Osso cósmico
Cientistas fotografam o mais extravagante
asteróide identificado no sistema solar
AFP
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| Kleopatra 216, visto de vários
ângulos: "osso" metálico feito de ferro
e níquel |
A astronomia acaba de revelar ao mundo imagens intrigantes
de um corpo celeste que gira numa órbita entre Marte
e Júpiter. O asteróide, treze vezes maior
que a cidade de São Paulo, é idêntico
a um osso e já foi considerado pelos cientistas a
forma mais esdrúxula já vista no espaço.
Ninguém consegue explicar como essa enorme rocha
metálica, conhecida como Kleopatra 216, tomou essa
forma. A hipótese mais provável é a
de que seja uma lasca resultante da colisão entre
dois outros asteróides. Ou ainda dois microplanetas
que se grudaram. Descoberto em 1880, o Kleopatra bóia
no espaço a 171 milhões de quilômetros
da Terra e nunca havia sido fotografado com tal grau de
detalhamento. A composição metálica,
provavelmente níquel e ferro, auxiliou os pesquisadores
a captar a imagem. Sinais de radar originados no Observatório
de Arecibo, em Porto Rico, foram enviados ao espaço
viajando à velocidade da luz e refletidos de volta
para a Terra assim que atingiram a pedra metálica.
O retrato foi finalizado posteriormente com a ajuda de programas
de computação gráfica.
Por que a natureza produziu esse objeto gigante e metálico
com uma forma tão peculiar? A melhor resposta a essa
pergunta foi dada pelo matemático polonês radicado
nos Estados Unidos Benoit Mandelbrot. Ele é um dos
criadores da chamada matemática fractal, um ramo
da ciência que usa computadores poderosos para estudar
mecanismos de design, inclusive os da natureza. O termo
fractal deriva do latim fractus, que significa segmento
ou pedaço. Mandelbrot propôs a teoria de que
a natureza, diferentemente do que se imagina, tem soluções
de desenho repetitivas. Mandelbrot e seus computadores chegaram
à conclusão de que qualquer concepção
gráfica produzida pela natureza, se devidamente fracionada
com a ajuda de computadores, pode ser reduzida a um número
finito de soluções. Isso vale tanto para um
osso quanto para um meteoro.
A criatividade da natureza não é infinita.
Ao contrário, a criação no mundo natural
tende a repetir suas formas nas mais diversas situações.
Na natureza funções diferentes podem produzir
formas idênticas, a ponto de um osso e um corpo celeste
terem os mesmos contornos. O couro do elefante visto através
de uma lupa tem contornos idênticos às ondulações
provocadas pelo vento nas dunas do Deserto do Saara. As
raízes de algumas árvores se propagam pela
terra numa disposição muito parecida com o
delta de um rio visto do espaço por um satélite.
O mesmo design aparece na maneira como os raios se dispersam
no céu, que é a mesma forma encontrada pelas
artérias para envolver o coração.
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