Edição 1 648 -10/5/2000

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Pódio turbinado

Vasco se transforma num império em esportes
olímpicos contratando estrelas internacionais

Ronaldo França

 
Antonio Milena
Time de basquete do Barueri: a cruz-de-malta em São Paulo

Quando a pira olímpica for acesa na Austrália, em setembro, dando início aos Jogos de Sydney, mais de 220 atletas brasileiros estarão presentes. Cerca de sessenta – quase 30% do total – serão patrocinados pelo Vasco da Gama, clube do Rio de Janeiro mais conhecido nos estádios de futebol que nas pistas de atletismo. Não será por acaso. Há dois anos o clube carioca se dedica a reunir o maior time de estrelas jamais visto em uma única agremiação. Com isso, tornou-se um fenômeno do esporte. Hoje patrocina atletas em 22 das 32 modalidades olímpicas, entre masculinas e femininas. Vestem a sua camisa alguns dos melhores do mundo. É o caso do cavaleiro Rodrigo Pessoa, do nadador Gustavo Borges, do iatista Torben Grael, das campeãs mundiais de vôlei de praia Shelda e Adriana. O tetracampeão mundial de bodyboarding Guilherme Tâmega é outro que circula mundo afora com a bênção da cruz-de- malta, o símbolo vascaíno. Também no Brasil o poderio do clube não respeita fronteiras. Há um ano, participa do campeonato paulista de basquete, numa parceria com o Barueri, time da Grande São Paulo, e neste ano disputa também a Liga Nacional.

No império vascaíno, o sol permanece bem mais que doze horas no céu. Os atletas são patrocinados para continuar treinando onde lhes for mais favorável, seja no Brasil, na Europa ou nos Estados Unidos. Na natação, existem núcleos espalhados por trinta cidades brasileiras. O patrocínio de grandes atletas olímpicos não chega a ser uma novidade no país. Muito antes do Vasco, clubes como Minas Tênis, Pinheiros e Flamengo já tinham atuação destacada em esportes amadores. O que chama a atenção para o Vasco é o volume de dinheiro que está sendo investido. São 3 milhões de reais por mês, mais de três vezes o que gasta o Flamengo, o segundo clube que mais investe em esportes amadores.

 

Oscar Cabral
Tâmega: estrela mundial dá brilho ao clube carioca


O dinheiro vem das receitas obtidas com o futebol. Ou seja, cada vez que o atacante Romário faz um gol, engorda a conta bancária dos amadores. "O clube pode fazer isso porque tem suas contas em dia. Ninguém do futebol reclama", garante o vice-presidente, Eurico Miranda. A gritaria acontece do lado de fora dos muros. "O clube está inflacionando o mercado", reclama a ex-campeã de natação Patrícia Amorim, hoje responsável pela modalidade no arqui-rival Flamengo. Um nadador vascaíno chega a ganhar dez vezes mais que os concorrentes. O temor generalizado é de que depois das Olimpíadas o Vasco se desfaça dos patrocínios e muitos atletas fiquem na lona.

Mas pelo menos os principais não precisam temer. Torben Grael tem contrato assegurado até 2004. Ou seja, daqui a duas Olimpíadas. E, se valer lógica econômica, esse medo não deverá ter fundamento. A grandiosidade do projeto vascaíno nasce da possibilidade de faturamentos milionários com a cessão do uso da marca. A idéia é faturar alto com merchandising em produtos. Quem faz os contratos com os atletas é a empresa Vasco da Gama Licenciamentos, criada pelo patrocinador do clube, o Bank of America. Cada vez que um deles sobe ao pódio, conquista mais torcedores. O crescimento da torcida traz, a reboque, um número maior de consumidores potenciais dos produtos com a marca cruzmaltina. Enquanto os outros clubes engatinham na profissionalização, o Vasco está batendo recordes na competição do marketing esportivo.

 
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