Edição 1 648 -10/5/2000

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Tudo se recria

Está difícil emplacar um artista?
Remix nele

Marcelo Marthe

Divulgação
Rita Lee: CD só com sucessos antigos em versão tecno

Artistas com desempenho pífio nas paradas? Há um santo remédio. Velhos sucessos pedindo recauchutagem? É tônico rejuvenescedor de primeira. Está-se falando do remix – música retrabalhada por produtores e disc-jóqueis para ficar mais dançante, moderninha e palatável que o original. Inventado nos Estados Unidos, o remix chegou ao país na década de 80, numa febre passageira, e renasceu há cinco anos. Hoje, é um truque disseminado. As gravadoras recorrem a ele quando precisam dar um empurrão em artistas encalhados. "Se a coisa complica, eles chamam a gente", diz Anisio Oliveira, o DJ Cuca, especialista nesse tipo de trabalho. Outra das utilidades do remix é que ele permite reciclar o acervo das companhias. A veterana Rita Lee é um bom exemplo desse procedimento. Acaba de chegar às lojas um disco com sucessos seus vertidos para o som bate-estaca.

 
Eduardo Albarello
DJ Cuca: cachês de 5 000 dólares para fazer milagre nas paradas

O passe da roqueira pertence à gravadora Universal, mas o CD foi lançado pela concorrente EMI, que detém os direitos de músicas como Lança Perfume e Baila Comigo. Para fazer seu trabalho, os DJs isolaram a voz de Rita e a colocaram em meio a novos arranjos eletrônicos. O instrumental das canções originais foi quase todo desprezado. Ou seja, criaram uma nova embalagem para um produto que já deu muito lucro e o revenderam. Um dos primeiros a entrar nessa onda foi o Kid Abelha. Três anos atrás, quando as vendagens andavam mal, sua gravadora encomendou três remixes, incluindo o sucesso Pintura Íntima. O grupo torceu o nariz, mas funcionou tanto que a música ficou entre as dez mais tocadas em rádios como Jovem Pan e Transamérica. E a banda, quem diria, terminaria lançando um CD todinho assim. Pouco depois, vieram discos similares de Marina Lima, Capital Inicial e até um póstumo de Cazuza. Os papas do remix faturam alto. Os cachês chegam a 5.000 dólares por música – fora a participação nas vendas, que pode elevar essa cifra às alturas. Não é à toa. Profissionais como o produtor Memê e o DJ Cuca têm sido responsáveis pela salvação de carreiras claudicantes. Segundo Memê, o segredo é simples: "Fazemos milagres".