Edição 1 648 -10/5/2000

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Rapaziada desinibida

Autor de Uga Uga lança mão de um truque
na busca pelo sucesso – galãs seminus


Fernando Martinho

Martins, um veterano das tramas libidinosas de Lombardi: sempre suado


Para fisgar as mulheres, que tradicionalmente compõem a maioria do público das novelas das 7, o autor Carlos Lombardi escreveu Uga Uga, que estréia nesta segunda-feira, na Rede Globo. O folhetim trará um desfile constante de rapazes bonitos, com corpos desenvolvidos na razão inversa de seus cérebros – tudo à vista, sem o incômodo do excesso de roupas. O ponto de partida do enredo é o índio louro Tatuapu, vivido pelo ex-paquito Cláudio Heinrich. Esse Mogli oxigenado é, na realidade, o neto de um milionário. Perdido na infância, ele foi criado por silvícolas. O avô consegue localizá-lo, mas outros parentes querem impedir que ele receba sua herança. Daí, surgem muitas correrias e perseguições.

Não que isso realmente importe. O que chama mesmo a atenção é o visual de Heinrich: músculos anabolizados, revelados em toda a sua amplidão por uma tanga que só lhe cobre a parte da frente. O bumbum desnudo vai de brinde. "Todo mundo está acostumado a ver mulheres pouco vestidas. Por que não homens?", pergunta Lombardi, com uma objetividade cativante. "No horário das 7, as mulheres mandam. Se a novela só tiver mulher pelada, elas não vão gostar", acrescenta. Nem por isso faltarão beldades do sexo feminino. O autor promete que a louraça Danielle Winits aparecerá mais voluptuosa do que nunca, perdida na selva e com o vestido "ridiculamente rasgado".

 
Divulgação
Roberto Valverde

De ex-paquito a índio louro: a tanga de Heinrich não dá conta de tanta anatomia

Heitor Martinez: playboy cafajeste

Com essa esperteza, a Globo pretende vitaminar o ibope do horário, já que a fraca Vila Madalena terminou oscilando na casa dos 35 pontos, um desempenho medíocre para os padrões da casa. A julgar pela performance alcançada por Lombardi em Quatro por Quatro, de 1995, a emissora tem razão para se animar. Pioneira no estilo "quanto menos roupa, melhor", a novela chegava aos 47 pontos de audiência. Naquela época, o casal Babalu e Raí, interpretado por Letícia Spiller e Marcelo Novaes, vivia no vídeo uma explosão de desejo dentro de trajes sumários. Ela sempre de minissaia e miniblusa. Ele, só de calção. Humberto Martins era um médico que, em casa, só andava de shortinho. No hospital, de jaleco aberto, mostrava o peito cabeludo.

Gays – Novaes e Martins voltam à ribalta em Uga Uga, sempre muito suados e tirando a camiseta sob qualquer pretexto. Luciano Szafir aparece, logo de cara, numa seqüência praiana – para colocar a falta de roupa num "contexto", claro. O elenco de galãs sensuais é completado pelo ator Heitor Martinez Mello, que faz um playboy cafajeste e protagonizará calientes cenas de alcova. "Os personagens do Lombardi sentem muita atração uns pelos outros. Então, é natural que a libido esteja acentuada nesta novela", diz o diretor-geral Wolf Maya, com aquela perspicácia que lhe é peculiar. Além das mulheres, há outro público interessadíssimo no novo folhetim global – os gays. Entre o pessoal do terceiro sexo, Uga Uga deve virar atração obrigatória. A novela, aliás, renderá aos editores de revistas de homem pelado um farto material a ser explorado. Que bonitão de Uga Uga tem o Uga Uga maior? Só o tempo dirá.

 
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