Mantas chiques
Os xales voltam no inverno em novas cores
e
tecidos e com preços para lá de salgados
Silvia Rogar
Fotos André Rolim
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| Xale "étnico", que mistura
lã, cetim e couro, e de lã grossa, estampado
por fora e liso por dentro: bom para usar de dia e de
noite |
As mulheres vão se enrolar neste inverno. No bom
sentido, é claro. Os xales, que ressurgiram há
algum tempo e vêm se mantendo, discretamente, como
opção de acessório chique, voltam às
vitrines em cores e tecidos cada vez mais bonitos. Nas duas
últimas estações, predominou o xale
de pashmina um tipo de lã caríssima,
obtida dos pêlos de filhotes de cabras do Himalaia.
Já as coleções deste inverno consagram
a peça em diversas variações. Há
as que repetem tecido e estampa da roupa, formando conjunto
com blusas, saias e vestidos. Tem os xalezinhos em ponta
que arrematam blusas decotadas. Tem até xale que
não é xale, mas uma echarpe fininha que faz
as vezes de gola. Ela possui várias versões,
sempre glamourosas: enrolada no pescoço, com laço,
nó ou laçada lateral, aparece em camisas feitas
com tecidos finos, regatas e vestidos. "É o novo
clássico", decreta Terezinha Santos, da mineira grife
Patachou, que lançou modelos de seda, chiffon e até
tricô. Novo é maneira de dizer a peça
tem descaradamente o espírito dos anos 60. E, como
tudo o que vem das passarelas, nem todo mundo pode usar.
"Fica horrível em gente com o pescoço curto.
Engorda", veta a estilista carioca Alice Tapajós.
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| Xale de lãzinha,
blusa com gola/echarpe e o de seda: a peça do
meio é proibida para quem tem pescoço
curto |
Dependendo da ocasião, dá para usar durante
o dia. Mas só se o tecido for sem brilho e bem leve.
A festa mesmo ocorre à noite, em modelos de comprimento
variável. Eles podem ser pintados, bordados, de lurex,
tule, couro ou cetim. Até pêlo de coelho foi
utilizado em nossas terras tropicais para fabricar estolas
aquele item que era obrigatório no guarda-roupa
da mulher elegante cinqüenta anos atrás. Quem
acha incômodo andar com um pano que fica escorregando
entre o pescoço e os ombros pode escolher um modelo
com alças para colocar os braços. Irremediável
mesmo é o preço. Um simplesinho não
sai por menos de150 reais. As loucas por grifes chegam a
pagar 970 reais por um modelo de veludo, com franjas enormes,
na filial paulistana da Kenzo. E imaginar que xale já
foi traje típico de pobre...