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Tecnologia
Notícias portáteis Jornais
começam a testar suas versões digitais enviadas via internet
e visualizadas em papel eletrônico 
Rafael Corrêa
Divulgação  |
PRÁTICO E LEVE
Jornal digital com tela flexível: pode ser dobrado e enrolado como
os de papel |
Há tempos se prevê que
os jornais convencionais, impressos em papel, ganharão versões eletrônicas
exibidas em telas portáteis. Esse projeto com ares futuristas está,
pode-se dizer, deixando de ser futuro. Desde o início do ano, diversos
jornais em vários países iniciaram testes. O primeiro a circular
no novo formato, em fase experimental, é o belga De Tijd, especializado
em economia. Há duas semanas, o jornal entregou telas portáteis,
os chamados e-readers, a 200 de seus assinantes. Nos próximos três
meses, esses leitores vão receber as notícias através de
conexão sem fio com a internet, lendo-as como se estivessem impressas nos
jornais convencionais. A tela dos e-readers é dotada de papel eletrônico,
conhecido como e-paper. Essa tecnologia utiliza milhões de cápsulas
microscópicas preenchidas com pigmentos claros e escuros que se movimentam
quando ativados por uma corrente elétrica. Conforme a intensidade da corrente,
os pigmentos mudam de posição dentro da cápsula e a imagem
se forma por contraste na superfície da tela. "A vantagem do papel eletrônico
é que ele permite uma leitura mais confortável e menos cansativa
do que nas telas de cristal líquido", disse a VEJA Nico Verplancke, gerente
de pesquisa do instituto belga IBBT, parceiro do De Tijd no projeto da
versão eletrônica do jornal.
The New York Times  |
NOTÍCIAS DA FRANÇA
Versão do diário parisiense Les Echos para o e-reader:
lançamento nos próximos meses | Os
projetos de jornais eletrônicos surgiram no fim dos anos 90, quando foram
lançados os primeiros e-readers, destinados à leitura de livros,
mas não seguiram adiante porque os aparelhos disponíveis na época
eram pesados e desajeitados. Com o papel eletrônico, os e-readers ficaram
mais leves e práticos. Como a eletricidade não é necessária
para manter a imagem na tela, consomem menos energia das baterias, permitindo
mais horas de leitura entre as recargas. A tela de papel eletrônico não
apresenta aqueles reflexos indesejáveis que, em locais muito iluminados,
atrapalham a leitura das telas de cristal líquido que equipam laptops,
palms e celulares. O primeiro modelo de e-reader com papel eletrônico, o
Librié, foi lançado pela Sony em 2004, mas, pouco funcional, o produto
naufragou no mercado. No começo deste ano, a companhia japonesa lançou
uma versão mais moderna do Librié, o Sony Reader, que deve ser utilizada
pelos jornais eletrônicos.
Divulgação  |
JÁ NAS RUAS
Jornal belga De Tijd: 200 leitores já testam a tela portátil.
Para atualizá-la, basta apertar um botão |
Para seu programa piloto, o jornal De Tijd optou pelo e-reader iLiad, recém-lançado
pela iRex Technologies, uma antiga subsidiária da Philips. O aparelho utiliza
papel eletrônico como tela e lê praticamente todos os tipos de documentos
digitais, como arquivos de texto e do tipo PDF. Os leitores podem se conectar
a qualquer momento em busca de novas notícias, seja através de uma
rede sem fio doméstica, seja de redes públicas como as disponíveis
nos cibercafés e aeroportos. Basta apertar um botão para que o jornal
seja atualizado automaticamente. A tela do iLiad é um pouco menor que uma
folha de papel A4 dobrada ao meio, com 12,2 centímetros de largura por
16,3 de altura. O aparelho pesa 390 gramas e sua espessura é de apenas
1,6 centímetro. Além de armazenar até trinta edições
eletrônicas do Tijd, o iLiad permite que se façam anotações
sobre os textos. O dispositivo reconhece a escrita feita sobre a tela com uma
caneta do tipo stylus, semelhante à dos palms. "As pessoas já se
acostumaram a andar com celulares, laptops, iPods e câmeras digitais. O
jornal eletrônico é mais um item nessa lista", disse a VEJA Hans
Brons, presidente da iRex.
Além
de servir como atrativo para leitores mais jovens, habituados a buscar notícias
na internet, o jornal eletrônico elimina custos com papel, impressão
e distribuição. Diários de grande circulação,
como o americano The New York Times, o inglês The Daily Telegraph
e o espanhol El País, também estão testando dispositivos
eletrônicos semelhantes ao do De Tijd. Em março deste ano,
o jornal francês Les Echos apresentou um protótipo de versão
eletrônica feito para o e-reader da Sony. "É uma evolução
inevitável", disse a VEJA o francês Bruno Rives, presidente da consultoria
Tebaldo, que ajudou a desenvolver o protótipo. Outros jornais preferem
esperar o aperfeiçoamento das telas flexíveis, que podem ser enroladas
ou até mesmo dobradas. A tecnologia foi desenvolvida por várias
empresas, entre elas a inglesa Plastic Logic e a holandesa Polymer Vision. Consiste
em utilizar altas temperaturas para colar o circuito do papel eletrônico
a um filme de plástico bem fino, tornando-o flexível. Esse tipo
de tela está em fase de testes em protótipos e deve ser colocado
à venda até o fim de 2007. "A tela flexível traz inúmeras
possibilidades de design para o jornal, coisas que nem sequer poderíamos
imaginar antes", diz Hans Brons, da iRex. Alguns jornais também esperam
a chegada de papéis eletrônicos coloridos. O iLiad da iRex trabalha
com preto e branco, oferecendo até dezesseis tons de cinza, mas já
existem versões de telas coloridas e flexíveis em teste. É
improvável que as telas eletrônicas venham a substituir totalmente
a versão impressa dos jornais, mas certamente serão uma alternativa
atraente. |