonatos quando os jogadores estão descansados mas ainda sem o condicionamento ideal.

Os 23 jogadores que Parreira vai convocar no dia 15 se apresentam na semana seguinte. Passarão por uma bateria de exames para avaliar como está a forma física de cada um. A carga de treinos da maioria dos jogadores será apenas o suficiente para que mantenham um bom condicionamento físico. Para chegar ao hexacampeonato, o Brasil terá de disputar sete partidas em 26 dias. Por isso, entre um jogo e outro, os treinos serão leves, evitando a sobrecarga. Entre as técnicas recentes empregadas para recuperar o atleta em um intervalo de apenas quatro dias está a crioterapia, chamada pelos jogadores de "banho de gelo". Depois de uma partida, eles mergulham em uma banheira com água a 8 graus, o que acelera a liberação das toxinas acumuladas nos músculos depois de noventa minutos de esforço.

Na concentração, cada jogador terá, na medida do possível, uma programação de treinos individual. "É preciso levar em conta casos como o de Ronaldinho Gaúcho, que terá menos dias de descanso que os demais, e a idade de jogadores como Cafu e Roberto Carlos", diz o preparador Moraci Sant'Anna. O caso de Cafu, sobretudo, exigirá atenção. Recordista de jogos pela seleção (atuou em 137 partidas), sempre foi conhecido pelo excelente preparo físico, mas enfrentou um ano atribulado, com duas lesões sérias e uma cirurgia recente no joelho esquerdo. Neste ano, participou de somente 29 jogos. Outro veterano da equipe, Roberto Carlos, 32 anos, deve chegar à Alemanha sem problemas, e acredita que o cansaço fica em segundo plano diante da importância da competição. "A Copa do Mundo te motiva. Então, não é hora de descansar."

 

 
 
 
 
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