Edição 1 648 -10/5/2000

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Mantas chiques

Os xales voltam no inverno em novas cores e
tecidos – e com preços para lá de salgados

Silvia Rogar

Fotos André Rolim
Xale "étnico", que mistura lã, cetim e couro, e de lã grossa, estampado por fora e liso por dentro: bom para usar de dia e de noite


As mulheres vão se enrolar neste inverno. No bom sentido, é claro. Os xales, que ressurgiram há algum tempo e vêm se mantendo, discretamente, como opção de acessório chique, voltam às vitrines em cores e tecidos cada vez mais bonitos. Nas duas últimas estações, predominou o xale de pashmina – um tipo de lã caríssima, obtida dos pêlos de filhotes de cabras do Himalaia. Já as coleções deste inverno consagram a peça em diversas variações. Há as que repetem tecido e estampa da roupa, formando conjunto com blusas, saias e vestidos. Tem os xalezinhos em ponta que arrematam blusas decotadas. Tem até xale que não é xale, mas uma echarpe fininha que faz as vezes de gola. Ela possui várias versões, sempre glamourosas: enrolada no pescoço, com laço, nó ou laçada lateral, aparece em camisas feitas com tecidos finos, regatas e vestidos. "É o novo clássico", decreta Terezinha Santos, da mineira grife Patachou, que lançou modelos de seda, chiffon e até tricô. Novo é maneira de dizer – a peça tem descaradamente o espírito dos anos 60. E, como tudo o que vem das passarelas, nem todo mundo pode usar. "Fica horrível em gente com o pescoço curto. Engorda", veta a estilista carioca Alice Tapajós.

 
Xale de lãzinha, blusa com gola/echarpe e o de seda: a peça do meio é proibida para quem tem pescoço curto

Dependendo da ocasião, dá para usar durante o dia. Mas só se o tecido for sem brilho e bem leve. A festa mesmo ocorre à noite, em modelos de comprimento variável. Eles podem ser pintados, bordados, de lurex, tule, couro ou cetim. Até pêlo de coelho foi utilizado em nossas terras tropicais para fabricar estolas – aquele item que era obrigatório no guarda-roupa da mulher elegante cinqüenta anos atrás. Quem acha incômodo andar com um pano que fica escorregando entre o pescoço e os ombros pode escolher um modelo com alças para colocar os braços. Irremediável mesmo é o preço. Um simplesinho não sai por menos de150 reais. As loucas por grifes chegam a pagar 970 reais por um modelo de veludo, com franjas enormes, na filial paulistana da Kenzo. E imaginar que xale já foi traje típico de pobre...