Edição 1955 . 10 de maio de 2006

Índice
Millôr
Stephen Kanitz
Diogo Mainardi
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Veja essa
Gente
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Cartas

 
"Anthony Garotinho iniciou sua
campanha com tudo o que há
de mais podre na política."

Daniel Merege
Cerquilho, SP

Anthony Garotinho

Merecem o nosso respeito aqueles que produzem uma reportagem esclarecedora para a sociedade votante deste país ("A face oculta de Garotinho", 3 de maio). Vamos acabar com os populistas travestidos de bons garotinhos.
João Sandes Filho
Montes Claros, MG

O sentimento ao ver a capa de VEJA da última semana foi de euforia, pois nós que vivemos próximos do distrito eleitoral de Garotinho sabemos das suas politicagens há algum tempo. Por isso a felicidade ao saber que todos no Brasil agora têm conhecimento desses fatos. O pré-candidado Garotinho é a representação máxima do político que não queremos mais ver no comando da nação.
Ronaldo Assis de Oliveira
Rio das Ostras, RJ

Sensacional a capa da edição 1 954. Entendo que o candidato "teflon" (em que nada adere) tem escapado das acusações elencadas na reportagem utilizando-se das ONGs (piratas) para pagar mensalões e assim adquirir uma blindagem. Resta saber até quando o casal permanecerá intocável. A esperança é que o "teflon" seja de péssima qualidade, assim como seu governo.
Eduardo Valadares
Rio de Janeiro, RJ

Sou evangélico. A capa de VEJA retrata corretamente o que sempre vi no senhor Garotinho – ou será Marotinho? – e na sua esposa, a governadora do estado do Rio de Janeiro. A Bíblia nos adverte a respeito de pessoas como eles: "...se apresentam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores".
Marcos Vieira de Souza
Belo Horizonte, MG

Esse Garotinho é muito levado mesmo... Deixou a casa toda bagunçada, não fez o dever de casa e agora está fazendo até greve de fome. Cuidado que a "urna-sem-cabeça" vem te pegar, menino!
Geremias Estevão
Joinville, SC

A atitude patética de Garotinho ao menos teve um lado inovador: mesmo tendo mordomias, mimos e altos salários, foi possível ver um político passando fome no Brasil.
Aurelio Minerbo
Barueri, SP

Ao se lançar pré-candidato à Presidência pelo PMDB, um partido recheado de oportunistas, Garotinho está encontrando uma grande resistência. Os espertinhos que dominam o PMDB não querem repartir o território com mais um espertalhão.
Wilson Gordon Parker
Nova Friburgo, RJ

Tenho a esclarecer que não possuo feudo no governo do estado; não aceito comparação com pessoas denunciadas no escândalo do mensalão como chefes de quadrilha; não morei às expensas de ninguém, já que pagava aluguel.
Eduardo Cunha
Deputado federal (PMDB-RJ)
Rio de Janeiro, RJ

 

Bolsa Família

Com relação à reportagem sobre o programa Bolsa Família, do governo federal, a revista mostrou exatamente o lado que faltava ser mostrado. É muito bonito distribuir dinheiro público para famílias pobres, muito embora os métodos de avaliação de pobreza sejam questionáveis e pouco fiscalizados. Ainda que fossem perfeitos os métodos e as avaliações, isso não estimula que essas famílias continuem sem buscar algo melhor pelo seu próprio esforço? Parece-me uma forma legal de compra de votos com o dinheiro público. Uma reforma tributária, e na legislação trabalhista, que diminuísse a incrível taxa de até 102% que uma empresa chega a recolher de impostos sobre o salário de seu funcionário traria um benefício real à economia do país, colocaria mais gente trabalhando, mas com certeza não traria o benefício eleitoreiro do "Esmola Família" ("A moeda eleitoral de Lula", 3 de maio).
Amaury de Athayde Junior
Curitiba, PR

É lamentável que, em pleno século XXI, cidadãos brasileiros se conformem com o Bolsa Família e, pior, achem bom. Mas essa esmola que o governo está dando vem acabando com a auto-estima do cidadão. Senhor presidente, lembre-se do ditado: não dê o peixe, ensine a pescar. Se continuar assim, o senhor não terá de onde tirar o peixe. Estamos no limite.
Adriane Alessi
Bento Gonçalves, RS

Na semana passada, tive oportunidade de conversar com um jovem de 17 anos, morador de um dos bairros mais carentes da cidade, sobre esses programas do governo. Ele me contou que engravidou uma jovem após uma noitada. A garota, grávida de quatro meses, está recebendo o Bolsa Escola, também um programa de pão e leite da prefeitura, apesar de não freqüentar a escola. Certamente virão outros benefícios. Em tom de brincadeira, ele nos contou que são muitos os casos semelhantes. Atualmente, ele está tentado a engravidar outra jovem com quem está ficando. "O governo toma conta", brinca. Quando ouvi aquilo, pus-me a pensar no futuro do nosso país. Particularmente do Nordeste e da Paraíba. Vergonha não se tem mais neste país. Agora, o que nos resta, a não ser a indignação, é uma resposta à altura nas urnas.
Wladimy Morais Farias
Campina Grande, PB

O sistema de acompanhamento da freqüência escolar dos alunos beneficiários do Bolsa Família mostra que cerca de 97% dos 10 milhões de crianças entre 6 e 15 anos cumprem a exigência de assistir a pelo menos 85% das aulas, conforme levantamento de outubro e novembro de 2005. O governo não tem desprezado o controle das exigências, mas aperfeiçoado o sistema de acompanhamento. Nos dois últimos levantamentos foram apontados os motivos que levam os alunos beneficiados a não ir à escola, como violência doméstica, gravidez precoce e negligência dos pais. Esses dados, com nomes e endereços das famílias, foram encaminhados às prefeituras, aos conselhos tutelares e ao Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) para que providências sejam tomadas por essas instituições e os alunos voltem à escola. Até janeiro de 2006, 45.000 famílias tiveram seus benefícios cancelados por várias razões. O MDS também notificou, por carta, 24.000 famílias cujas crianças não estavam freqüentando a escola. Mais do que puni-las, o governo trabalha para que elas voltem às aulas.
Roberta Caldo
Chefe da assessoria de imprensa
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome
Brasília, DF

 

Renato Mezan

A perspicaz análise de Renato Mezan (Amarelas, 3 de maio) acerca da condição da psicanálise na cultura e da pífia figura do presidente Lula lembra Freud e um dos episódios do "folclore" psicanalítico. Diz-se que, quando convidado a apresentar suas idéias aos americanos, no início do século passado, Freud teria afirmado: "Mal sabem eles que lhes trago a peste". Sabe-se que ele jamais proferiu tal afirmação, apesar de ter intuído as desvirtuações que seu pensamento sofreria em solo americano. A metáfora da peste pode ser útil para destacar esses dois pontos da entrevista do psicanalista paulista. Os efeitos da impregnação da cultura ocidental pela psicanálise, para o bem e para o mal, atestam sua radical condição pestilenta, como demonstra Mezan. E, no tocante aos brasileiros que insistem em continuar iludidos em relação à condição messiânica do chefe da nação, só resta torcer para que a peste que o patético Lula e o PT alastraram não tenha o caráter de uma eterna permanência.
Marinella Morgana de Mendonça Psicanalista
Belo Horizonte, MG

Excelente a entrevista com o psicanalista Renato Mezan: objetiva, esclarecedora, concisa e transparente. No entanto, quero dizer que, quando o entrevistado afirma, referindo-se à psiquiatria, que "...em vez de apenas receitar remédios que aliviam os sintomas", está equivocado, pois em inúmeros casos clínicos os medicamentos psiquiátricos agem diretamente nas causas orgânicas da doença mental, não tendo simplesmente a finalidade de aliviar os sintomas existentes. Concordo, no entanto, que a psicanálise tem ajudado muito a psiquiatria clínica no entendimento da psicodinâmica do paciente, sendo um excelente complemento no trabalho do psiquiatra.
Edson F. Nascimento
Psiquiatra e psicoterapeuta
Ribeirão Preto, SP

Fiquei duplamente satisfeito em relação à entrevista com Renato Mezan nas páginas amarelas: pela excelência do conteúdo e pela elegância na forma de abordagem, além do fato de valorizar minha tese de doutorado, em que coloco Freud como aquele que intuiu a existência de neurotransmissores (que ele chamou de "substâncias intermediárias"), em seu trabalho citado por Mezan ("Projeto para uma psicologia científica", de 1895).
Wilson Daher
Psiquiatra e professor de história da medicina da Faculdade de Medicina
São José do Rio Preto (SP)

 

Roberto Pompeu de Toledo

Enquanto lia o ensaio de Pompeu "Os brasileiros – uma nova interpretação" (3 de maio), ia imaginando a leitura do mesmo texto feita pelo presidente do INSS, Valdir Moysés Simão. Imaginava a vergonha e o constrangimento desse cidadão por haver dito tamanha imbecilidade em relação ao atendimento no órgão previdenciário do Brasil. Obrigado, Pompeu, por nos presentear com mais esse ensaio. Realmente, essa turma do PT, paradoxalmente, acaba nos auxiliando a ganhar presentes assim.
Dener Serafim Mattar
Passos, MG

Quando será que esses apaniguados do Partido Transparente enxergarão o óbvio? Senhor Valdir Moysés Simão, transmude-se em simples usuário do INSS, dirija-se a um posto de atendimento e veja se vossa senhoria divisará, nessas filas, mera "questão cultural"! O atendimento deixa muito a desejar em todos os sentidos. É muito simples: se não chegar cedo, não há atendimento.
Geraldo Pereira de Barros
Barra Mansa, RJ

Ao chegar aos 71 anos de uma vida pautada pelo "politicamente correto", desiludida com toda essa baixaria da nossa classe política, devo dizer que Pompeu foi mordazmente sutil, mas penso que a turma dos "40 mais seu comandante-em-chefe" não terá o alcance suficiente para enfiar a carapuça. É uma pena.
Anna Katharina H. Nader
Guarujá, SP

Esclareço que, na reportagem veiculada no Jornal Nacional da Rede Globo no último dia 24, ao me referir à "questão cultural", em nenhum momento quis transferir a responsabilidade das filas para o nosso segurado. Na realidade, esse é um problema interno do INSS. Desde o início do ano estamos implementando uma série de ações para melhorar nosso atendimento.
Valdir Moysés Simão
Presidente do Instituto Nacional do Seguro Social
Brasília, DF

 

Diogo Mainardi

Caro Diogo, estamos nós, brasileiros honestos, perdendo a luta contra esse governo, ou, seria melhor dizer, contra a quadrilha que se instalou em Brasília? Diariamente escândalos são publicados e nada, nadinha de concreto acontece. Ninguém é realmente punido, ninguém vai para a cadeia e principalmente ninguém perde o patrimônio que roubou à nação ("Pedi o impeachment de Lula", 3 de maio).
Maury Fonseca Bastos
Belo Horizonte, MG

Por muito menos Fernando Collor foi banido do governo. O que impede o impeachment de Lula? É muito estranho! Mesmo que o processo demore, um dia conseguiremos banir, no mínimo por oito anos, a figura do sapo-cego-surdo da política nacional.
José Luiz de Jesus Salgado
Rio de Janeiro, RJ

 

Claudio de Moura Castro

A reforma da educação não depende de um setor, ou de alguns setores da sociedade, mas de um comprometimento de todos. Quando você se propõe a ensinar para valer, é barrado pelas atuais políticas educacionais que mimam e emburrecem a população ("Precisamos de uma crise", Ponto de vista, 26 de abril).
Cida Calistro, professora
Mongaguá, SP

 

Contexto

A liderança do Partido Verde na Câmara dos Deputados informa que o deputado Vittorio Medioli (PV-MG), injustamente colocado por VEJA na coluna Contexto da edição 1954 ("Os ausentes nas votações dos mensaleiros", 3 de maio) como um parlamentar que teria "fugido mais vezes para não cassar os colegas", na realidade está há semanas sob cuidados médicos intensivos em Belo Horizonte, devido a enfermidade grave, conforme documentação fornecida à Câmara para a devida licença médica. Ao contrário do que diz a revista, o deputado não fugiu de suas responsabilidades. Na verdade, ele gostaria muito de ter estado presente a todas as sessões, para acompanhar a orientação de sua bancada, que tem votado sistematicamente pela cassação de parlamentares denunciados pelo Conselho de Ética, inclusive abrindo o voto em plenário para mostrar a cédula com o "sim".
João Arnolfo Carvalho
Assessor de imprensa da Liderança do PV
Brasília, DF

 

Justiça

Cumprimento VEJA pela reportagem "É a copiadora, ministros!" (3 de maio), que nos alerta não apenas sobre a morosidade dos processos judiciais e sua contribuição para o clima de pizza e impunidade, mas também sobre as soluções inteligentes e disponíveis para o problema, citando a reprografia em quarenta cópias autenticadas. Porém, advirto que, se fosse feita uma digitalização (com scanner) e assinatura digital da cópia com certificado ICP Brasil, já amplamente utilizada pelo governo, o custo seria ainda quarenta vezes menor, e seus benefícios, ampliados.
André Lemos
Belo Horizonte, MG

Outra solução bem factível e econômica seria digitalizar as 5.000 páginas do processo e gravá-las em um DVD-ROM. Por esse procedimento, o custo, excluindo a mão-de-obra, que existiria em qualquer um dos casos seria de somente 5 reais, enquanto uma cópia completa do processo, a 80 centavos a folha, totalizaria 400 reais. Ou seja, geraria uma economia de 395 reais por cópia – 15.800 reais no total. Com isso, a parte interessada poderia optar por ler o processo na tela do computador ou imprimi-lo, a seu custo.
Ronaldo Borges de Oliveira
Goiânia, GO

 

Animais silvestres

É com apreensão e repulsa que a Associação Protetora dos Animais de São Caetano do Sul (APASCS) recebeu a informação de que o Ibama tornará fiéis depositários do animal silvestre os responsáveis pelo crime de subtração desses animais de seu habitat. Chamar de "guardião da fauna" um traficante da vida silvestre é um ultraje! Esperamos que o órgão se retrate e recolha essa norma imediatamente ("O Ibama fez uma piada de mau gosto", 3 de maio).
Mercedes Sanches Graça
Presidente da APASCS
São Caetano do Sul, SP

Vimos a público manifestar nosso apoio ao senhor Dener Giovanini, biólogo da Rede de Combate ao Tráfico de Animais, no seu repúdio à proposta de resolução do Ibama que permite que pessoas que mantêm animais silvestres em cativeiro, obtidos de forma ilegal, recebam o título de "guardiães da fauna" e possam legalizar seu crime.
Elizabeth Mac Gregor
Gerente regional WSPA-Brasil
Sociedade Mundial de Proteção Animal
Rio de Janeiro, RJ

 

Adega climatizada

Oportuna a reportagem "Frigobar de rico" (3 de maio). Porém, não concordo que as adegas climatizadas citadas sejam simplesmente geladeiras para ricos. Elas facilitam e contribuem para a maturação e exacerbação das propriedades dos vinhos, além de propiciar bons momentos de degustação no conforto da sala de estar.
Liliosa Resende Teixeira
Poços de Caldas, MG

 

Greve da Anvisa

Para cada morto devido à desastrada greve da Anvisa deveria haver um grevista na cadeia. Desabafo de uma vítima, ainda viva, da tal greve ("Eles param, o povo sofre", 3 de maio).
Lenisio Bragante
João Pessoa, PB

 

Veja essa

Sujeito esperto, esse presidente do INSS (Veja essa, 3 de maio). Só ele percebeu o tanto que gostamos de amanhecer nas filas para marcar consulta médica.
Helcio Murad
Santa Rita do Sapucaí, MG

CORREÇÕES: No quadro Desce (Radar, 3 de maio), a popularidade do presidente George W. Bush é a menor desde 2001, e não desde 2000. A foto publicada no alto da página 50, na reportagem "A face oculta de Garotinho" (edição 1 954, de 3 de maio), é de Geraldo Pudim, candidato derrotado nas últimas eleições para a prefeitura de Campos dos Goytacazes (RJ). * Linus Torvalds, criador do Linux, é finlandês, e não sueco (Gente, 3 de maio). A foto da cidade alemã que ilustrou a reportagem "O cidadão de si mesmo" (3 de maio) não é de Dresden, como foi publicado, mas de Colônia.

 

E O "ALI BABÁ"?

Mais da metade dos 277 leitores que comentaram a reportagem de capa "O sujeito oculto" (19 de abril) trocariam a chamada de capa ("O bando dos 40") por outra. "O título deveria ser: 'Ali Babá e os 40 ladrões'. Qualquer semelhança é mera coincidência?", escreveu Maria Aparecida Moreira da Costa Máximo, de São José dos Campos, em São Paulo. A seguir, as chamadas mais sugeridas pelos leitores:

Ali Babá e os 40 ladrões: 103 cartas

Ali Babá e o bando dos 40: 23 cartas

Lula Babá e os 40 ladrões: 9 cartas

Lula Babá e o bando dos 40: 7 cartas

Ali Lulá e os 40 ladrões: 6 cartas

Ali Lulá e o bando dos 40: 4 cartas

Outras sugestões: 8 cartas

 

GREVE DE FOME

O cartunista Vascoli (identidade artística da dupla Ivan Vasconcellos e Magela Oliveira), de Passos, Minas Gerais, descobriu por que o ex-governador fluminense Anthony Garotinho não quer comer:

 
 
 
 
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