Fora da fôrma
Estudos revelam como se desenvolvem
os pés das crianças
Thais Furtado
Divulgação
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| A largura e a altura dos pés
crescem de forma constante, mas o comprimento é
acelerado nos primeiros anos de vida |
Duas pesquisas recentes feitas no Rio Grande do Sul revelaram
características interessantes acerca dos pés
das crianças. A primeira é do Centro Tecnológico
do Calçado Senai, de Novo Hamburgo. Os técnicos
mediram e radiografaram os pés de 200 crianças
até 14 anos de idade, em escolas públicas
e particulares. A constatação: os pés
de crianças e de adolescentes não se desenvolvem
de maneira uniforme. A altura e a largura crescem de forma
constante, porém o comprimento é mais acelerado
nos primeiros anos de vida e na pré-adolescência.
"Ao nascer, apenas 2% dos pés apresentam anormalidades,
mas 75% das crianças em idade escolar já mostram
pequenas deformações", diz Carlos Artur Trein,
diretor do centro. O segundo estudo foi feito pelo ortopedista
e traumatologista Egon Henning. Segundo ele, a criança
suporta apertos e pressões praticamente sem sentir
dor porque os pés em crescimento são constituídos
por cartilagens flexíveis que se adaptam aos sapatos.
Mas, se a pessoa usa calçados apertados por muito
tempo, quando a ossificação se completa, entre
os 14 e os 15 anos, os prejuízos são inevitáveis.
Os problemas mais simples são pequenas deformações
nos pés. As formas graves podem atingir as articulações
do joelho e até comprometer a coluna vertebral.
Sapato de criança, sugerem os estudos, é
coisa séria. "Pessoas que pisam errado quando crianças
andarão tortas por toda a vida", diz Henning. "Por
isso, em países como a Alemanha podem-se comprar
sapatos de um mesmo modelo com o mesmo número e larguras
diferentes." No Brasil, a complexidade ainda não
chegou a esse ponto, mas a Sociedade Brasileira de Pediatria
(SBP) já começou a examinar e a fornecer certificados
de qualidade a calçadistas que produzam sapatos adequados
às necessidades de crianças e adolescentes.
Há dez empresas na fila esperando o tal certificado.
A primeira a obtê-lo foi a Bibi, uma marca gaúcha
que tem fábrica também na Bahia, produz 5
milhões de pares de calçados infantis e pretende
faturar 70 milhões de reais neste ano. "A criança
é um consumidor muito especial", diz Mário
Santoro, diretor de projetos especiais da SBP. A sociedade
de pediatria atesta a qualidade dos sapatos que passam por
seu crivo com um selo. As letras SBP estarão estampadas
nas caixas e nos próprios calçados.