Pódio turbinado
Vasco se transforma num império
em esportes
olímpicos contratando estrelas internacionais
Ronaldo França
Antonio Milena
 |
| Time de basquete do Barueri:
a cruz-de-malta em São Paulo |
Quando a pira olímpica for acesa na Austrália,
em setembro, dando início aos Jogos de Sydney, mais
de 220 atletas brasileiros estarão presentes. Cerca
de sessenta quase 30% do total serão patrocinados
pelo Vasco da Gama, clube do Rio de Janeiro mais conhecido
nos estádios de futebol que nas pistas de atletismo.
Não será por acaso. Há dois anos o
clube carioca se dedica a reunir o maior time de estrelas
jamais visto em uma única agremiação.
Com isso, tornou-se um fenômeno do esporte. Hoje patrocina
atletas em 22 das 32 modalidades olímpicas, entre
masculinas e femininas. Vestem a sua camisa alguns dos melhores
do mundo. É o caso do cavaleiro Rodrigo Pessoa, do
nadador Gustavo Borges, do iatista Torben Grael, das campeãs
mundiais de vôlei de praia Shelda e Adriana. O tetracampeão
mundial de bodyboarding Guilherme Tâmega é
outro que circula mundo afora com a bênção
da cruz-de- malta, o símbolo vascaíno. Também
no Brasil o poderio do clube não respeita fronteiras.
Há um ano, participa do campeonato paulista de basquete,
numa parceria com o Barueri, time da Grande São Paulo,
e neste ano disputa também a Liga Nacional.
No império vascaíno, o sol permanece bem
mais que doze horas no céu. Os atletas são
patrocinados para continuar treinando onde lhes for mais
favorável, seja no Brasil, na Europa ou nos Estados
Unidos. Na natação, existem núcleos
espalhados por trinta cidades brasileiras. O patrocínio
de grandes atletas olímpicos não chega a ser
uma novidade no país. Muito antes do Vasco, clubes
como Minas Tênis, Pinheiros e Flamengo já tinham
atuação destacada em esportes amadores. O
que chama a atenção para o Vasco é
o volume de dinheiro que está sendo investido. São
3 milhões de reais por mês, mais de três
vezes o que gasta o Flamengo, o segundo clube que mais investe
em esportes amadores.
Oscar Cabral
 |
| Tâmega: estrela mundial dá
brilho ao clube carioca |
O dinheiro vem das receitas obtidas com o futebol. Ou seja,
cada vez que o atacante Romário faz um gol, engorda
a conta bancária dos amadores. "O clube pode fazer
isso porque tem suas contas em dia. Ninguém do futebol
reclama", garante o vice-presidente, Eurico Miranda. A gritaria
acontece do lado de fora dos muros. "O clube está
inflacionando o mercado", reclama a ex-campeã de
natação Patrícia Amorim, hoje responsável
pela modalidade no arqui-rival Flamengo. Um nadador vascaíno
chega a ganhar dez vezes mais que os concorrentes. O temor
generalizado é de que depois das Olimpíadas
o Vasco se desfaça dos patrocínios e muitos
atletas fiquem na lona.
Mas pelo menos os principais não precisam temer.
Torben Grael tem contrato assegurado até 2004. Ou
seja, daqui a duas Olimpíadas. E, se valer lógica
econômica, esse medo não deverá ter
fundamento. A grandiosidade do projeto vascaíno nasce
da possibilidade de faturamentos milionários com
a cessão do uso da marca. A idéia é
faturar alto com merchandising em produtos. Quem faz os
contratos com os atletas é a empresa Vasco da Gama
Licenciamentos, criada pelo patrocinador do clube, o Bank
of America. Cada vez que um deles sobe ao pódio,
conquista mais torcedores. O crescimento da torcida traz,
a reboque, um número maior de consumidores potenciais
dos produtos com a marca cruzmaltina. Enquanto os outros
clubes engatinham na profissionalização, o
Vasco está batendo recordes na competição
do marketing esportivo.
Saiba
mais |
|
|
|