Edição 1 648 -10/5/2000

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Fora da fôrma

Estudos revelam como se desenvolvem
os pés das crianças

Thais Furtado

Divulgação
A largura e a altura dos pés crescem de forma constante, mas o comprimento é acelerado nos primeiros anos de vida


Duas pesquisas recentes feitas no Rio Grande do Sul revelaram características interessantes acerca dos pés das crianças. A primeira é do Centro Tecnológico do Calçado Senai, de Novo Hamburgo. Os técnicos mediram e radiografaram os pés de 200 crianças até 14 anos de idade, em escolas públicas e particulares. A constatação: os pés de crianças e de adolescentes não se desenvolvem de maneira uniforme. A altura e a largura crescem de forma constante, porém o comprimento é mais acelerado nos primeiros anos de vida e na pré-adolescência. "Ao nascer, apenas 2% dos pés apresentam anormalidades, mas 75% das crianças em idade escolar já mostram pequenas deformações", diz Carlos Artur Trein, diretor do centro. O segundo estudo foi feito pelo ortopedista e traumatologista Egon Henning. Segundo ele, a criança suporta apertos e pressões praticamente sem sentir dor porque os pés em crescimento são constituídos por cartilagens flexíveis que se adaptam aos sapatos. Mas, se a pessoa usa calçados apertados por muito tempo, quando a ossificação se completa, entre os 14 e os 15 anos, os prejuízos são inevitáveis. Os problemas mais simples são pequenas deformações nos pés. As formas graves podem atingir as articulações do joelho e até comprometer a coluna vertebral.

Sapato de criança, sugerem os estudos, é coisa séria. "Pessoas que pisam errado quando crianças andarão tortas por toda a vida", diz Henning. "Por isso, em países como a Alemanha podem-se comprar sapatos de um mesmo modelo com o mesmo número e larguras diferentes." No Brasil, a complexidade ainda não chegou a esse ponto, mas a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) já começou a examinar e a fornecer certificados de qualidade a calçadistas que produzam sapatos adequados às necessidades de crianças e adolescentes. Há dez empresas na fila esperando o tal certificado. A primeira a obtê-lo foi a Bibi, uma marca gaúcha que tem fábrica também na Bahia, produz 5 milhões de pares de calçados infantis e pretende faturar 70 milhões de reais neste ano. "A criança é um consumidor muito especial", diz Mário Santoro, diretor de projetos especiais da SBP. A sociedade de pediatria atesta a qualidade dos sapatos que passam por seu crivo com um selo. As letras SBP estarão estampadas nas caixas e nos próprios calçados.