Edição 1 648 -10/5/2000

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Osso cósmico

Cientistas fotografam o mais extravagante
asteróide identificado no sistema solar

 
AFP
Kleopatra 216, visto de vários ângulos: "osso" metálico feito de ferro e níquel

A astronomia acaba de revelar ao mundo imagens intrigantes de um corpo celeste que gira numa órbita entre Marte e Júpiter. O asteróide, treze vezes maior que a cidade de São Paulo, é idêntico a um osso e já foi considerado pelos cientistas a forma mais esdrúxula já vista no espaço. Ninguém consegue explicar como essa enorme rocha metálica, conhecida como Kleopatra 216, tomou essa forma. A hipótese mais provável é a de que seja uma lasca resultante da colisão entre dois outros asteróides. Ou ainda dois microplanetas que se grudaram. Descoberto em 1880, o Kleopatra bóia no espaço a 171 milhões de quilômetros da Terra e nunca havia sido fotografado com tal grau de detalhamento. A composição metálica, provavelmente níquel e ferro, auxiliou os pesquisadores a captar a imagem. Sinais de radar originados no Observatório de Arecibo, em Porto Rico, foram enviados ao espaço viajando à velocidade da luz e refletidos de volta para a Terra assim que atingiram a pedra metálica. O retrato foi finalizado posteriormente com a ajuda de programas de computação gráfica.

Por que a natureza produziu esse objeto gigante e metálico com uma forma tão peculiar? A melhor resposta a essa pergunta foi dada pelo matemático polonês radicado nos Estados Unidos Benoit Mandelbrot. Ele é um dos criadores da chamada matemática fractal, um ramo da ciência que usa computadores poderosos para estudar mecanismos de design, inclusive os da natureza. O termo fractal deriva do latim fractus, que significa segmento ou pedaço. Mandelbrot propôs a teoria de que a natureza, diferentemente do que se imagina, tem soluções de desenho repetitivas. Mandelbrot e seus computadores chegaram à conclusão de que qualquer concepção gráfica produzida pela natureza, se devidamente fracionada com a ajuda de computadores, pode ser reduzida a um número finito de soluções. Isso vale tanto para um osso quanto para um meteoro.

A criatividade da natureza não é infinita. Ao contrário, a criação no mundo natural tende a repetir suas formas nas mais diversas situações. Na natureza funções diferentes podem produzir formas idênticas, a ponto de um osso e um corpo celeste terem os mesmos contornos. O couro do elefante visto através de uma lupa tem contornos idênticos às ondulações provocadas pelo vento nas dunas do Deserto do Saara. As raízes de algumas árvores se propagam pela terra numa disposição muito parecida com o delta de um rio visto do espaço por um satélite. O mesmo design aparece na maneira como os raios se dispersam no céu, que é a mesma forma encontrada pelas artérias para envolver o coração.

 
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Da internet
  Jet Propulsion Laboratory