Edição 1955 . 10 de maio de 2006

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Divertimento
Game para maiores

Animadas com o sucesso do Sudoku,
empresas estão investindo em jogos
de raciocínio para adultos


Laura Ming

 

Divulgação
BRAIN AGE (NINTENDO): exercícios com números, imagens e palavras que "rejuvenescem" o cérebro

Os pais tanto reclamaram que os fabricantes reagiram: a novidade no mundo dos games são jogos que exercitam, além dos polegares, o raciocínio. Essa é a parte boa. A ruim é que os maiores adeptos provavelmente serão... os próprios pais. Reciclagem de antigas modalidades, os jogos apelam para o público, digamos, adulto. Bem adulto. Sucesso no Japão, onde 2 milhões de cópias foram comercializadas em um ano, e figurando entre os dez jogos mais vendidos, o Brain Age: Train Your Brain in Minutes a Day (Idade Cerebral: Exercite o Cérebro em Poucos Minutos por Dia) acena com a promessa mirabolante de rejuvenescer a mente do usuário. Desenvolvido pelo japonês Ryuta Kawashima, um campeão de vendas da área genericamente chamada de exercício cerebral, em parceria com a Nintendo, o Brain Age é um cartucho de videogame portátil que mistura jogos de memória com questões de matemática e de literatura, apresentadas e explicadas por um cientista virtual. Ao final da jornada, o jogador tem não só o total de pontos como também a sua "idade cerebral" (sendo vinte anos a mais almejada).

 

Toshiyuki Aizawa/Reuters
PRACTICAL INTELLIGENCE (PLAYSTATION):
100 quebra-cabeças para medir a "inteligência prática"

A idéia do Brain Age surgiu no ano passado, quando diretores da Nintendo perceberam que ninguém de sua faixa etária jogava videogame, mas quase todo mundo havia se rendido aos joguinhos de lógica do tipo do Sudoku, o desafio de disposição numérica que virou mania planetária. "Quando jogos como esse ganham popularidade, corremos para encontrar um jeito de, através deles, ampliar nosso público", diz a Nintendo, que já programa o lançamento de outros dois games de raciocínio: o Big Brain Academy, que, além de testar diferentes habilidades do jogador, vai compará-las à performance de celebridades na área, e o Sudoku Grindmaster, versão adiantada do jogo original. Na mesma linha, a Sony lançou para seu Playstation o PQ: Practical Intelligence Quotient, cujo propósito é medir uma modalidade utilitária de QI: utilizando cubos, em 100 quebra-cabeças, o jogador tem de descobrir a melhor maneira de abrir caminhos e fugir de labirintos e de raios laser. Os resultados podem ser publicados na internet e comparados com os de outros jogadores. "Como recompensa, o PQ identifica um índice de inteligência de verdade", diz Yoji Takenaka, vice-presidente da D3 Publisher of America, que desenvolveu o jogo. Um terceiro game do gênero, o IQ Academy, é exclusivo de aparelhos celulares. Quase todos eles chegaram neste ano à Europa e aos Estados Unidos, e, nas últimas semanas, importadores brasileiros começaram a receber as primeiras encomendas. Aos interessados, um aviso: sendo em inglês, e utilizando freqüentemente recursos de voz e de escrita, os jogos de raciocínio exigem pronúncia excelente e grafias tipicamente americanas. Quem não se enquadra já sai, de cara, com a inteligência prejudicada.

 
 
 
 
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